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Cidades relatam frascos de vacina com doses a menos

Nario Barbosa/ DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Prefeituras destacam dificuldade de extrair dez frações dos vidros; especialista vê problema em seringa


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

13/05/2021 | 00:08


Depois de Diadema informar que entre os lotes de Coronavac recebidos não puderam ser aplicadas 2.272 doses, devido a frascos que teriam sido entregues com quantidade inferior às dez doses discriminadas na bula, como o Diário mostrou no sábado, as outras seis cidades do Grande ABC confirmaram que também registraram a situação, mas apenas Ribeirão Pires precisou a quantidade de imunizantes perdidos: 754. A situação não foi observada nos frascos da vacina Oxford/Astrazeneca.

Santo André informou que os frascos de Coronavac têm exatamente 5 ml (cada dose é de 0,5 ml), mas há perda técnica na transferência do líquido para a seringa e, nestes casos, consegue-se nove doses. A administração destacou que os frascos têm a quantidade em ml (mililitros) e o desvio pode ocorrer em todas as vacinas multidoses. Segundo a Prefeitura, a perda técnica tem ficado entre 10% e 15%, dentro do esperado nas estratégias de imunização. De acordo com a administração, em alguns frascos foi possível utilizar até 11 doses, o que compensou, em parte, a situação. O Paço andreense, no entanto, não soube precisar quantas doses foram perdidas.

São Bernardo também confirmou que alguns frascos não renderam dez doses e apenas informou que isso ocorreu com cerca de 10% dos lotes da Coronavac recebidos até agora. São Caetano informou que um carregamento chegou com os frascos apresentando perdas técnicas. Mauá confirmou que alguns vidros renderam apenas oito ou nove doses, sem precisar quantos imunizantes foram desperdiçados na transferência do líquido para a seringa.

Ribeirão Pires informou que recebeu 754 imunizantes a menos das vacinas da Coronavac que chegaram até agora. Rio Grande da Serra também confirmou que obteve vidros com doses a menos, mas sem detalhar. Em todos os casos, as cidades destacaram o GVE (Grupo de Vigilância Epidemiológica) do Estado de São Paulo, com exceção de Ribeirão Pires, que comunicou o fato à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A situação relatada pelos municípios da região já foi comunicada por diversas outras cidades brasileiras, inclusive capitais como Goiânia e Salvador.

Doutor em biotecnologia e professor de farmácia da Estácio, Dalton Giovanni destacou que os processos do Instituto Butantan, que fabrica a Coronavac no Brasil em parceria com a chinesa Sinovac, são aferidos com rigor e ele não acredita que esteja havendo falha na produção. “O tamanho da seringa utilizada pode ter impacto. Se a seringa é muito grande, a chance de perda é maior”, explicou. “Tenho visto muitas fotos e vídeos de vacinas sendo aplicadas com seringas inadequadas. Nem todas as cidades têm a quantidade adequada de insumos e, para garantir a vacinação, podem estar usando o que têm em estoque”, concluiu o professor.

Butantan aponta erro humano para o desperdício

O Butantan, que fabrica a Coronavac no Brasil, informou que cada frasco da vacina contra o coronavírus contém nominalmente dez doses de 0,5 ml cada, totalizando 5 ml e, adicionalmente, ainda é envasado conteúdo extra, chegando a 5,7 ml por ampola. O instituto paulista diz ainda que esse volume, devidamente aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), é suficiente para a extração das dez doses. “É importante que os profissionais de saúde estejam capacitados para aspiração correta de cada frasco-ampola, além de usar seringas e agulhas adequadas, para não haver desperdício.”

Segundo o Butantan, todas as notificações recebidas até o momento relatando suposto rendimento menor dos frascos foram devidamente investigadas e identificou-se, em todos os casos, prática incorreta na extração das doses nos serviços de vacinação. “Portanto, não se trata de falha nos processos de produção ou liberação dos lotes pelo Butantan”, alega o comunicado. “Reforçamos que todas as investigações pertinentes foram feitas e todos os controles realizados nos lotes liberados foram avaliados. A conclusão encontrada e já dividida com a vigilância sanitária é que não se trata de falha nos processos de produção ou liberação dos lotes por parte do Butantan. Na verdade, trata-se de prática incorreta no momento do uso das doses.”

O instituto reforçou que é essencial que tais profissionais sigam as orientações e práticas adequadas, no intuito de evitar perdas durante a aspiração da vacina. Que seringas de volumes superiores (3 ml, 5 ml) podem gerar dificuldades técnicas para visualizar o volume aspirado, uma vez que podem não possuir as graduações necessárias. Outro fator decisivo é a posição correta do frasco e da seringa no momento da aspiração.

A Fiocruz, responsável pela fabricação e distribuição da vacina Oxford/Astrazeneca, informou que todos os frascos disponibilizados ao PNI (Programa Nacional de Imunização) contêm uma dose a mais, para evitar falta de vacinas em decorrência de perdas técnicas. 



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