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Quem te viu, quem te vê, amarelinha


Dérek Bittencourt

08/06/2021 | 00:01


Que baita confusão foi criada em volta e dentro da Seleção Brasileira. Não bastasse toda a perda de carisma e interesse de parte da torcida, a amarelinha – que de 2018 para cá se tornou símbolo político – ainda se vê no centro de diversas polêmicas em razão dos casos de assédios moral e sexual do presidente afastado da CBF, Rogério Caboclo; do descontentamento dos jogadores ao saberem pela imprensa que a Copa América seria transferida para o País mesmo em meio à pandemia, após Colômbia e Argentina abrirem mão; da falta de um posicionamento mais concreto dos enigmáticos atletas sobre a participação ou não na própria Copa América; das incertezas sobre a permanência do técnico Tite à frente do selecionado – inclusive com um substituto bem encaminhado; e até mesmo dos infundados pitacos do governo do presidente Jair Bolsonaro. Enfim, de repente o ambiente da esquadra pentacampeã do mundo está de ponta-cabeça. Apesar de todos os brasileiros voltarem a falar da Seleção, não é exatamente da forma como gostariam.

Ontem saiu a notícia de que os jogadores – liderador por Neymar – consideraram disputar a Copa América. Nas redes sociais, enxurrada de críticas, favoráveis ou contrárias, à decisão. De um lado, aqueles que exigem coragem dos atletas, para que coloquem a boca no trombone e defendam seus pensamentos, seus ideais, seus pontos de vista e, sobretudo, as milhares de vidas perdidas diariamente para a Covid-19 pelo Brasil. Estes mesmos ainda pedem o boicote à competição. Do outro lado, porém, estão aqueles que apontam como hipócrita esse discurso de sabotagem ao torneio continental, sob argumento de que não houve o mesmo movimento para a paralisação ou pelo adiamento dos campeonatos estaduais e nacionais, e até mesmo os jogos das Eliminatórias para a Copa do Mundo do Catar – inclusive a Seleção entra em campo hoje para enfrentar o Paraguai. Estas pessoas também apontam que as delegações que disputarão a Copa América estarão vacinadas, que há testagem constante dos participantes, bolha de isolamento e outros argumentos – bastante pertinentes, admito.

Serei bem franco quanto ao que penso. Primeiramente, que Neymar e companhia deveriam servir como exemplos, dar a cara a tapa e se posicionar. Favoráveis ou contrários, isso fica a critério de cada um deles, mas é necessário que tenham algum tipo de opinião. Afinal, são representantes da Pátria, que defendem o País. As ações extracampo do atacante do PSG em seu instituto mostram o quanto ele tem demonstrado sensibilidade e profissionalismo em manter o pagamento dos 142 funcionários. Louvável. Mas ter voz ativa é mais do que necessário. O maior jogador de todos os tempos, Pelé, por exemplo, preferia ficar de lado quando o assunto era polêmico e, principalmente, político (e isso fica evidente na série lançada recentemente sobre ele na Netflix). Acho que foi uma falha do Rei em seus tempos de jogador, como o maior ícone e formador de opinião de sua época, papel que hoje é, entre outros ídolos nacionais, de Neymar. O máximo que os jogadores da atual Seleção fizeram foi um manifesto mostrando serem contrários ao torneio, mas que, ainda assim, estarão em campo, postura esta que demonstra uma gigantesca falta de nexo, por mais complexo que seja o enredo e tudo aquilo que está envolvido (esportiva, comercial e financeiramente, inclusive).

Já com relação à Copa América, sou do time que defende seu cancelamento, sobretudo porque é uma competição sem pretensões aos participantes, a não ser na parte financeira. Será que com tanta pressão popular os jogadores estarão confortáveis em disputar a competição? E as condições físicas, como estarão? A Argentina, por exemplo, optou por se deslocar diretamente de Buenos Aires até o local de cada compromisso (na primeira fase, no Rio de Janeiro e em Brasília), sem ficar hospedada no Brasil, o que traz evidente prejuízo fisiológico aos hermanos – podendo, consequentemente, interferir no desempenho em campo. Não acho que seja possível traçar uma relação entre a Copa América e outras competições nacionais e estaduais, porque estas não trazem ao nosso País centenas de profissionais (incluindo jornalistas) que podem necessitar da nossa já supersaturada rede pública de saúde ou então espalhar variantes desse já tão terrível vírus. E vice-versa: essas pessoas podem levar do Brasil para suas casas este problema chamado Covid e diferentes mutações do mesmo. Que a Conmebol arque com os valores investidos por patrocinadores e empresas que adquiriram os direitos de transmissão.

PÉ DIREITO E PÉ ESQUERDO
O Santo André foi o único time paulista a vencer na primeira rodada da Série D do Campeonato Brasileiro. E em grande estilo. Depois de sair atrás do Bangu-RJ, sábado, em Moça Bonita, os comandados de Wilson Júnior demonstraram poder de reação, empataram e depois viraram o placar. Primeiro, em lance de grande inteligência do lateral Eliandro: em cobrança de falta da intermediária, o andreense viu o goleiro adversário mal posicionado – esperando o cruzamento, provavelmente – e mandou de direita direto para o gol, balançando as redes. Depois, em chute de rara felicidade do estreante Hayllan, que emendou finalização de canhota do meio da rua e acertou o ângulo: 2 a 1. Um começo animador para os torcedores ramalhinos. Domingo, às 15h, em Diadema, o adversário será o Boavista-RJ. 



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