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‘Momento é de esperança e responsabilidade’

Divulgação/ Governo do Estado de SP Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Yara Ferraz

16/08/2021 | 07:29


Patrícia Ellen, 43 anos, veio do setor privado, da área de tecnologia, e desde o início da atual gestão João Doria (PSDB), em 2018, chefia a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico. Ela afirmou que ainda é um desafio o aumento da participação da mulher, ainda mais em áreas econômicas, conforme experiência que teve no Fórum Econômico Mundial, em Davos. “Nós fizemos cerca de 30 reuniões com empresas e, dessas, somente uma tinha uma mulher.” A secretária também falou sobre os planos para a região neste período de retomada econômica, e do papel da articulação com o Consórcio Intermunicipal.

Nome: Patrícia Ellen da Silva
Estado civil: solteira
Idade: 43 anos
Local de nascimento: São Paulo, onde mora
Formação: administração de empresas pela USP (Universidade de São Paulo) e administração pública pela Universidade de Harvard Kennedy School
Hobby: ioga, meditação, forró e trekking nos parques estaduais
Local predileto: Litoral Paulista e Chapada Diamantina
Livro que recomenda: Em Busca de Sentido, de Viktor Frankl
Artista que marcou sua vida: Emicida
Profissão: administradora
Onde trabalha: Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado

A pandemia impactou em toda a economia mundial, incluindo o Estado de São Paulo. Já é possível estimar as perdas deste período, que já dura praticamente um ano e meio? E quanto tempo vamos levar para recuperar tudo isso?

Eu acredito que 2021 é ano-chave para o mundo, não somente para aspectos econômico e financeiro, mas também pelo social e tecnológico. Vamos ter um ponto de inflexão de criar modelos de desenvolvimento econômico inovadores e eu acredito que São Paulo sai na frente em diversos aspectos. Primeiro, quando o governador João Doria decide fazer uma gestão da quarentena desde o início, lançando o centro de contingência em fevereiro, quando tivemos o primeiro caso registrado. Em março já tínhamos o gabinete de enfrentamento à pandemia, então foi um processo muito ágil. Com isso, nós pudemos fazer esse modelo da quarentena regionalizada e heterogênea, que garantiu que a economia não parasse. No pior momento da pandemia, tivemos mais de 70% da economia girando, com alguns setores que foram mais impactados, mas os resultados, mesmo de 2020, mostram a importância dessa gestão. São Paulo teve um PIB (Produto Interno Bruto) em 2020 de 0,4%, enquanto o Brasil teve recessão de 4,1%, e isso aconteceu em diversos lugares do mundo, que estão neste momento em 2021 compensando a perda de 2020. Como nós conseguimos fechar no azul, estamos agora em momento de retomada. Inclusive a Fundação Seade revisou as projeções, a expectativa de crescimento para 2021 é de 7,8%.

Durante o período da pandemia com mais restrições, ocorreram manifestações de setores que não queriam ter as portas fechadas. Como foi lidar diretamente com essa demanda de comerciantes e empresários e até mesmo com os negacionistas?

A pandemia foi o maior desafio que enfrentamos na sociedade moderna. Talvez, quem tenha sofrido o maior impacto disso foi o governador João Doria, que estava na linha de frente como líder do Estado, puxando pautas nacionais, como a antecipação da data de vacinação, a obrigatoriedade do uso de máscaras e a responsabilidade de lidar com a quarentena. Tudo isso gera desconforto na população, mas acho que o líder tem esse papel de tomar decisões difíceis e dar tempo ao tempo. Hoje, as pessoas viram a importância de cada uma dessas decisões para a proteção de vidas e retomada econômica. A prova concreta disso é que São Paulo, que foi precursor em todas as medidas de proteção à vida, incluindo a vacinação, também está com uma retomada econômica mais acelerada do que a média nacional. Pessoalmente, foi um grande desafio, sem dúvida. Eu vim do setor privado para minha primeira experiência em gestão pública. Sou mãe de gêmeas e, como todos os pais e mães, tive esse desafio das crianças em casa, mas não teve um dia em que eu não me sentisse grata de estar na linha de frente e poder ajudar a população neste momento difícil.

Como é ser uma das poucas mulheres chefiando uma pasta estadual?

Nós somos quatro secretárias e é o maior número da história do governo de São Paulo, e essa é uma das grandes pautas que eu defendo, a de liderança feminina. Na secretaria hoje temos 61% dos cargos-chaves ocupados por mulheres, e temos também uma preocupação com diversidade, não somente de gênero, mas de raça, econômica e social. Essa é uma das prioridades do governador e uma das razões por que eu aceitei o convite para participar dessa gestão. No histórico recente da secretaria, de 20 anos para trás, somente há mais uma secretária, a doutora Maria Helena (Guimarães de Castro, em 2006), que ficou cerca de seis meses na pasta. Então na própria gestão econômica não se espera ter mulheres, infelizmente, e já passou da hora de mudar isso.

E nessa experiência à frente da pasta você já passou por casos de machismo?

