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Preços externos na inflação do País


Sandro Renato Maskio

26/07/2021 | 00:01


É costumeiro dizer aos estudantes de economia, frente ao desafio de entender sua estrutura e seu comportamento, que o Brasil é para profissionais, e não para amadores. O atual contexto nos ajuda a explicar o porquê desta frase.

A economia brasileira apresentou uma retração de 4,1% no ano passado. Nos 12 meses encerrados em março, a retração acumulada é de 3,8%. O relatório Focus do Banco Central, que traz a avaliação dos agentes que atuam no mercado, apontou na última semana uma expectativa de crescimento de 5,2%. Em se confirmando este prognóstico, no biênio 2020/2021 a economia brasileira se mostrará praticamente estagnada, que significa um crescimento próximo a zero no período.

Retrato desta condição é visualizado no mercado de trabalho, que registra mais de 14% da força de trabalho desempregada no País, e quase 30% da força de trabalho desempregada ou subutilizada. A queda na massa de renda do trabalho, segundo a pesquisa Pnad do IBGE, caiu mais de 8% em termos reais no período desde o começo de 2020.

Ainda assim, com mais de 60 milhões de endividados no Brasil, que ajudam a reprimir o fluxo comercial e consecutivamente a retomada da atividade econômica, a inflação oficial medida pelo IPCA (IBGE) registra alta acumulada de 8,3% nos 12 meses encerrados em junho. O IGPM (FGV) registrou variação de 34,5% no mesmo período, assuntado a todos com contratos indexados a este índice de inflação, como os locatários de imóveis. O INCC-DI (FGV), que apura variação de preços e custos específicos da construção civil, registrou alta de 17,3% no mesmo intervalo.

Será que frente ao atual contexto de baixo ritmo de atividade econômica, apesar da lenta retomada, elevado desemprego e forte endividamento das famílias, tem ocorrido pressões internas que justificam a elevação da inflação, como apontado nos indicadores acima?

A resposta é ‘não’.

A principal pressa sobre os preços tem vindo do mercado internacional. Especialmente em razão do aumento de preços das commodities de metal, agrícolas e de alguns insumos manufaturados de larga utilização. Isso explica, por exemplo, os indicadores IGP-M e IGP-DI registrarem mais de 30% de variação em 12 meses. Apenas para citar alguns exemplos de variação de preços no mercado internacional no ano, o petróleo bruto aumentou 48%; a nafta, 55%; o aço e o minério de ferro, cerca de 32%. Com relação às commodities do setor agropecuário, a carne bovina aumentou 15%; carne suína, 52%; o algodão, 14%; o açúcar, 16%; o milho, 12%, entre outros.

Este movimento tem ocorrido, em grande parte, para diferença no ritmo de retomada das economias ao redor do mundo. Os países como Estados Unidos, União Europeia e China, importadores de insumos de produção, matérias-primas e commodities, estão retomando sua atividade após o impacto provocado pela pandemia. Este movimento tem resultado em um descompasso entre a elevação da demanda no mercado externo por estes itens, ao mesmo tempo em que os países emergentes, principais exportadores dos mesmos, têm se mostrado incapazes de gerar a oferta necessária, dado o ritmo mais lento de recuperação das respectivas economias. O que tem pressionado fortemente o preço no mercado internacional.

Não bastasse este fenômeno, com o real desvalorizado em relação ao dólar, para os produtores locais tem se mostrado mais rentável vender para o mercado externo que no mercado interno, o que induz a retrações de oferta em alguns segmentos. Do outro lado, setores que precisam importar insumos se deparam com custos elevados, em grande parte provocada pela posição da taxa de câmbio.

Soma-se a estes os fatores internos, especialmente no setor de energia elétrica, que deve retardar o ritmo de retomada da economia brasileira, pela iminente crise de oferta no setor, e os efeitos desta sobre os preços, tanto aos consumidores residenciais como aos consumidores dos setores produtivos.

O resultado desta combinação tem se mostrado nos elevados índices de inflação, apontados anteriormente, mesmo estando a economia brasileira desaquecida e registrando queda na massa de renda circulante.

O IPP (Índice de Preços ao Produtor) apurado pelo IBGE acumula alta de 35,86% nos últimos 12 meses. Infelizmente, a variação de preços ao setor produtivo, provocado pela variação de custos de produção, antecipa inflação ao consumidor nos meses seguintes. O que nos induz a apontar que a pressão de alta dos preços ao consumidor deverá continuar se elevando nos meses seguintes.  



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