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Lançado na região, projeto Vizinhança Solidária está em 92% do Estado

André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Programa, criado em 2010, une população e policiais para melhorar a segurança pública


Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

30/05/2021 | 17:24


O aumento da criminalidade tem estimulado cada vez mais a população a buscar alternativas de segurança. Por esse motivo, em 2010 nasceu o programa Vizinhança Solidária, desenhado um ano antes por integrantes do Conseg (Conselho Comunitário de Segurança) do Centro de Santo André e a PM (Polícia Militar), no intuito de unir os moradores dos bairros e os policiais. A ação, que completa 11 anos no dia 28 de julho, já alcançou 74 bairros do Grande ABC – outros 12 estão em fase de implantação – e 92% do território do Estado de São Paulo.

Apesar da grande abrangência, a ação demorou para se destacar, sobretudo porque quando foi lançada, no bairro Bom Pastor, em Santo André, a facilidade de comunicação por meio da tecnologia ainda não era tão presente no dia a dia, e o compartilhamento de informações sobre crimes ou suspeitos dependia de as pessoas irem contar aos vizinhos, o famoso boca a boca. Atualmente, é por meio de grupos de WhatsApp que moradores do Grande ABC, e de todo o Estado, estão se unindo no programa, que já ultrapassou as fronteiras de São Paulo e já está em operação em cidades do Paraná e do Rio Grande do Sul.

Idealizador do programa e responsável pela Escola Superior de Sargentos, o coronel Temístocles Telmo Ferreira Araújo contou que o Vizinhança Solidária já está presente em 92% das companhias territoriais do Estado. “Todos os 22 comandos de área, sendo 12 na Capital e Grande São Paulo, e dez no Interior, já têm pelo menos um núcleo de vigilância comunitária”, comemorou o policial.

A atual presidente do Conseg Centro de Santo André, Regina Célia Guirelli revelou que, em 2009, o grupo levou ao coronel Telmo, na época ainda capitão, a ideia de incluir na cidade medidas que envolvessem a população em ações de combate ao crime. “Foi aí que o coronel Telmo abraçou a ideia e desenhou o projeto do Vizinhança Solidária. Ele mapeou as ruas que tinham maior índice criminal, e eu fui conversar com os comerciantes para que replicassem a informação. Em 2010 lançamos o programa no Bom Pastor”, resumiu Regina.

Moradores do Bom Pastor há 43 anos, Luiz Roberto de Freitas, 63, e Carlos Roberto Fernandes, 71, contaram como se deu o início da ação. Ambos já faziam parte do grupo do Conseg Centro desde 2008 e, ao lado de Regina e do coronel Telmo, participaram do início da discussão sobre a ferramenta que iria unir a população com a polícia, e inibir o crime pacificamente.

Orgulhosos, eles contam que, juntos, participaram da organização de lançamento do programa, que 11 anos depois segue no bairro. “Fizemos convites impressos e saímos distribuindo. O Conseg Centro e a Paróquia Jesus Bom Pastor fizeram a divulgação e, no lançamento, enchemos o salão da igreja”, relembrou Luiz.

Carlos conta, porém, que em 2010 as pessoas ainda não utilizavam aplicativos de mensagem, o que dificultou o recrutamento de vizinhos na adesão do programa, iniciado com 20 ruas dos 15 bairros inclusos na área do Conseg. “Naquela época a divulgação era no boca a boca, e as pessoas ficavam desconfiadas. Havia ceticismo sobre a eficácia da união para minimizar crimes”, disse o aposentado.

Já em maio de 2015, o capitão Ariel Gomes Barboza, que estava à frente da antiga 1ª Companhia do 41º batalhão da PM (hoje 4ª Cia do 10º BTM), organizou palestra, também no salão da Paróquia, com o tema Prevenção Primária na Segurança Pública, para apresentar o Vizinhança Solidária e orientar a população sobre os procedimentos de segurança.

“O capitão Ariel deu continuidade ao trabalho que o coronel Temo tinha iniciado. Mas nessa palestra ele reuniu todos os comandos da região. Só de capitão da polícia tinham 29, e mais quatro tenentes-coronéis. A intenção dele foi explicar o programa para que os comandos replicassem em suas áreas”, relembrou Luiz, afirmando que, depois disso, a ação começou a “ganhar mais força”.

“O programa é importantíssimo. Hoje as pessoas passam muito tempo fora, trabalhando, e as casas ficam livres o dia todo. O crime fica de olho e, tendo um ou dois vizinhos atentos, já minimiza os riscos de roubos e furtos”, pontuou Carlos.

Luiz destacou também a aproximação da comunidade com o programa. “O Vizinhança Solidária resgata a convivência dos vizinhos, como antigamente. Além disso, diminui a criminalidade nos bairros”, frisou.