O paradigma da liderança feminina é seriíssimo no mundo inteiro, tanto no setor público quanto no privado. Em janeiro de 2020, em Davos, me impressionou que havia menos mulheres em relação à primeira vez que nós fomos, em janeiro de 2019. E eu falo em Davos porque é a reunião do Fórum Econômico Mundial e temos ali a junção de líderes de todo o mundo. Nós fizemos cerca de 30 reuniões com empresas e, dessas, somente uma tinha uma mulher. E também foi curioso porque chegaram a me perguntar: ‘Você é assessora de quem?’ Já assumem que a gente está ali assessorando alguém, então, é um grande desafio. Durante a pandemia, aumentou muito o empreendedorismo feminino, principalmente por necessidade e as mulheres sofrem uma tripla carga, são mães, responsáveis financeiras do lar e também têm a demanda de cuidar da casa. O impacto é maior em mulheres negras de condições socioeconômicas menos privilegiadas. Mas sou otimista, acredito que pode ser um legado positivo da pandemia, se no Brasil nós soubermos enfrentar essa desigualdade que foi escancarada.

Mudando de assunto, o Consórcio Intermunicipal do Grande ABC tem se reunido com empresas para encaminhar demandas ao Estado. A partir disso, pode resultar em algum programa aqui para a região?

Sem dúvida. Estamos trabalhando nisso neste momento. A reunião com o Consórcio foi um sucesso. Nós temos uma frente de trabalho organizada com todas as subsecretarias, exatamente para montar alguns programas específicos para a região. As demandas maiores são na área de tecnologia e nos setores vocacionados que temos na região. Nós fizemos um mapa de quais são as necessidades de qualificação através das escolas técnicas, Etecs e Fatecs e também estamos trabalhando no programa de atração de investimentos na região através da Investe-SP. (...) O Grande ABC, inclusive, é uma das regiões que concentram maior quantidade de polos de desenvolvimento econômico. Do total de 14, nós temos 11 polos que são muito fortes na região. Além dos principais, como metal-metalúrgico e máquinas e equipamentos, nós temos inclusive trabalhado, através do Consórcio, no desenvolvimento das potencialidades em outros, como o polo de biocombustíveis, de papel e celulose, têxtil, químico, entre outros.

O Grande ABC perdeu muitas indústrias ao longo dos anos. O exemplo clássico foi a Ford, que saiu de São Bernardo em 2019 e depois acabou saindo do País. O governo do Estado sempre atua nessas questões. No caso da GM, que também ameaçou sair do País, foi feito o Incentivauto, que beneficia toda a indústria automotiva, e a empresa voltou atrás. Mas, com a questão da Ford teve algumas conversas, que não evoluíram. Há alguma solução para esse problema da desindustrialização? Até porque, nós vemos o número de empregos da indústria diminuindo e o de serviços aumentando.

O primeiro ponto é a redefinição de desindustrialização. Antes de entrar no governo, eu era presidente de uma empresa de tecnologia e saúde e muito do que a gente fazia era visto como serviço e não como produto. Até um carro hoje tem muito serviço, então é um modelo que agrega cada vez mais serviços aos produtos. É uma tendência global. O que nós precisamos no Brasil, e esse é o cuidado que temos com os polos de desenvolvimento, é garantir que não percamos valor agregado na nossa economia, não tenhamos uma saída de indústrias para um modelo de precarização de uma cadeia de valor menos sofisticada. O caso da GM é sim muito importante. Não queremos perder uma empresa que vá para outro lugar fazer a mesma coisa. A gente quer manter ela aqui. Agora muitas empresas estão refazendo a sua estratégia global e revisando a sua matriz e nós temos que estar preparados para dar o próximo passo de agregação de valor. O trabalho que nós estamos fazendo, por exemplo, com o polo aeroespacial – e o Grande ABC tem uma vocação interessante nessa área –, também é aproveitar essas habilidades para a área de saúde, de biotecnologia, que a gente sabe que vai ter um crescimento muito grande. O trabalho que temos que fazer não é pensar em desindustrialização e migração de indústria para serviços, mas aumentar a complexidade da nossa cadeia produtiva investindo em novas tecnologias de ponta. Por isso que o investimento em ciência e tecnologia é tão importante.

Vemos quanto a indústria está sofrendo com a falta de peças, que vêm principalmente da China. É possível fazer isso, se desenvolver e ser uma cadeia sustentável sem depender tanto lá de fora?

Sem dúvida. Acho que um exemplo concreto disso é o que fizemos com os respiradores. Nós vimos que essa dependência internacional, em especial da China, é global. Começou a faltar respirador no mundo inteiro e todos dependiam das peças de lá, mas São Paulo conseguiu ser autossuficiente em respiradores com microprocessadores produzidos por estudantes e professores da Universidade de São Paulo. Esses cientistas inventaram, produziram e, hoje, já entregaram mais de 700 respiradores, que estão salvando vidas em todo o País a um custo baixíssimo. É possível? É. Mas precisa de investimento e de talentos.

Como classifica este momento de retomada atual?

É um momento de esperança, otimismo e também de muita responsabilidade. Estamos passando por esse modelo de retomada segura e tão importante quanto a gente avançar é garantir que esse avanço seja contínuo, vamos dar passos para frente, sempre com muita consciência. Temos grandes expectativas para o Grande ABC e quero agradecer toda a população da região por estar juntamente com os prefeitos, líderes de saúde, e todo o sistema do SUS (Sistema Único de Saúde) contribuindo, se vacinando e respeitando os protocolos. 



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