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Guilherme Paulus vende rede de hotéis GJP por R$ 800 mi

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Empresário que fundou a CVC, de Santo André, reduz significativamente sua participação no segmento de turismo


Da Redação
Do Diário do Grande ABC

04/09/2021 | 09:43


O empresário paulistano Guilherme de Jesus Paulus, que mora em Santo André, anunciou a venda da rede GJP Hotels & Resorts, que havia fundado em 2005, para um fundo de investimentos da R Capital, empresa que atua no mercado de capitais, especialmente nos setores imobiliário e de crédito. Fontes avaliam que o negócio movimentou R$ 800 milhões.

A GJP, batizada com as iniciais do empresário e que administra hotéis das bandeiras Wish, Prodigy, Linx e Marupiara, é a terceira empresa criada por Paulus que ele se desfaz. A primeira foi a operadora de turismo andreense CVC, negociada em 2010 com a Carlyle. No ano seguinte, foi a vez da companhia aérea Webjet, vendida para a Gol.

Em comunicado divulgado na quinta-feira ao mercado, a GJP informa que a transação deve ser concluída em 120 dias. O negócio envolve os nove hotéis da rede, que possuem cerca de 3.000 apartamentos, centros de eventos e infraestrutura para atividades de lazer e negócios.

A bandeira Wish, a mais requintada, possui quatro hotéis: Salvador (Bahia), Gramado (Rio Grande do Sul), Natal (Rio Grande do Norte) e Foz do Iguaçu (Paraná). A Prodigy tem unidades na capital do Rio de Janeiro e em Gramado. Já a Linx está no Rio e em Belo Horizonte (Minas Gerais). O grupo ainda é dono do resort Marupiara, em Porto de Galinhas (Pernambuco).

Os motivos que levaram Paulus a se desfazer dos empreendimentos não foram divulgados, mas veículos especializados no setor do turismo atribuem a decisão ao impacto causado pela pandemia do novo coronavírus no segmento de turismo – o lançamento de dois empreendimentos, um em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e outro na Capital paulista foram suspensos.

A queda brusca no número de reservas reduziu o fluxo de caixa, obrigando a companhia a injetar dinheiro na empresa. Paulus estudava abrir o capital da GJP em busca de capitalização, até que surgiu a proposta de compra.

No comunicado, a companhia não explica os motivos da negociação: “Desde sua fundação, a GJP sempre investiu fortemente na expansão da rede, processos e desenvolvimento contínuo dos colaboradores, para prestar serviços de qualidade e excelência, proporcionando a melhor experiência em hospitalidade e lazer aos seus clientes. Essa estratégia permitiu consolidar o grupo como uma das maiores e melhores redes de hotéis de lazer e em aeroportos do Brasil”.

Presidente da GJP, o executivo Fábio Godinho deve permanecer no comando do grupo. O nome da companhia, porém, deve ser alterado. O fundo R Capital integra a holding brasileira RTSC, sendo seu braço de private equity, de investimentos, que tem R$ 3,5 bilhões sob sua gestão.

Fonte que acompanha a trajetória de Paulus desde a CVC, ouvida pelo sob condição de anonimato, diz que a decisão do empresário de praticamente abandonar o segmento dá ideia das incertezas que cercam a área no pós-pandemia. “Será que ele abandonaria o setor se não estivesse convicto de que a situação tende a se agravar? Difícil responder, mas acho que não.”

Castelo e campo de golfe são mantidos

Dois dos mais exclusivos e refinados endereços de turismo no Brasil, o Castelo Saint Andrews, em Gramado, no Rio Grande do Sul, e o Village Iguaçu Golf Residence, em Foz do Iguaçu, no Paraná, seguem sendo propriedades do empresário paulistano Guilherme de Jesus Paulus. Ambos os empreendimentos não entraram nas negociações da GJP Hotels & Resorts com o fundo de private equity R Capital.

Classificado como hotel de montanha, o Castelo Saint Andrews foi inaugurado em dezembro de 2010 e é considerado o mais exclusivo (e caro) destino turístico do País. Com apenas 19 suítes, divididas nas alas Castle e Mountain, esta voltada para as montanhas do Vale do Quilombo, o empreendimento tem diárias que chegam a R$ 3.000 por pessoa.

Além das acomodações requintadas, com arquitetura inspirada em construções típicas da região escocesa de Saint Andrews, à qual deve seu nome, o castelo gaúcho é destaque internacional na gastronomia. Recentemente, o restaurante do hotel, comandado pelo Fernando Becker, recebeu o prêmio Excelência nas Américas do renomado guia de luxo Condé Nast Johanses.

Outro dos empreendimentos que ficam sob a administração de Guilherme Paulus é o Village Iguaçu, misto de condomínio residencial de alto luxo com e resort com campo de golfe. O local possui bosque próprio de 8 mil m² de área. Lançado em 2017, com a assinatura do arquiteto norte-americano Erik Larsen, o complexo residencial e de lazer fica em Foz do Iguaçu, a 10 minutos da Argentina e a 15 do Parque das Cataratas.

Voltado a moradores com alto poder aquisitivo, o condomínio oferece lotes e residências aos clientes interessados. Uma casa de 473 metros quadrados de área construída, com quatro dormitórios, cinco banheiros e três vagas para automóveis na garagem, estava sendo anunciada, ontem, no site de uma imobiliária da região por R$ 5,5 milhões.

Justiça vai analisar se empreendedor lavou dinheiro e praticou corrupção

Guilherme de Jesus Paulus, 71 anos, é um dos seis denunciados pelo MPF (Ministério Público Federal) à Justiça no âmbito da. Ele é acusado de corrupção ativa e lavagem de dinheiro. O caso corre na 2ª Vara Criminal Federal de São Paulo.

Investigado pela Polícia Federal, Paulus é acusado de pagar propina no valor de R$ 966 mil a auditores da Receita Federal em Santo André em troca de agilização na liberação de restituições travadas no Fisco – o valor corresponde a 10% do total devido às empresas. Os crimes teriam sido cometidos em 2014 e 2015.

Uma das negociações de propina foi feita, segundo a apuração, em mesa do antigo Fran’s Café, localizado na Avenida Portugal, em Santo André. Os valores eram lavados por meio de cheques de quantias fracionadas depositados em nome de empresas administradas por laranjas.

Além de Paulus, que acabou fazendo acordo de delação premiada com as autoridades, foram denunciados à Justiça o auditor-fiscal Rubens Fernando Ribas, o advogado e ex-auditor Jackson Matsui, os empresários Átila Reys Silva e Fábio Claro e o contador Válter Gonçalves.



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