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'Militar tem de ir ao quartel, exceto Jair Bolsonaro'

Claudinei Plaza/ DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Raphael Rocha
Do Diário do Grande ABC

09/08/2021 | 00:31


Douglas Garcia (PTB) se elegeu deputado estadual em 2018 na esteira do fenômeno Jair Bolsonaro (sem partido) e se mantém fiel ao presidente. Mas isso não o impede de falar o que pensa sobre o que acha errado no governo. Para ele, uma das falhas da gestão é amplificar a participação dos militares no Planalto, reduzindo a força conservadora na União. “ Eu, pessoalmente, não quero mais militar. De militar é só o presidente da República”, disparou o petebista, em entrevista exclusiva ao Diário. Douglas pede que Bolsonaro escolha um candidato conservador ao governo do Estado para não repetir o erro Russomanno e aposta na reeleição do presidente, mas em uma corrida acirrada.

As recentes pesquisas de intenções de voto apresentam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O grupo bolsonarista sustenta tese de que, assim como em 2018, as pesquisas estão erradas. O que o senhor analisa dos números?
Da mesma forma que em 2018, as pesquisas de intenções de voto estão completamente incorretas agora. Mas é verdade que, quando se torna chefe do Executivo, é muito mais difícil, mais complexo e complicado agradar toda a população. Você vira vidraça. Traz desgaste para a imagem de qualquer um. Seja prefeito, governador, presidente. As pessoas não entendem as competências municipais, estaduais e federal. Apesar de tudo isso, as pesquisas de intenções de voto são manipuladas para agradar a determinado candidato. Infelizmente há pesquisas que estão ligadas a veículos de comunicação, não digo todos, que abertamente declararam guerra ao presidente da República. Há, sim, possibilidade de estarem redondamente enganados com relação a isso. Acho que Bolsonaro vem em 2022 com chances altíssimas de ser reeleito presidente da República. Acredito e vou trabalhar nisso. Mas acredito que não será tão simples como foi em 2018. Em 2018 houve onda que não se repetirá tão facilmente. Diferentemente de (Fernando) Haddad (PT, presidenciável em 2018), o Lula tem mais popularidade, é mais conhecido e não é um poste. Ele mesmo tendo esse protagonismo representando a esquerda vai dar mais trabalho para os conservadores ocuparem esse espaço. Há a suspeita sobre a segurança nas urnas eletrônicas. Acreditamos que pode haver falha no sistema eleitoral brasileiro e, principalmente, em uma eleição disputadíssima.

O que muda na correlação de forças nacionais com a participação do Lula na eleição?
A gente sempre trabalhou para que os conservadores ocupassem o máximo espaço possível. Essa é nossa política, ocupar espaço. Nos conselhos regionais, municipais, estaduais, nas câmaras, assembleias, Congresso. Em tudo que for coletivo, a ocupação do espaço por parte dos conservadores nos garante mais poder e elege quem a gente quer. A pandemia deu uma facada nas nossas costas por causa disso. A esquerda está mais estruturada pelos anos que passou no poder. Os conservadores se estruturaram há pouco tempo. Não podemos ficar só nas redes sociais. Elas têm muita força e elegem, claro. Mas existe o Brasil real, que só é alcançado por meio de ações efetivas e necessárias se tiver estrutura bem feita entre associações, sindicatos.

Como o senhor vê a relação do presidente com o Centrão?
Acredito que o presidente deve fazer política até o limite que não impacte aquilo que ele defende. É muito possível fazer isso. A esquerda sempre fez isso, sempre compôs para obter seu objetivo. Nós, conservadores, precisamos fazer a mesma coisa. Infelizmente não temos o Congresso ou a Assembleia Legislativa tomados por conservadores. Precisamos compor. Essa composição não pode pisotear nossos valores, pautas e aquilo que defendemos, aquilo que a gente chegou para mudar o sistema. Não posso entregar o Ministério da Educação para uma pessoa que vá promover ideologia de gênero e doutrinação ideológica em troca de governabilidade. Isso é trair o próprio eleitorado. Isso o presidente nunca fez.

Bolsonaro acabou de dar posse ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), líder do Centrão na Casa Civil. Essa indicação ultrapassa esse limite entre a governabilidade e a pauta conservadora?
Não dá para confiar no Centrão, mas não temos a maioria conservadora no Congresso para apoiar as pautas que defendemos. Espero que o presidente da República tenha feito boa escolha, torço para que, em 2022, a gente mude a composição do Congresso para que escolhas como essas não venham acontecer porque no Centrão não dá para confiar. Vamos lutar para tentar apartar essas pessoas do cenário político nacional.

O PTB pode ter Bolsonaro como presidenciável?
O presidente nacional do PTB, o senhor Roberto Jefferson, sempre deixou à disposição e sempre manifestou interesse em ter no PTB o (candidato a) vice-presidente da República. Ele sempre quis lançar o vice-presidente na dobrada com Jair Bolsonaro. Se acaso o presidente não encontrar partido de seu interesse ou que atenda às suas expectativas para ser candidato, o PTB jamais vai fechar as portas. Quando alguns veículos de comunicação dizem que o Bolsonaro não tem partido, é mentira. O PTB nunca vai fechar as portas para o presidente da República.

Mas essa indicação de vice passa por atrair o general Hamilton Mourão (PRTB) ao PTB?
Não sei o pensamento do partido ou do presidente Roberto Jefferson. Mas eu, pessoalmente, não quero mais militar. De militar é só o presidente da República.

