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Três a cada grupo de dez crianças no Grande ABC estão acima do peso

Claudinei Plaza/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Dos 476 mil menores da região, 27% sofrem com medidas em excesso; especialistas alertam responsáveis


Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

22/08/2021 | 00:01


A obesidade infantil tem sido pauta cada vez mais comum nos debates de saúde, sobretudo diante do aumento na oferta de fast-foods e comidas a pronta entrega – como os deliverys – e, consequentemente, nos altos índices de peso em excesso em crianças. No Grande ABC, por exemplo, dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que a cada dez menores de 12 anos, três já sofrem com o problema, ou seja, das 476 mil crianças até essa idade, 27% – ou 128.520 – têm obesidade ou sobrepeso.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o número de menores com obesidade no mundo pode chegar a 75 milhões até 2025. Aponta ainda que se o cenário não mudar, o Brasil pode ocupar o 5º lugar no ranking de países com a maior quantidade de crianças com obesidade até 2030. 

Portanto, aquela velha história de que criança gordinha é sinônimo de saúde já ficou, de fato, para trás. Gastrocirurgião e endoscopista do Instituto EndoVitta, Eduardo Grecco destacou que, antigamente, não se falava tanto em obesidade na infância porque a situação ainda estava fora do quesito doença. “A obesidade, de dez a 15 anos para cá, veio ganhando mais essa conotação (de doença). As pessoas tratavam a obesidade como (algo que era) simplesmente emagrecer. Mas hoje já vimos que a obesidade traz série de outras doenças, como diabete, pressão alta, doença do refluxo, gordura no fígado, problemas articulares (entre outras)”, pontuou o médico. 

O especialista ainda comentou que a criança obesa, consequentemente, se torna um adulto obeso e, portanto, acaba sendo acometido ao longo da vida por diversas comorbidades. “Hoje os estudos mostram que 75% dessas crianças ou adolescentes, que começam com obesidade na idade infantil, vão evoluir para adultos obesos”, frisou o médico, criticando, ainda, a má alimentação ofertada aos menores.

Outro fator observado para o aumento da obesidade infantil é o sedentarismo. A nutricionista especializada em nutrição materno-infantil, clínica e ortomolecular Juliana Fagiani afirmou que, atualmente, os menores passam “muito tempo em frente a televisões e vídeo game”, deixando de praticar atividades físicas e optando por lanches mais fáceis e menos saudáveis, como salgadinhos, biscoitos doces e demais produtos industrializados. “Os pais e família devem atuar como exemplo, a criança se espelha no comportamento dos adultos e isso deve ser de forma divertida, rotineira, e evitar agir como se o hábito saudável fosse algo difícil e chato”, orientou a especialista.

Doutor em endocrinologia pela Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) e integrante da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Antonio Carlos do Nascimento destacou ainda que existem sinais objetivos de obesidade logo na primeira infância, como aumento do volume abdominal e dobras em coxas e braços, sustentando, porém, que “as rédeas se perdem antes” desses primeiros sinais, com a condução alimentar equivocada, inicialmente originada nos pais e cuidadores, e depois perpetuada pelos jovens. “O sobrepeso e a obesidade devem sempre ser observados como problema, obrigando as instituições de saúde pública à promoção perene de informações massivas sobre esta questão”, disse o médico.

O especialista apontou ainda que o debate se torna cada vez mais necessário para “melhorar a saúde futura da população planetária”. Já em relação ao controle da má alimentação, Antonio Carlos garantiu ser tema difícil. “Reduzir ao máximo é a melhor resposta quando imaginamos os fast-foods, mas existem perfis de fast-foods que confortam com alimentos não processados e permitem praticidade e rapidez na refeição”, explicou o médico. Ele é um dos idealizadores do Núcleo de Obesidade de Santo André, programa que visa contemplar a obesidade no enfrentamento de suas causas, envolvendo as secretarias de Esportes, Educação, Saúde e Comunicação em “vários vieses e nas conduções do tratamento da obesidade em seus vários níveis, incluindo aquele que impõe o procedimento cirúrgico como a única alternativa”.

Com 122 quilos, menina de 12 anos encara ‘nova vida’ na reeducação alimentar 

“Começar tudo de novo”. Foi assim que Fernanda (nome fictício), 36, resumiu a luta da filha, Luísa (nome fictício), 12, que está fazendo acompanhamento multidisciplinar para eliminar peso com reeducação alimentar. O Diário preservou o nome de ambas para evitar a exposição da menor.

A jovem, que hoje tem 122,4 kg, começou o acompanhamento com a nutricionista Vivian Roberta Pian, em maio, e já apresentou sinais de melhora, sobretudo no que diz respeito à qualidade de vida. 

Para que a reeducação alimentar não seja um martírio para Luísa, a nutricionista não restringiu nenhum alimento de seu cardápio, apenas reduziu quantidades e estipulou horários e dias específicos para o consumo de determinados “prazeres”. “Com criança a dieta tem de ser mais cautelosa. Ela precisa entender que pode comer de tudo, mas sem excessos”, explicou Vivian, que foi uma adolescente obesa e, por questões pessoais de autoestima, optou por emagrecer e tornar-se nutricionista “para ajudar outras pessoas”.

Luísa revelou que sua comida favorita é a de origem japonesa, mas diante da alta quantidade de carboidratos presentes na alimentação asiática, devido ao arroz, o consumo passou a ser esporádico. “Não é difícil e não fico com fome”, confessou a jovem, explicando que na sua dieta, em intervalos entre as refeições principais, come frutas.

A mãe, Fernanda, fez cirurgia bariátrica há três anos, também para reduzir peso, que ultrapassava os 100 kg. “O alimento não é nosso vilão. Nós temos é de recomeçar, reaprender a comer”, pontuou, contando que a decisão de emagrecer para ambas se deu, principalmente, para melhorar a saúde.



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