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Cautela com manifestações de 7 de setembro e feriado nos EUA deixa Ibovespa na defensiva

Divulgação  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


06/09/2021 | 10:34


Expectativa com os protestos a favor e contra o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), na terça-feira (7), Dia da Independência, deixa o Ibovespa na defensiva nesta segunda-feira, 6. Isso porque os protestos, especialmente os favoráveis ao governo, tendem a inflar ainda mais atos antidemocráticos, elevando a já tensa relação entre os Poderes. Consequentemente, este cenário pode deixar o investidor ainda mais cauteloso em relação ao fiscal, à pauta de reformas.

A comemoração ao Dia do Trabalho, nesta segunda-feira nos Estados Unidos, deixa o mercado à vista de ações fechados por lá e deve minguar o volume de negócios no Ibovespa, abrindo ainda espaço para instabilidade. Na terça, também a B3 ficará fechada, em razão do feriado de 7 de setembro.

As bolsas europeias e os índices futuros norte-americanos sobem moderadamente, em meio a sinais de manutenção de estímulos nos EUA e de que China e Japão devam anunciar mais incentivos fiscais. Ainda assim, pode ser insuficiente para aliviar consideravelmente nesta segunda-feira Ibovespa, que fechou com elevação de apenas 0,22% na sexta-feira, a 116.933,24 pontos.

Os manifestos programados para terça serão um teste importante para o presidente Bolsonaro, que vê sua popularidade em baixa e tendo dificuldade para avançar na agenda de reformas e em ações populistas, consideradas relevantes para garantir sua reeleição.

A tumultuada relação entre Bolsonaro e o Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou ingrediente novo na sexta-feira. Após novas ameaças do mandatário - afirmou que o 7 de Setembro será "ultimato" a dois ministros do STF -, há relatos de que acabou a boa vontade da Corte para ajudar o governo a encontrar uma solução para o gasto de R$ 89 bilhões com o pagamento dos precatórios.

"Sem um sinal consistente do exterior, os ativos devem continuar respondendo ao conturbado panorama doméstico, que tende a ser agravado pelas manifestações de amanhã e pela manutenção da linha conflituosa adotada pelo Planalto em relação ao STF", ressalta em nota o economista Silvio Campos Neto, sócio da Tendências Consultoria Integrada.

A notícia deve reforçar a expectativa de cautela do investidor nesta segunda na Bolsa, assim como o recuo expressivo nas cotações do minério de ferro no mercado futuro e à vista da China, além do declínio do petróleo no exterior. No entanto, sinais de que o governo japonês e o chinês pretendem adotar novas medidas de estímulos podem atenuar possível desconforto dos investidores.

Em contrapartida, as ações do setor de proteína ficam no radar em meio à confirmação de casos da doença chamada de ''mal da vaca louca'' no Brasil, suspendendo as exportações de carne bovina para a China.

Às 10h24, o Ibovespa cedia 0,34%, a 116.708,23, variando entre a mínima diária a 116.155,78 pontos e máxima a 116.925,96 pontos.

O índice brasileiro iniciou o pregão renovando mínimas, especialmente por ações mais negociadas pesando: as blue chips Vale e Petrobras. Às 10h26, os papéis da mineradora cediam 2,26%, influenciando outras ações como Usiminas PNA (-2,465) e CSN ON (-2,70%), na esteira do recuo de cerca de 8,5% do minério na China, diante de sinais de divergência entre oferta e demanda. Já Petrobras (PN: -0,46% e ON: -0,95%) caía apesar das cotações próximo a zero do petróleo no exterior.

Como na terça a B3 ficará fechada, a cautela tende a acometer os investidores brasileiros, "esperando passar essa sequência de feriados, para voltar a olhar mais de perto para a Bolsa", cita em nota Pietra Guerra, especialista em ações da Clear Corretora.



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