Por quê?
Não gosto deste excesso de positivismo, militarismo exacerbado que existe no governo federal. Acho que não representam os conservadores. Se você me perguntar se sou da ala olavista (em referência ao filósofo Olavo de Carvalho, considerado inicialmente guru de Bolsonaro), que foi detonada no governo federal, eu sou totalmente da ala olavista. Prefiro os conservadores no poder, não os militares. Eles têm pensamento técnico e ingênuo de achar que a esquerda é democrática. Eles se aproximam da esquerda, daquilo que não presta, de querer tratar as coisas na lei e ordem, como se não tivesse de modificar a lei antes. Não digo a maioria dos militares, digo o alto comando, que não vai pensar duas vezes em mandar o praça cumprir um decreto absurdo de impedir que a pessoa possa andar no parque e arraste essa pessoa para ser excomungada, ser destroçada só porque resolveu andar na rua sem máscara. Por isso que não acho muito bom o governo cheio de militar. Civis conservadores têm muito mais proximidade com a realidade do povão para poder ocupar os espaços.

Esse seria o principal ajuste a ser feito no governo?
Os militares precisam ficar no quartel, com exceção do presidente da República. O positivismo que trazem não é bom, não é pauta conservadora, não é algo que queremos como política de Estado. Queremos brigar contra ideologia de gênero, contra o aborto, contra a disseminação dessa ideologia nefasta chamada comunismo. Os militares não estão preocupados com isso. Estão preocupados em pregar a ideologia, a doutrina militar. Não quero isso. Quero que os conservadores ocupem esse espaço, que se mostraram mais corajosos em se posicionar e defender a Nação do que os milicos que estão aí.

O senhor é crítico do governador paulista João Doria (PSDB), que declaradamente quer ser presidenciável. O senhor acha que ele consegue se viabilizar na 3ª via?
Eu adoraria ver o governador João Doria ser candidato a presidente da República porque ele vai sentir na pele a ojeriza que os povos brasileiro e paulista sentem dele. O PSDB tem máquina gigantesca, mas não suficiente para eleger um presidente da República. O que ele pode talvez conseguir, se os conservadores não lançarem candidato forte desta vez, é sucessor no governo do Estado, que não vou falar o nome para não dar publicidade a ele (em referência ao vice-governador Rodrigo Garcia, PSDB). A máquina do PSDB elege governador, não presidente. A impopularidade do João Doria é gigantesca, ponto positivo para nós. Ele acredita que a retirada dos empregos é controle pandêmico. Fechar o comércio é sinônimo de controlar a pandemia para ele. É bom que pense isso porque vai ver a resposta do povo nas urnas. Eu vou estar lá para ver ao vivo e a cores a derrocada de João Doria. Ele não se elege nem para síndico de prédio.

Mas esse grupo conservador terá candidato? Muito se fala no nome do ministro Tarcisio de Freitas, de Infraestrutura.
O nome que mais circula entre os conservadores é o do Abraham Weintraub (ex-ministro da Educação). É lógico que o presidente da República sinalizou o Tarcisio, que é um nome que me agrada e muito. Eu acredito, entretanto, que o Abraham Weintraub conhece como o PSDB é maléfico ao Estado, sabe onde tem de ser batido, vai saber pontuar e tirar o poder do PSDB das instituições do Estado. Vai fazer no Palácio dos Bandeirantes o que o presidente da República tem feito. Se a caneta que assina no Palácio dos Bandeirantes um dia for para as mãos de um conservador, o Estado vai mudar de forma extraordinária. Vai sair das costas do empresário o excesso burocrático. O crime organizado estará em apuros porque finalmente a Polícia Militar e a Polícia Civil vão sair desse sistema fracassado de segurança preventiva e vão atrás do crime, vão subir na favela, onde tem de entrar para pegar bandido.

Mas não passou da hora de Bolsonaro indicar um nome?
A gente quer ter um nome para apoiar. Se nos 45 minutos do segundo tempo o presidente entra na jogada igual aconteceu na prefeitura de São Paulo... Infelizmente foi o Celso Russomanno (deputado federal pelo Republicanos e que terminou na quarta colocação). De repente ele decide apoiar o Paulo Skaf (MDB)? Será a pior, pior, pior decisão que pode acontecer para o governo do Estado. Porque o povo do Estado sente ojeriza do Paulo Skaf. Os conservadores pedirão desculpas ao presidente, mas não vão votar. Não se sentem representados pelo Paulo Skaf.

O senhor é a favor do fundo eleitoral de R$ 5,7 bilhões?
Defendo que vete o fundão bilionário. Mas, se não for vetado, sou a favor que os conservadores usem. Porque se não usar, quem vai usar? O PT, o Psol. Chega na eleição você tem petistas disputando com conservadores. O conservador não tem R$ 10 no bolso para fazer campanha, enquanto o petista tirou R$ 1 milhão do fundo. Quem tem mais chance de ser eleito? Não é briga justa, igualitária e de pé de igualdade. Que se elejam todos os deputados que são contra o fundão eleitoral por meio desse recurso e que, quando estiverem lá, fechem esse negócio, fechem a torneia, destruam isso. Quando deixar de existir, a guerra fica com paridade de armas. Enquanto existe, fica injusto. 

RAIO-X

Nome: Douglas Garcia Bispo dos Santos

Estado civil: solteiro

Idade: 27 anos

Local de nascimento: São Paulo

Formação: ensino médio

Hobby: Muay thai, natação e musculação

Local predileto: não citou

Livro que recomenda: O Mínimo que Você Precisa Saber para Não Ser Idiota, de Olavo de Carvalho

Artista que marcou sua vida: Matthew Broderick

Profissão: deputado estadual

Onde trabalha: Assembleia Legislativa



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