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Furto não abala professor de Mauá

Celso Luiz/ DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Fábio Evaristo teve carro e aparelhos levados, mas se desdobra para manter ensino do taekwondo


Dérek Bittencourt
Do Diário do Grande ABC

20/06/2021 | 00:18


Atleta profissional de taekwondo de Mauá e professor da arte marcial sul-coreana para jovens de 6 a 17 anos – majoritariamente de baixa renda – em projeto social criado por ele mesmo, Fábio Evaristo vem enfrentando mais dificuldades do que as habituais para dar sequência às atividades desde que seu carro foi furtado, há duas semanas. Além de ser o meio de transporte da família, o mestre ainda utilizava o veículo para buscar e levar alunos para os treinamentos. E não bastasse o furto, dentro do automóvel ainda estavam diversos equipamentos utilizados para ensinar e proteger os aprendizes, como raquetes, aparadores de chutes, caneleiras e protetores de antebraço, que acabaram indo junto e aumentando o prejuízo.

Sem o carro, o professor diz caminhar entre 20 e 30 quilômetros para conseguir dar conta das aulas tanto em seu projeto (Fábio Evaristo Team) quanto em academias, nas quais também ensina adultos, somando quatro locais onde prega os cinco princípios do taekwondo: cortesia, integridade, perseverança, autocontrole e espírito indomável – os quais teve de recorrer quando acordou na madrugada, olhou pela janela e não viu seu automóvel estacionado.

“Parecia que estava em um pesadelo, que havia tomado um banho de água gelada, porque, de repente, aconteceu uma coisa dessa. Mas sou da luta e isso daí é (como) uma forma de superação, de passar por mais um obstáculo e ver que tudo é permissão de Deus. E vamos para luta, não podemos desistir. Cada um tem o seu legado, sua importância”, afirma o professor.

No total, Fábio diz ter aproximadamente 55 alunos (alguns que estão com ele há sete anos), para quem vem se desdobrando para se manter firme, continuar passando adiante seu conhecimento, independentemente das adversidades, e confiante em conseguir novamente um veículo. “É (preciso) ter fé, né? Muita gente hoje em dia perdeu a fé em muita coisa, mas creio que isso (ser professor) dá um combustível. A gasolina para a gente não desanimar”, afirmou o mauaense, que desempenha a função desde 2013.

Depois do furto, Fábio vem contando com a ajuda de comerciantes e amigos para conseguir manter o projeto, mas tem ainda outros planos. “Gostaria muito de fazer uma vaquinha on-line, ou alguma coisa de gênero, para levantar o valor do carro (cerca de R$ 6.000) e comprar alguns equipamentos. E depois ver se consigo me reerguer de novo, porque a gente já está numa situação difícil por causa da pandemia, e agora que estavam entrando alunos novos, ficou muito difícil sem o carro.” 

Secretário projeta possível parceria

O secretário de Esportes e Lazer de Mauá, José Luis Ferrarezi, soube pelo Diário do que havia ocorrido com Fábio Evaristo e convidou o atleta e professor para uma conversa amanhã. A ideia é tentar ajudar o mestre ou seu projeto (que atualmente não conta com apoio nem está vinculado à Prefeitura) de alguma forma. Ambos, inclusive, poderão se encontrar ainda hoje, em workshop de kickboxing no CT Dragões do ABC (do professor Cosmo William Pereira, o Toty), e ainda têm encontro marcado no exame de graduação no Fábio Evaristo Team, dia 27.

“Lamento profundamente o que aconteceu. Infelizmente isso faz parte de tragédia social que o País vem enfrentando. Mesmo quem está querendo fazer o bem sofre com isso. Mas vamos ter uma conversa, abrir um diálogo e ver de que forma podemos ser parceiros. Através disso podemos contribuir de alguma forma”, afirmou o secretário. “Vamos pensar projetos futuros. Está caminhando. Por vias tortas (história do furto do veículo) vou conhecê-lo, mas espero que dê certo”, emendou Ferrarezi.

TRAJETÓRIA
Antes de se tornar professor, Fábio Evaristo viajou o mundo como atleta do taekwondo – inclusive chegou a ser treinado pelo atual técnico da Seleção e de São Caetano, Reginaldo dos Santos. Ele ainda disputa competições, mas há alguns anos visitou países como Holanda, Alemanha, Espanha e Paraguai. Foi bicampeão brasileiro, tricampeão paulista. “Minha carreira sempre me proporcionou algo surreal”, confessou ele. “De lá (do início como atleta) para cá, venho adquirindo conhecimentos para poder passar esse legado para alguém. O taekwondo lhe dá amigos, ensina alguns e deveres que devemos seguir para que possamos ter uma vida uma vida melhor, ensina a ter boa conduta, disciplina e respeitar o próximo.”



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