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São Bernardo dá 30 dias para moradores deixarem casas no Areião

André Henriques Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Munícipes alegam que mesmo tendo sido cadastrados pela Prefeitura, não vão receber auxílio aluguel ou nova unidade habitacional


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

05/08/2021 | 17:03


Moradores do bairro Vila Sabesp, no Areião, em São Bernardo, foram informados esta semana de que têm 30 dias para deixar suas casas. Famílias que moram no local há mais de 30 anos devem sair e deixar para trás a história de uma vida toda. A região passa por processo de urbanização, mas os moradores afirmam que a administração do prefeito Orlando Morando (PSDB) não tem dialogado com as pessoas. Moradores relatam que foram cadastrados pela área de assistência social da Prefeitura com promessa de atendimento habitacional, mas que agora foram informados que não vão receber auxílio aluguel nem uma nova moradia.

Um dos casos é do metalúrgico André Ramos Purificação, 30 anos. O rapaz mora com a mulher no terreno que era do pai. A família está no mesmo endereço há 32 anos e agora receberam a notificação dando 30 dias para que saiam de lá. “Vou começar a procurar uma casa para alugar, mas meus pais são aposentados, eles não têm condições de pagar um aluguel”, afirmou.

O ajudante de pedreiro Fábio Mendes de Sousa, 26, afirmou que há cerca de seis meses funcionários da Prefeitura estiveram no local para fazer cadastro social e prometeram que quando sua família precisasse deixar a residência que foi construída no terreno de um parente, eles seriam incluídos no auxílio aluguel para, futuramente, terem direito a uma unidade habitacional. “Agora disseram que a gente não vai receber nada”, reclamou. “Tem pessoas que moram aqui há menos tempo que eu e vão receber, então, parece que isso está sendo escolhido”, declarou.

A diarista Leila Virginia Laurentino da Silva, 32, também está na mesma situação. Morando no local há menos de seis meses, ela foi cadastrada, mas não terá direito ao bolsa aluguel ou à nova moradia. “Não tenho para onde ir com as minhas duas filhas”, lamentou. A moradora tem uma filha de 14 anos e outra de 1 ano e 6 meses.

Líder comunitário na região, Leovalmir Moraes Rodrigues, 42, afirmou que falta diálogo da Prefeitura com os moradores. “A gente quer que alguém da Prefeitura venha aqui para explicar o que aconteceu, porque as pessoas vão ficar sem nada. Vieram aqui, deixaram um papel informando que as pessoas tinham que sair em 30 dias e pronto”, protestou.

Morador do bairro vizinho, a Vila dos Estudantes, Wiltons Lima da Cruz, 26, afirma que toda essa situação com os moradores da Vila Sabesp tem preocupado sua família e os vizinhos, que temem também ficar sem o que foi prometido há anos, quando as famílias foram cadastradas. “O que nos prometeram foi um apartamento, mas estamos vendo que muitas pessoas vão ficar sem nada”, afirmou.

Em nota, a Prefeitura de São Bernardo informou que está em andamento a construção de um sistema viário que irá beneficiar os moradores do bairro Areião, com oferta de rota alternativa à Rodovia Anchieta e interligação ao Jardim Silvina, já que, atualmente, esses munícipes contam com acessos precários, ligados diretamente à rodovia. Segundo a administração, no Núcleo Habitacional Monte Sião foram identificadas 249 famílias, sendo que 150 delas se encontram em frente de obras do sistema viário, com a necessidade de remoção e futura realocação ou reassentamento.

Ainda de acordo com a Prefeitura, todas as famílias localizadas em frente de obras, atendendo aos critérios do programa habitacional do projeto, têm por garantia o seu direito à moradia definitiva. E enquadrando-se no Art. 2º da Lei nº 5617/2006, serão inseridas no Programa Renda Abrigo até atendimento habitacional definitivo. Segundo o artigo citado, é preciso morar na cidade há pelo menos dois anos, no local há pelo menos um ano e não ter renda familiar superior a três salários mínimos. O auxílio aluguel é de R$ 315 ao mês, valor que segundo as famílias é insuficiente para alugar um imóvel.
 



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