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Jogadores erram e torcedores também


Dérek Bittencourt
Do Diário do Grande ABC

22/06/2021 | 00:01


No intervalo de cinco dias, a história se repetiu no atual campeão da América e da Copa do Brasil: um jogador é visto desrespeitando os protocolos sanitários, a torcida uniformizada é acionada e pessoas que se autoproclamam justiceiras se dirigem até o local para cobrar, na base da ameaça, com palavras de ordem. Foi assim com Lucas Lima, na madrugada de quinta para sexta-feira, e aconteceu novamente na noite de anteontem, com Patrick de Paula. No meu modo de ver, tanto os atletas quanto os ditos torcedores, mesmo tendo seus motivos, estão errados. Se de um lado os esportistas não devem estar na festa clandestina em plena pandemia, de outro lado, pelo mesmo motivo, os organizados – quase todos sem máscara ou com o equipamento de proteção fora do local correto – também deveriam estar em casa evitando a aglomeração que acaba sendo gerada no momento de tirar satisfação dos jogadores.

Compreendo as vontades de Lucas Lima e Patrick de Paula em sair para jantar, afinal, passam a maior parte do tempo concentrados junto aos colegas de clube. Porém, para tudo tem hora. E escolher justamente os dias que precederam ou sucederam o alcance da marca de 500 mil mortos pela Covid-19 no Brasil, sem dúvida não era o momento certo. Entendo também que os torcedores se revoltem em ver os atletas correndo risco de contrair o vírus e levar para os colegas de Palmeiras. Aliás, na semana passada o Alviverde chorou as mortes de dois funcionários – um segurança e um podólogo – justamente em decorrência do maldito vírus. Enxergo também que aumenta ainda mais a ira da torcida o fato de ouvirem durante todos os dias que devem permanecer em casa, sob cuidados, e verem alguém que serve como espelho e exemplo em alguma festa, balada ou restaurante. Mas não justifica ofender e agredir.

Vale ressaltar que Lucas Lima e Patrick de Paula fizeram parte da delegação do Palmeiras que foi a Assunção, no Paraguai, na semana passada, receber a primeira dose da vacina contra a Covid, uma cortesia da Conmebol. Ainda assim, a dupla não está completamente imunizada, muito menos livre de ser contaminada pela doença, podendo transmiti-la para familiares, funcionários do Verdão e outras pessoas. Como punição, ambos foram multados em 40% dos salários e afastados por tempo indeterminado do elenco alviverde. Mas mais do que esse tipo de castigo, pela reincidência em tão pouco tempo, é necessário que o clube faça algum outro tipo de intervenção, com auxílio de psicólogos e demais profissionais. Juro que não consigo entender como é que as perdas de pessoas dentro do próprio dia a dia alviverde – e tenho certeza que, infelizmente, pessoas próximas ou do convívio da dupla também tenham perdido a luta para o novo coronavírus – já não sejam suficientes para que os atletas pensem duas vezes antes de sair de casa. Como a própria nota publicada pela agremiação ontem, é lamentável que “casos de falta de empatia e de responsabilidade ainda ocorram em um momento tão difícil para a sociedade. São atitudes inadmissíveis e que receberão o devido tratamento”.

Ah, e mesmo atos que não envolvem jogadores também têm de ser repreendidos. Afinal, basta ver as imagens da aglomeração causada pela manifestação de torcedores corintianos contra a diretoria, no sábado, para ter outro exemplo do que poderia (e deveria) ser evitado. Quase um ano e meio e 500 mil mortes depois, ainda é preciso bater sobre a tecla da empatia, do pensamento no próximo, da responsabilidade sobre si e o próximo, de usar máscara, de evitar aglomeração. Triste.

FALTA DO QUE FAZER
Quem também foi punido neste fim de semana que passou foi o atacante Jô. E o motivo é absurdo (para dizer o mínimo): ele jogou contra o Bahia, domingo, no Estádio de Pituaçu, em Salvador, utilizando chuteiras verdes. Ora, Corinthians, faça o favor. Vocês têm problemas muito maiores para resolver (financeiros e técnicos, principalmente) antes de se preocupar com a cor do calçado de seu jogador. Em sua defesa, o atleta – cria do próprio clube, diga-se de passagem – afirmou que o par utilizado em solo baiano era azul turquesa, mas decretou que não mais fará uso. Convenhamos que tal punição beira o inacreditável. A rivalidade alvinegra com o Palmeiras não deve chegar a tal nível, penso eu – ao contrário do que defende, por exemplo, o comentarista esportivo corintiano Mano, do Estádio 97 e do Arena SBT, que bradou nas redes sociais ser um absurdo utilizar um item com a cor em alusão ao maior rival. Infelizmente, situações como estas são vistas em todos os Estados, vide Grêmio e Inter no Rio Grande do Sul – a ponto de a Coca-Cola ter de fabricar latas azuis para poder vender dentro do estádio gremista –, Atlético-MG e Cruzeiro em Minas Gerais etc. É por estas e outras situações que parecemos estar retrocedendo ao invés de evoluir como cidadãos.

COM SEGURANÇA
O Clube Atlético Aramaçan recebe até domingo 10.387 associados que formam o colégio eleitoral para eleição de 100 associados que deverão integrar o próximo conselho deliberativo, no período 6/8/2021 e 5/8/2024. Foram instaladas urnas eletrônicas no salão nobre, atendendo todos os protocolos e as medidas de segurança sanitária para evitar qualquer tipo de problema relativo à Covid-19. 



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