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Grande ABC supera marca
de 10 mil mortes por Covid

Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Em um ano e sete meses de pandemia, Covid destruiu sonhos e produziu número de mortes inimaginável para o Grande ABC


Anderson Fattori
Do Diário do Grande ABC

27/08/2021 | 23:48


O Grande ABC alcançou nesta sexta-feira (27) a marca de 10 mil mortes por Covid. É como se 53 aviões de grande porte caíssem de uma só vez. Só que o coronavírus é uma doença silenciosa e que mata aos poucos. Em um ano e sete meses são 10 mil famílias dilaceradas, vidas bruscamente interrompidas, sonhos despedaçados. Ainda vai levar um tempo para que a região possa assimilar o tamanho da catástrofe, diz psicóloga ouvida pelo Diário. Afinal, a doença já vitimou mais pessoas do que duas décadas de homicídios dolosos, quando há intenção de matar, que era o que tirava o sono de muita gente antes da pandemia.

A barreira das 10 mil mortes foi superada com a divulgação dos boletins epidemiológicos das prefeituras, ontem. Foram confirmados mais 19 óbitos por coronavírus. São 354 mortes a cada grupo de 100 mil habitantes, número que coloca o Grande ABC no segundo lugar na lista entre os países do mundo que mais sofreram com a Covid – o Brasil seria o sétimo do ranking, conforme arte ao lado.

De acordo com a docente do curso de psicologia da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) Ivete de Souza Yavo, a Covid, diferentemente de outras doenças, que vão preparando o paciente e os familiares para o momento da despedida, interrompeu bruscamente vidas e isso pode gerar outros problemas como quadros depressivos e de alto nível de ansiedade.

“Não são 10 mil mortes por acidente, por uma doença crônica, foram perdas abruptas, algo inesperado, e as pessoas têm dificuldade de lidar com o inesperado. Nós vivemos como se a morte não existisse. A doença tirou de nós pessoas que amamos, famílias foram ceifadas, histórias e projetos, interrompidos e isso gera altos níveis de ansiedade, com tendência de quadros de depressão”, lamentou a psicóloga. “É preciso acompanhar os familiares que perderam pessoas para a Covid. Irritabilidade excessiva, perda ou ganho de peso, choro sem motivo e por períodos prolongados são preocupantes e sinais de que é preciso procurar por ajuda”, acrescentou.

Ivete destaca que um outro agravante faz da Covid ainda mais impiedosa. Em razão da facilidade de contaminação do coronavírus, velórios não puderam receber muitas pessoas e os caixões foram lacrados. Os familiares e amigos não tiveram nem mesmo a despedida esperada, não puderam vivenciar o luto.

“Foram mortes repentinas, sem sequer que as pessoas tivessem tempo para elaborar a perda. O velório e enterro fazem parte do ritual do luto, é uma etapa que é preciso vivenciar para superar, é também o momento da última despedida, de desvincular e de fazer bons desejos de acordo com religiosidade de cada um. Nós não estávamos preparados para lidar com situações como essa, ainda mais no Brasil, que nunca vivenciou nada parecido”, comentou a psicóloga.



VACINAÇÃO TARDIA
Presidente do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC e prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB) lamentou as mortes por Covid ocorridas na regïão e criticou o atraso na compra e no envio de imunizantes contra o coronavírus por parte do governo federal.

“A gente lamenta profundamente. É número significativo, impactante. Graças a Deus a proporção está sendo muito reduzida em consequência da vacinação. A gente lamenta porque a vacinação poderia ter começado antes e está muito comprovado que o imunizante evita mortes. É muito triste. São 10 mil famílias enlutadas, que perderam entes queridos”, lamentou o prefeito. “Não dá para tratar apenas como estimativa, como estatística. Mas ficam muitos ensinamentos. Mostra o quão frágil é a vida. Vem um vírus microscópico, que ninguém vê, e acaba levando 10 mil pessoas queridas da nossa região”, acrescentou o político.

No comando do colegiado de prefeitos do Grande ABC, Paulo Serra ressalta que a pandemia ainda não chegou ao fim e pede para que as pessoas se cuidem para evitar mais mortes. “Esse número de 10 mil mortes nos deixa em alerta e traz aprendizado de que a gente precisa ainda continuar se cuidando, usando máscara, a pandemia ainda não acabou. A gente está no fim desta guerra, mas precisamos ainda combatê-la com as armas que nós temos”, finalizou o tucano.

RITMO DA PANDEMIA
O Grande ABC demorou 58 dias para atingir mais um milhar de mortes por Covid, já que a marca de 9.000 óbitos havia sido alcançada no dia 1º de julho. Os números mostram que o ritmo de falecimentos desacelerou, um dos principais reflexos da campanha de vacinação. Antes, as sete cidades da região demoravam pouco mais de um mês para acumular 1.000 mortes.

Com quatro dias para o fim, o mês de agosto se caminha para ser o menos letal desde novembro de 2020, quando foram registradas 248 mortes. Do dia 1º até ontem foram reportadas 344 baixas por coronavírus, praticamente metade do registrado em julho (691) e um terço das perdas de junho (964).

BALANÇO
Os boletins epidemiológicos das prefeituras reportaram 19 mortes e 480 novos diagnósticos positivos da doença ontem. Com isso, o número de moradores do Grande ABC que tiveram contato com o coronavírus chegou a 247.471, sendo que, destes, 230.362 já estão recuperados.

São Bernardo é a cidade da região que mais sofre com a pandemia, com 3.158 mortes e 89.356 casos, seguida de Santo André (2.509 óbitos e 67.171 infectados), Mauá (1.505 falecimentos e 32.156 registros da doença), Diadema (1.443 perdas e 33.474 contaminados), São Caetano (903 baixas e 15.294 casos), Ribeirão Pires (396 mortes e 7.070 diagnósticos positivos) e Rio Grande da Serra (97 perdas e 2.950 infectados).

VACINAÇÃO
As sete cidades do Grande ABC aplicaram mais 26.597 imunizantes contra o coronavírus entre quinta-feira e ontem. Foram 7.444 referentes à primeira dose e 19.153, à segunda. Com isso, desde o início da campanha, no dia 19 de janeiro, já são 2.937.908 vacinas aplicadas na região, sendo 1.969.104 referentes a primeira dose e 968.804, à segunda.

Como o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) atualizou ontem o número estimado de moradores das sete cidades (leia mais na página 4), o percentual da população imunizada nas cidades também sofreu alteração.

Santo André segue liderando o Vacinômetro do Grande ABC, com 77,8% da população vacinada com a primeira dose e 37,7% com o esquema vacinal completo. Na segunda posição está São Caetano, com 76,8% dos moradores com a primeira dose e 47,1% com a segunda – veja a situação de todas as cidades na tabela na página 3. 



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