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Leitos do SUS aumentam 22% durante a pandemia

Denis Maciel/ DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Especialistas apontam que tendência é que equipamentos sejam desmobilizados;
cidades ainda aguardam controle da Covid


Aline Melo

16/08/2021 | 07:02


O número de leitos do SUS (Sistema Único de Saúde) no Grande ABC aumentou 22,2% entre janeiro de 2020 e junho de 2021, apontam dados do DataSUS, banco de informações do Ministério da Saúde. No período, também houve inversão na proporção entre leitos públicos e privados. Se antes da pandemia a maior parte das acomodações era de unidades particulares de saúde, durante o enfrentamento à Covid-19 essa proporção se inverteu. Apesar de esse indicativo ser um legado positivo da maior crise sanitária em 100 anos, especialistas apontam que a tendência é que boa parte das estruturas seja desmobilizada quando a Covid estiver sob controle.

Professora titular de saúde coletiva na FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), Vania Nascimento acredita que, em se controlando a pandemia, os leitos que foram abertos para atender pacientes Covid devem ser desativados. A especialista pontua que muitos dos leitos foram abertos com aporte de recursos federais emergenciais e que há casos de leitos de UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) que foram destinados para atendimento de pacientes infectados com o novo coronavírus, mas que, passando a fase crítica da pandemia, haverá demanda para outras enfermidades.

“Muitas pessoas que evitaram procurar auxílio médico com medo da Covid podem ter seus quadros agudizados e então haverá a necessidade desses leitos”, pondera.

A coordenadora de enfermagem na Estácio Ourinhos, Carolina Polido, corrobora a avaliação da docente da FMABC e destaca que o recurso extra disponibilizado ao SUS para a pandemia não deve ter seu fluxo de repasse mantido. “Em localidades mais afastadas, que já tinham pouca estrutura, pode ser que os leitos sejam incorporados às redes públicas. Mas no Estado de São Paulo, por exemplo, que já contava com uma rede mais robusta, embora abaixo do ideal, a tendência é de desmobilização e retorno aos patamares anteriores à pandemia”, completa.

Vania avalia que a pressão por leitos de urgência deve ser uma situação observada na região, com o agravamento de quadros como hérnias e cálculos na vesícula. “Porque não temos leitos suficientes para procedimentos eletivos e muitas dessas pessoas só são atendidas quando seus estados de saúde se agravam”, afirma.

Carolina destaca, no entanto, que, embora a desmobilização dos leitos deva ser observada na região em nível nacional, não é possível prever em que momento isso pode ocorrer, devido à presença cada vez maior de casos de Covid resultados de infecções da variante delta, que tem maior poder de contaminação.

“A gente vai ter que lidar com as novas cepas que vão continuar aparecendo, porque não vamos conseguir tirar esse vírus de circulação”, avalia. “Vamos reduzir as incidências, melhorar a cobertura vacinal, mas não vamos tirar de circulação”, reitera. 

Desativações têm sido feitas de maneira cautelosa

As cidades do Grande ABC têm adotado cautela com a desmobilização de leitos. Santo André, que, segundo o Datasus, teve incremento de 381 leitos (a cidade montou três hospitais de campanha, mas já desmobilizou dois, transferindo os leitos para outros equipamentos), informou que analisa a evolução da pandemia e os resultados da campanha de imunização para definir o plano pós-pandemia. E que todos os leitos não ocupados neste momento nos hospitais de campanha seguem em stand-by até que esse planejamento esteja fechado. 

São Bernardo informou que optou por adequar a própria rede ao invés de abrir hospitais de campanha, e que atualmente conta com 573 leitos permanentes para o tratamento da doença, que serão mantidos para esta ou outra finalidade, conforme o avanço da pandemia. 

São Caetano apontou que todos os leitos abertos para tratamento de pacientes Covid seguem em funcionamento, sem previsão de fechamento. Diadema informou que em virtude do aumento de casos de Covid, no início do ano, houve a redistribuição de leitos de enfermaria e UTI (Unidade de Terapia Intensiva) no HMD (Hospital Municipal de Diadema), e nos períodos de maior demanda, o município chegou a contar com 111 leitos exclusivos para tratamento da doença. Atualmente estão ativos, exclusivos para Covid, 40 leitos de UTI e 56 de enfermaria. Os demais 15 leitos de enfermaria foram direcionados para o atendimento de outras comorbidades, mas podem ser novamente direcionados ao atendimento exclusivo Covid, caso necessário. 

Mauá ampliou na atual gestão o número de leitos de internação Covid de 38 para 90, incluindo UTI e enfermaria. A cidade conta com 60 leitos, sendo 30 UTI e 30 enfermaria, além de outros 44 com suporte ventilatório nas quatro UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), 11 por unidade, e vem monitorando a situação da pandemia. Em Ribeirão Pires, dos 41 leitos abertos no hospital de campanha, já desmobilizado, 16 foram transferidos à UPA Santa Luzia. Rio Grande da Serra não conta com leitos de internação. A Secretaria de Estado da Saúde não respondeu aos questionamentos do Diário.



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