Fechar
Publicidade

Segunda-Feira, 29 de Novembro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

economia@dgabc.com.br | 4435-8057

A urgência em olhar para o longo prazo


Sandro Renato Maskio

30/08/2021 | 00:01


Não é incomum encontrarmos adeptos do estilo de viver um dia de cada vez. Estes priorizam o fato de que a vida acontece agora, ao mesmo tempo em que avaliam o futuro como incerto, independentemente do que se planeje. Essa assertividade, para outros, justifica maior cuidado e priorização com o planejamento da vida no futuro.

Sem nenhum juízo de valor, as decisões individuais de estilo de vida cabem a cada um, com suas vantagens e desvantagens, riscos e seguranças. 

Entretanto, quando o assunto é economia, em especial desenvolvimento econômico, não é bem assim. Entre alguns dos fatores essenciais para a trajetória da economia ao longo do tempo estão aqueles que determinam a competitividade e os que determinam a capacidade produtiva, que por vezes se entrelaçam. 

Entre alguns dos fatores fundamentais para a competitividade da economia, estão os associados aos fatores de custo, para o qual a melhoria da produtividade nos diferentes setores da economia mostra-se o caminho mais sustentável à inserção produtiva e competitiva dos países e das economias locais.

Quanto à capacidade produtiva, é essencial a construção e manutenção de um bom ambiente econômico e a estruturação de bases garantidoras de infraestrutura operacional aos setores produtivos.

A questão é que nenhum desses fatores é concebido ou adquirido em curto espaço de tempo. Muito pelo contrário. E a falta de um planejamento de ações estruturantes com foco no médio e longo prazos inevitavelmente implica em enormes riscos de criar barreiras ao progresso da economia.

Olhando para a atual crise hídrica no Brasil e os efeitos sobre a geração de energia elétrica, nos defrontamos com uma grande barreira à retomada da economia brasileira. Mesmo que não ocorra um apagão, a elevação do preço da energia afeta o custo de toda a cadeia produtiva, impactando negativamente para o crescimento da produção. Se porventura tivermos que enfrentar algum tipo de racionamento, então o estrago será maior ainda. 

Se para alguns a culpa é apenas da falta de chuvas, que reduz a capacidade dos reservatórios de nosso sistema de geração de energia concentrado em hidrelétrica, não podemos nos esquecer do baixo investimento e lenta expansão de novas matrizes geradora de energia, para as quais o Brasil tem grande potencial, como as energias solar e eólica. Sem falar na falta de investimento nas linhas de transmissão e as inevitáveis perdas de parte da energia gerada neste processo. 

Aqui poderíamos listar outros gargalos da economia brasileira pela falta de planejamento e de ações efetivas, especialmente relacionados à infraestrutura, como o custo das operações portuárias no Brasil; o custo imposto pelo modal de transporte, ainda concentrado no deteriorado sistema rodoviário; aos quais podem se somar à necessidade de melhoria na infraestrutura do setor de telecomunicações, da infraestrutura urbana, entre outras.

O que quero chamar atenção é que em questões relacionadas à estrutura produtiva da economia o risco de se viver um dia de cada vez tem preço muito elevado. Se de um lado o crônico problema da estrutura do orçamento público brasileiro dificulta a realização de investimentos públicos no Brasil, que na grande maioria dos países do mundo são essenciais para garantir uma boa infraestrutura, o baixo nível de conhecimento ou o desleixo daqueles que tomam decisões e definem prioridades no campo das políticas públicas brasileiras também tem provocado impactos negativos.

Infelizmente não podemos prever o futuro, mas podemos decidir adotar posturas de maior precaução, que garantam maior sustentabilidade e menor exposição ao risco. Hoje é comum ouvir críticas aos recursos públicos gastos com a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016, frente aos desafios com os quais a sociedade se deparou com a brutal desaceleração da economia após 2014.

Não será apagando algumas luzes ou qualquer ação desesperada imediatista que construiremos condições de garantir estruturas mínimas ao progresso econômico e social.  

Material produzido por Sandro Renato Maskio, coordenador de estudos do Observatório Econômico da Faculdade de Administração e Economia da Metodista.



Quer receber em primeira mão as notícias das sete cidades do Grande ABC?

Entre no nosso grupo de WhatsApp. 
Clique aqui.
 

Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;