Para integrar o programa, o interessado deve buscar o Conseg do seu bairro no site www.ssp.sp.gov.br/conseg ou procurar a companhia de PM que atende a área. Após avaliação da corporação, o tutor deverá providenciar grupo de comunicação imediata com os vizinhos – veja na arte o passo a passo.

NOVO INTEGRANTE
No Jordanópolis, em São Bernardo, os moradores realizam vaquinha para custear a implementação do programa, já que para iniciar é preciso instalar placas e faixas informativas. O empresário Jorge Correia, 37, contou que a população ingressou no Conseg em 2016 diante da alta criminalidade no bairro, observada desde 2014. “Como criamos um grupo de troca de mensagens e deu certo, decidimos adotar o Vizinhança Solidária e abranger mais pessoas do bairro”, contou.

Êxito depende da participação da população

Para o professor de direito e coordenador do Observatório de Segurança Pública da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), David Siena, o conceito do programa Vizinhança Solidária, da PM (Polícia Militar), é eficaz, porém, somente funciona se houver engajamento e interesse da população.

“A ideia é muita boa, e inclusive é um modelo que existe no mundo inteiro. Os programas de vizinhança solidária podem ser conceituados como meio de controle social informal, o que é bem interessante e eficaz porque a própria comunidade se engaja e participa das questões de segurança pública. Mas nem sempre a execução na prática é correspondente ao que se idealiza, por falta de participação populacional”, pontua o especialista. “O sucesso do Vizinhança Solidária depende muito dos vizinhos, porque o programa acaba dando para a população não só um papel de espectador dos comportamentos indesejáveis, mas também o de protagonista”, reforçou Siena.

O professor frisa que a Escola de Chicago, que segundo ele foi uma das principais idealizadoras do modelo de segurança comunitária, explica que o programa tende a funcionar mais em bairros nobres. “O que se percebe é que locais de maior poder aquisitivo os programas são mais exitosos, mas porque os moradores se engajam mais. Em áreas de mais vulnerabilidade social, a população nem sempre quer participar tão ativamente dos problemas comunitários, muito embora sejam pessoas que costumam atuar em ações sociais”, finalizou o professor, destacando que a adesão da medida é “uma ferramenta importante” de controle criminal. <TL>

Coronel lança livro com história do programa

Responsável pelo nascimento do programa, o coronel Temístocles Telmo Ferreira Araújo lançou, na última quarta-feira, o livro Vizinhança Solidária – Área vigiada pela Comunidade, em evento no salão social da Escola Superior de Sargentos do Estado de São Paulo, na Capital. Por conta da pandemia, a sessão de autógrafos foi realizada com presença reduzida de convidados.

No evento estiveram os comandantes de unidades de ensino da Polícia Militar do Estado, integrantes do Conseg (Conselho Comunitários de Segurança) da área Central de São Paulo e de Santo André, instrutores de polícia comunitária e alunos sargentos que redigiram artigos científicos com o tema Vizinhança Solidária.

Além da origem do projeto, o coronel também abordou entre os oito capítulos da obra questões que englobam a política de segurança pública na sociedade, a interação com os sistemas de proteção social, além de destacar o enfrentamento da pandemia da Covid e a violência urbana.

“Quando iniciamos o projeto, entre 2009 e 2010, a ideia foi construir um programa que visava a proximidade das pessoas com a polícia, mas de maneira disciplinada, onde a população entendesse a necessidade de adotar uma postura preventiva ao crime, e que disseminassem esse conhecimento”, contou o coronel, explicando que a marca do programa é o sentimento de pertencimento, onde as pessoas se preocupam com a área que vivem e com o entorno.

No evento estavam presentes dois policiais militares de Rio Branco, no Acre, recém formados como aspirantes a oficial pela Escola de Sargentos da Capital. Brunno José Ricarte, 36 anos, e Emerson Nogueira da Silva, 35, fizeram o artigo de conclusão de curso baseado no programa, e contaram que, diante do conhecimento que adquiriram no estudo, levarão a ideia para implementação no Acre.

Em discurso, o autor da obra destacou que “não existe nenhuma ferramenta que sozinha vai coibir o crime”, mas salientou dados que indicam a contribuição do programa na redução dos indicadores. “Onde foi implantado o programa, ou a criminalidade se manteve, ou diminuiu. Em nenhum local aumentou”, disse, contando que, em pesquisa feita no bairro Bela Vista, na Capital, pode-se observar que a implantação do Vizinhança Solidária, em 2018, diminuiu o número de ligações para a polícia que denunciam delitos, sendo queda de 5% no número de chamados para indicar roubos e 30% em caso de furtos.

A obra está disponível para venda no site da Amazon e na livraria Martins Fontes, na Avenida Paulista, na Capital. Além disso, 100 unidades serão doadas para venda no Instituto A Casa do Jardim, instituição de Santo André, para que o valor adquirido seja utilizado para auxiliar a famílias atendidas no serviço.  



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