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Turismo: deveríamos ser Jetson, porém ainda estamos Flintstones


Rodermil Pizzo

03/08/2021 | 07:03


Há anos discursamos sobre o turismo ter o poder de mola propulsora da economia.

Estávamos certeiros de que as companhias aéreas lançariam os tão sonhados voos ultrassônicos, equipamentos modernos com tetos panorâmicos, poltronas confortáveis e serviços de qualidade a bordo. Porém, o que vemos? O contrafluxo. Encontramos em 2021 poltronas apertadas, voos atrasados, serviço de bordo inexistente e aeronaves idênticas às de décadas passadas. As empresas aéreas deram passos largos (para trás), uma vez que já possuímos, em tempos anteriores, Varig e Transbrasil com serviço de bordo requintado, conforto total, qualidade e gentilezas extremas, tanto no embarque quanto no voo. E os espaços dos assentos? Bem maiores!

Curiosamente o transporte rodoviário -- ônibus de turismo --, que parecia condenado à morte e ao cemitério de sucatas, ressurge com tecnologia de wi-fi, poltronas ultramodernas e confortáveis e tecnologia de segurança no percurso. Quem sabe, para sorte dos turistas, a Itapemirim, com tanta experiência em viagens rodoviárias não aplicará alguns conhecimentos e dar um upgrade no segmento aéreo.

Na hotelaria, arquitetos e engenheiros convencem os investidores de que os empreendimentos de hospedagem são definidos pelo tamanho da piscina, sem perceber que muitos de nós, brasileiros, moramos em condomínios com piscinas, algumas maiores que as de muitos hotéis. Parafraseando os Titãs: “A gente não quer só piscina, a gente quer cama, TV, chuveiro e serviços de qualidade." Em tempo: hoteleiros, lotar o buffet não nos impressiona, não somos glutões, não nos hospedamos para matar a fome; queremos apenas qualidade e não quantidade.

Os receptivos sempre tão nobres no salvamento de clientes nos destinos estão sendo engolidos pelos transferes e passeios de carros aplicativos. Nada contra. Porém, nunca os motoristas de carros particulares farão o trabalho digníssimo e cuidadoso de um guia experiente, que muitas vezes conseguem salvar a viagem perdida do turista, ofertando passeios agradáveis, troca de apartamentos em hotéis, apresentando o lado bom do que parecia ruim. A contra evolução pegou em cheio nos receptivos.

As agências de viagens são um caso separado. O problema maior está mesmo nos recursos humanos, estes existentes em grande quantidade para atender a demanda do turismo. O problema é que mão de obra vale unicamente pelo trabalho braçal e necessitamos mesmo é de talentos. Recursos humanos são Flinstones; talentos humanos são os Jetsons.

Tanto sonhamos em fuTURISMO nos anos 2000 e ainda estamos nas cavernas, batendo pedras para fazer fogo. E, o pior, com a devassa da economia global pelo coronavírus retrocedemos dez anos e corremos sério risco de entrarmos na era glacial deste segmento.

Rodermil Pizzo tem 36 anos de atividades no turismo. É jornalista, empresário, professor universitário e mestre em hospitalidade. Esta coluna é atualizada todas as terças-feiras. E-mail: rodermil@dgabc.com.br 



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