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Mais longevo da região, Corintinha celebra 109 anos

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Adversário do primeiro gol profissional de Pelé, Galo Preto da Vila Alzira festeja aniversário vivo e sem dívidas; presidente brada: ‘não está à venda’


Dérek Bittencourt
Do Diário do Grande ABC

15/08/2021 | 00:01


Fundado em 15 de agosto de 1912, o Corinthians de Santo André completa hoje 109 anos como o mais longevo em atividade no Grande ABC. E justamente o fato de seguir vivo é o principal motivo a celebrar mais um aniversário. Afinal, os últimos tempos foram de incerteza para o clube. Isso porque com a pandemia da Covid, as fontes de renda cessaram. Elas eram, respectivamente, aluguel das quadras, locação do salão social e mensalidade de associados. De repente, o Galo Preto viu a receita cair a zero. Inicialmente, com a perspectiva de que logo encontrariam solução para o novo coronavírus, a ideia era retomar gradualmente as atividades. Porém, com o agravamento da doença pelo País e a permanência do clube fechado por um ano e meio fez com que as dívidas se acumulassem.

O presidente José Orlando de Moura, o Jarrão, conta que fez de tudo para manter o pagamento dos funcionários em dia. Outros prestadores de serviço tiveram contratos suspensos com auxílio do governo. Porém, sem atividades durante 14 meses, por muito pouco o clube não faliu, admite o mandatário. “Foi difícil para o mundo todo, passamos muita dificuldade também, mas com muito trabalho e fé, o clube sobreviveu e está cada vez mais vivo. Tivemos que cortar na carne, nos desfizemos de parte útil do clube, mas o importante é que o Corinthians de Santo André segue vivo, na ativa. (leia mais ao lado)”, explica Jarrão, que viu os demais integrantes da diretoria e do conselho deliberativo virarem as costas, preocupados com os próprios negócios, e teve poucas mãos estendidas para manter o clube vivo. Resultado: foi hospitalizado e ficou três dias na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) após uma arritmia cardíaca.

“Quem assina e responde pelo clube sou eu, então acabou respingando na minha vida pessoal. Tive cartão bloqueado, CPF negativado, coisas que nunca tinham acontecido antes na minha vida. E isso mexe com a gente. É banco ligando, todo mundo se afastando e você se sentindo sozinho, então fiquei um período hospitalizado, mas agora estou firme e forte para seguir o trabalho, com toda a determinação que sempre tive”, exclama.

Adversário do primeiro gol profissional de Pelé pelo Santos, em 7 de setembro de 1956, no antigo Estádio Américo Guazelli, onde hoje é a sede social do clube, o Corinthians de Santo André não explora tal fato. “Enquanto existir o Corinthians vai existir essa história, porque é um marco para o clube e para a cidade, porque o jogador que se tornou o Rei do Futebol fez o primeiro gol aqui. Como explorar? Não sei. Vou conversar com pessoas ligadas ao esporte para fazer alguma coisa também mas a história ninguém apaga”, finaliza.

Comercialização de 8% da sede social salvou o clube

Quem passa pelos arredores do Corinthians, localizado no tradicional bairro da Vila Alzira, se depara com obras no terreno do clube. A área que abrigava a antiga quadra coberta, que tinha ao lado uma churrasqueira, banheiros e vestiários, foi a salvação do clube nestes tempos de pandemia. Isso porque este setor, que corresponde aproximadamente a 8% da área da sede social do Galo Preto, foi vendida. Assim, as telhas que cobriam a estrutura foram retiradas e colocadas em outras áreas da agremiação. Em breve, tudo será demolido e, nos bastidores, fala-se que serão construídas casas de alto padrão, bem de frente com o parque Ipiranguinha.

“Ficar um ano e cinco meses sem receita, gera dívida. Essa parte que nos desfizemos, salvou o clube e permitiu que fizéssemos algumas melhorias, mas com muito cuidado, porque ainda não voltamos 100%”, explica o presidente Jarrão. “Quando tira parte do patrimônio é perda, mas foi para a sobrevivência do clube, não por má administração. Tem pessoas maldosas que falam que estamos vendendo todo o clube, mas não tem nada disso.”

Em 2020, quando o Diário publicou a possibilidade de venda do espaço, especialista apontou que valesse R$ 2,8 milhões. O presidente Jarrão, entretanto, disse que o valor pago foi muito inferior, ainda mais em tempos de pandemia, mas preferiu manter em sigilo. 



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