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Crianças vacinadas contra Covid-19 por
engano em Diadema não têm anticorpos

Celso Luiz/ DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Prefeitura realiza nesta semana nova bateria de exames com as cinco vítimas; pais receberam laudo dos testes realizados quase um mês depois da coleta


Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

18/05/2021 | 00:01


As cinco crianças vacinadas com doses da Coronavac, por engano, em Diadema, no dia 14 de abril, não desenvolveram anticorpos para a Covid-19, conforme aponta resultados de exames realizados três dias depois da aplicação e entregues recentemente aos familiares.

Os menores, que têm idades entre 7 meses e 4 anos, foram imunizados na UBS (Unidade Básica de Saúde) Jardim das Nações, no Taboão, com a vacina errada (o imunizante correto seria contra a gripe) e fizeram coleta de sangue três dias depois para verificação de possível imunidade adquirida. Para surpresa dos pais, o resultado mostrou que as crianças nunca tiveram contato com o vírus nem têm anticorpos, o que gerou mais dúvida nos responsáveis sobre o erro da enfermagem.

Conforme Eduardo Jackson Gomes, 35 anos, um dos pais das crianças, para ele, “toda a história foi mal explicada”. “Primeiro que ficamos sabendo do erro de aplicação só no dia seguinte. Depois, fizemos o exame de sangue e pegamos o resultado só na semana passada, um mês depois da coleta, e ainda apontando que as crianças não adquiriram anticorpos. Agora a dúvida que fica é o que, de fato, aplicaram nos nossos filhos”, questionou o pai de Manuela Almeida Gomes, 4 anos, afirmando ainda que, desde o ocorrido, nenhum documento foi entregue às famílias. “Não temos nada que comprove que nossos filhos foram vacinados de forma errada. Graças a Deus a Manuela não teve nenhuma reação adversa e está muito bem”, confirmou Gomes.

A recepcionista Fabiana Lima, 35, é mãe da pequena Liz Bernardes da Silva, 8 meses, e também teme que sua filha tenha recebido alguma vacina que não tenha sido a informada. “A Liz não teve nada depois da aplicação. Mas o resultado do exame de sangue comprova que ela não tem imunidade contra a Covid. Então isso traz preocupação ainda maior”, reforçou. “Ninguém recebeu nenhum relatório sobre o que ocorreu, e todas as crianças estão com zero imunidade contra a Covid”, lamentou Fabiana.

O Diário não conseguiu contato com os demais responsáveis, no entanto, Gomes e Fabiana contaram que, assim como eles, os demais pais vivem o mesmo drama, já que o resultado negativo para anticorpos foi o mesmo par as cinco crianças.

Segundo os responsáveis, todos os dias funcionários da UBS ligam para saber o estado de saúde das crianças e, agora, os menores estão sendo chamados para novo exame de sangue, sendo que Liz foi ontem realizar a coleta, e Manuela tinha horário agendado hoje, às 7h. “Agora vamos ver o que o segundo exame vai dizer”, disse Fabiana, que pensa, assim como Gomes, em buscar atendimento na rede particular, no intuito de conseguir explicações para o caso.

Infectologista e fundador do IBSP (Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente), José Ribamar Branco reforça que ainda não há testes conclusivos de vacina contra o novo coronavírus em crianças, e explica que o primeiro exame para verificação de imunidade foi feito com poucos dias de aplicação da dose. “Geralmente se espera, no mínimo, duas semanas para fazer o exame de sangue. E tem anticorpos específicos neutralizantes que tentam identificar a imunidade, não é com um exame comum de sangue, usado em quem teve Covid, que se vê isso”, afirmou o especialista, orientando que as famílias busquem junto da Secretária de Saúde municipal acompanhamento mais claro. “Não se deve fazer esse teste de maneira impírica, dosando a imunidade em laboratório, ainda mais com exame que usamos para verificar se a pessoa teve Covid ou não”, frisou Branco.

Segundo a Prefeitura, todas as crianças estão passando por acompanhamento diário dos profissionais da UBS, e, por orientação do GVE 7 (Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo), a segunda dose de Coronovac não será aplicada nos menores. A administração disse que a enfermeira envolvida no caso está afastada e que segue investigando a falha.

Com relação à ausência de anticorpos, o Butantan, responsável pela Coronavac, afirmou que não há comprovação da eficácia da vacina em menores de 18 anos, pontuando que, conforme nota técnica divulgada pela SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), “não devem ser feitos testes após a imunização, já que não existe nenhum teste que esteja correlacionado com proteção individual para nenhuma das vacinas de Covid-19”.  



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