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Fim da retirada do Afeganistão encerra guerra mais longa da história dos EUA

Divulgação/Força Aérea dos EUA/Sargento Daryn Murphy/Fotos Públicas Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


31/08/2021 | 07:00


Os vestígios da presença dos EUA no Afeganistão acabaram na segunda-feira (30), após a partida do último voo militar do aeroporto de Cabul. Com a conclusão da retirada de suas tropas, os EUA deixam o país sob controle total do Taleban e encerram a guerra mais longa de sua história.

Nos últimos dias, o alto comando militar americano disse que os EUA continuariam com a retirada até terminar o prazo de 31 de agosto. No entanto, as operações foram encerradas 24 horas antes. O último avião deixou Cabul pouco antes da meia-noite, no horário local (tarde de ontem no Brasil).

"Estou aqui para anunciar que completamos nossa retirada do Afeganistão", afirmou o general Kenneth Mckenzie, pouco após a meia-noite do dia 31 em Cabul. Ele mencionou ainda as baixas de 2.461 civis e militares, além de mais de 20 mil feridos. A data foi estabelecida como limite pelo presidente dos EUA, Joe Biden, em acordo com o comando do Taleban, que assumiu o controle do aeroporto.

Em comunicado, Biden voltou a defender a retirada. "Nos últimos 17 dias, nossas tropas realizaram a maior retirada aérea da história dos EUA, resgatando mais de 120 mil americanos, cidadãos de países aliados e afegãos", escreveu o presidente. "Terminar a missão como planejado foi a recomendação unânime do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas e de todos os nossos chefes militares."

Zabihullah Mujahid, principal porta-voz do grupo, celebrou com uma mensagem no Twitter. "O último ocupante americano retirou-se do (aeroporto de Cabul) e nosso país ganhou sua independência total", escreveu. "Louvor e gratidão a Deus."

Centenas de pessoas ainda esperam na parte de fora do aeroporto, todas mantidas à distância por combatentes do Taleban. Cerca de 1,2 mil foram retiradas ontem de avião de Cabul, segundo a Casa Branca. Isso deixa para trás entre 100 e 200 americanos, segundo o secretário de Estado, Antony Blinken, além de 100 mil colaboradores afegãos, de acordo com estimativa do New York Times. Muitos são funcionários do governo anterior e intérpretes dos militares dos EUA, que aguardam um visto especial de imigrante.

Os EUA e outros 97 países disseram que continuarão a receber pessoas que fogem do Afeganistão e firmaram um acordo com o Taleban para permitir a passagem segura daqueles que planejam partir. O negociador-chefe do grupo, Sher Mohamed Abas Stanekzai, disse que não impediria as pessoas de partir, independentemente de sua nacionalidade ou se trabalharam para os americanos durante a guerra.

No entanto, se o Taleban manterá esse compromisso e quando o aeroporto poderá reabrir para voos comerciais ainda é incerto.

Os 20 dias finais da presença americana no Afeganistão foram marcados por cenas trágicas, como a tentativa desesperada de afegãos de embarcarem em aviões americanos no aeroporto em Cabul. Um ataque do Estado Islâmico de Khorasan (Isis-K, na sigla em inglês), na quinta-feira, matou 180 pessoas, incluindo 13 militares americanos.

Na segunda-feira, as defesas antimísseis dos EUA interceptaram ao menos cinco foguetes lançados contra o aeroporto de Cabul, pouco antes de o último voo decolar. O ataque também foi reivindicado pelo Isis-K, em uma mensagem no Telegram. A organização é considerada rival do Taleban.

Segundo a imprensa afegã, os foguetes foram lançados da parte posterior de um veículo e atingiram diferentes partes da capital. Em comunicado, a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, confirmou a interceptação, mas não deu detalhes sobre mortos ou feridos. (Com agências internacionais)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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