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Vamos falar de gente


Carlos Brickmann

16/06/2021 | 00:04


O ídiche, língua derivada do alemão falada pelos judeus da Europa Central e Oriental, tem uma palavra difícil de traduzir: mensch. Literalmente, significa gente. Mas o significado é algo como “gente boa”, “gente como todos deveriam ser”.

Pois, lamentavelmente, com a morte de Marco Maciel, o Brasil perdeu um mensch. Marco Maciel foi um trabalhador compulsivo, das sete da manhã às três da madrugada, todos os dias. Estudava cada problema a enfrentar, em companhia de assessores da mesma estirpe. Era leal. Pertenceu à Arena, o partido que apoiava o regime militar, e ao PFL, que ainda hoje anda por aí, com o nome de DEM.

Ninguém é perfeito. Mas jamais participou de forma alguma das barbaridades da ditadura. Deputado estadual, deputado federal, senador, governador, ministro, vice-presidente da República, jamais sofreu qualquer acusação: um homem limpo. E, sem dúvida, leal.

Conheci Maciel por meio de um de seus principais assessores, um mensch como ele, uma pessoa notável: o paulista Cláudio Lembo. Foi quem me disse para jamais aceitar convite de Maciel para almoçar: ele, apelidado de Mapa do Chile (basta ver sua foto de corpo inteiro para entender), costumava propor, para poupar tempo, trocar o almoço por um sorvete – um picolé. Mal comia: café preto por volta das seis da manhã, orações (católico praticante), o picolé de almoço, uma sopinha por volta de duas da manhã, acordar às seis. O resto do dia, trabalhar. Marco Maciel foi-se no domingo. Todos perdemos.

Longa duração
As vacinas da Janssen chegariam no finzinho do prazo de validade. Atrasaram. Mas a Anvisa e a FDA americana prorrogaram a validade e elas chegarão em condições legais de uso. Sem problemas: foram testadas quando completaram 30 dias, estavam em ordem, e este prazo (provisório) foi o adotado. Repetiu-se o teste aos quatro meses e meio, e a vacina continuava boa. Este é o atual prazo. Mas a pergunta é outra: por que tanta demora na encomenda, exigindo nova data de validade? Talvez porque, como no caso da vacina da Pfizer, o governo estivesse tão ocupado em importar matérias-primas da cloroquina que não lhe restasse tempo para cuidar de vacinas?

Brincando com os números
As primeiras informações difundidas por fontes bolsonarianas falavam em pouco mais de 1 milhão e 300 mil motocicletas no comício pré-eleitoral realizado em São Paulo. Depois caíram para 700 mil. Criaram também 700 toneladas de gêneros não perecíveis doados por motoqueiros – e cadê essas toneladas todas, que não houve fotos? Grupos que fotografam até aniversário de boneca deixariam de fotografar algo que ocuparia umas quinze carretas?

Mas isso não tem importância: o fato é que é campanha eleitoral antecipada, com dinheiro federal e o uso de equipamentos e funcionários do Estado e da Prefeitura. Que é que o TSE vai achar?

Que é que houve?
Paulo Marinho, suplente do senador Flávio Bolsonaro, teve importante contribuição para a vitória do atual presidente. Foi em sua casa, no Rio, que se instalou o QG de comunicação da campanha, liderado por Carluxo, filho ‘02’. Ao verificar que, depois de eleito, Bolsonaro o ignorou, Paulo Marinho foi para o PSDB e fez denúncias contra o presidente e o filho senador. Mas alguma coisa mudou: Marinho, presidente do PSDB no Rio, foi embora do partido, sem se despedir, e mandou um auxiliar buscar suas coisas na sede. Terá sido ciúme do crescimento no partido do prefeito Eduardo Paes?

O rastro do dinheiro – 1
Num livro de 1854, Les Mohicans de Paris, Alexandre Dumas (pai) dizia que em todos os problemas havia uma mulher envolvida. A frase virou um clichê da literatura policial: Cherchez la Femme, procurem a mulher. Mas o grande informante dos repórteres do caso Watergate, Garganta Profunda, modificou a frase: “Sigam o dinheiro”. Os repórteres Carl Bernstein e Bob Woodward seguiram o rastro do dinheiro e acabaram levando o presidente Richard Nixon à renúncia (se não renunciasse, sofreria impeachment). Agora a CPI da Covid está seguindo um caminho parecido: buscando as relações do presidente Bolsonaro com empresas produtoras de cloroquina. Já se sabe, com base em documentos oficiais do Itamaraty, que o presidente telefonou para o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, pedindo-lhe que ajudasse a acelerar o fornecimento de matéria-prima para a produção de cloroquina, e citando o nome de duas empresas privadas brasileiras: a Apsen e a EMS.

O rastro do dinheiro – 2
Isso mostraria a ferrenha crença do presidente nas virtudes da cloroquina, pela qual chegou a atuar como garoto-propaganda, tentando até oferecê-la para uma das emas do Palácio. Mas há mais: a documentação do Itamaraty mostra que qualquer mensagem que se referisse a cloroquina foi sempre respondida no mesmo dia, às vezes em 15 minutos; já a oferta de vacinas da Pfizer ficou na gaveta, e só mereceu resposta (negativa) dois meses depois.  



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