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Ibovespa cai 3,08%, a 121,8 mil ptos, maior queda desde março



30/07/2021 | 17:53


Apesar do frio em São Paulo, o Ibovespa derreteu à tarde, bem além das perdas observadas na Ásia como na Europa e nos Estados Unidos, refletindo não só a aversão a risco no exterior, mas também a retomada de temores domésticos sobre a situação fiscal e o cenário político, com o retorno do Judiciário e do Legislativo aos trabalhos nesta passagem de julho para agosto, na próxima semana. Hoje, o índice de referência da B3 cedeu 3,08%, aos 121.800,79, o menor nível de encerramento desde 13 de maio, então aos 120.705,91 pontos. No intradia, aos 121.748,18 pontos, foi nesta sexta-feira ao menor patamar desde 19 daquele mesmo mês (121.595,27). O giro de hoje foi de R$ 38,6 bilhões.

Na semana, o Ibovespa emendou a segunda perda, agora de 2,60%, após recuo de 0,72% acumulado na anterior. Em julho, mês no qual registrou ganho em apenas uma semana completa, o índice cedeu 3,94% - a segunda maior perda do ano, superada pela de 4,37% em fevereiro. Em porcentual, o recuo desta sexta-feira foi o maior desde 8 de março, ocasião em que o Ibovespa havia caído 3,98%, com o retorno do ex-presidente Lula ao jogo político após anulação de condenações decidida pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF). No ano, o índice limita agora a alta a 2,34%.

Após ter renovado máxima histórica em 7 de junho, na casa de 131 mil pontos, emendando ganhos entre março e aquele mês, o Ibovespa passou a enfrentar ventos adversos. Os fatores de incerteza se mostraram variados: de crise hidrológica, e ruídos que acentuam a perspectiva de medidas populistas na trilha para 2022, a preocupações com inflação, aqui e nos Estados Unidos, e o fantasma de possíveis efeitos da variante Delta do coronavírus sobre a recuperação econômica global. Por último, a ofensiva de controle ensaiada na China sobre empresas listadas fora do país contribuiu para acender nova luz amarela.

Neste contexto avesso a risco, os investidores optam por colocar mais algum dinheiro no bolso, em um fim de mês no qual as saídas de recursos estrangeiros de ações na B3 chegam a R$ 7 bilhões, conforme a mais recente leitura, até do dia 28. Em dólar, o Ibovespa fechou julho a 23.378,71 pontos, vindo de 25.496,99 pontos no encerramento de junho, após ter chegado a superar a marca de 26 mil no início do mês passado, quando, na nova máxima histórica intradia, a 131.190,30 pontos em 7 de junho, e com dólar a R$ 5,0324 no mesmo dia, foi a 26.069,14 pontos, superando com folga as marcas observadas em maio. Na máxima de hoje, o dólar à vista foi negociado a R$ 5,2139, fechando o dia em alta de 2,57%, a R$ 5,2099.

"Não houve um 'trigger' específico para a acentuação de perdas vista hoje à tarde no Ibovespa, mas, sim, uma percepção de risco do exterior, sobre a intervenção do governo da China em empresas de educação - os índices de ações por lá caíram 10% na semana - e, aqui, uma atenção maior ao que a presença do Centrão no governo resultará em termos de gastos, no momento em que se começa a costura política para 2022", diz Mauro Orefice, diretor de investimentos da BS2 Asset.

Em fechamento de mês, a cautela derivou também da expectativa para a decisão do Copom na próxima semana, com o mercado atento ao ritmo de elevação da Selic até o fim do ano em um contexto de inflação ainda pressionada, além das dúvidas sobre a futura dimensão do Bolsa Família, em beneficiários como em valor: uma combinação que recoloca o fiscal no radar, especialmente o teto de gastos.

"O sentimento de cautela no mercado local foi acentuado pelo agravamento dos ruídos políticos, além das pressões inflacionárias e do risco de rompimento do teto de gastos. Ainda que a forte arrecadação tenha aliviado a preocupação com a situação fiscal no curto prazo, essa melhora é temporária. O dia foi de correção bem forte no Ibovespa", diz Romero Oliveira, head de renda variável da Valor Investimentos.

Assim, após ter saído do último fechamento de junho aos 126,8 mil pontos, os investidores acabaram aproveitando a temporada positiva de balanços de empresas como Vale (ON -5,89%, na mínima do dia no fechamento, a R$ 108,76), Ambev (ON -2,86%) e Usiminas (PNA -1,30%) para uma realização de lucros no "fato", sobre resultados que, em geral, têm correspondido ou até surpreendido favoravelmente. Dessa forma, apenas três ações do Ibovespa escaparam da correção distribuída por empresas e setores nesta sexta-feira: Telefônica Brasil (+0,39%), JBS (+0,34%) e Cielo (+0,30%).

Na ponta negativa do índice de referência, Localiza (-7,36%), Banco Inter (-5,99%) e Vale (-5,89%). Entre os grandes bancos, segmento de maior peso no Ibovespa, as perdas desta sexta-feira ficaram entre 1,08% (Itaú PN) e 2,50% (Bradesco ON). Petrobras PN e ON fecharam o dia respectivamente em queda de 3,24% e 2,59%.



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