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Ruminando acerca do futuro


Everaldo Fioravante
Do Diário do Grande ABC

21/08/2005 | 10:48


A artista plástica paulistana Priscilla Davanzo, 27 anos, é autora da obra As Vacas Comem Duas Vezes a Mesma Comida. É um trabalho extraordinário: ela tatuou uma série de manchas negras pelo corpo, representações de manchas de vaca holandesa - algo para deixar muita gente de cabelo em pé. Toda a produção plástica de Priscilla tem a ver com o corpo humano, dela ou dos outros. Uma das propostas é de "redesign" do corpo.

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Por diversas vezes, Priscilla foi vista pela reportagem do Diário em eventos culturais usando roupas encobrindo a pele "malhada". Seria arrependimento? "De forma alguma. Uso roupas compridas por ter ojeriza ao sol, porque ele destrói as tatuagens", diz.

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Priscilla explica que As Vacas Comem Duas Vezes a Mesma Comida é uma obra conceitual. Para ela, mesmo que as manchas não tenham sido concluídas, o trabalho está pronto. "O que vale é o conceito".

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A obra tem relação direta com o verbo ruminar, que significa tanto a ação dos ruminantes de remoer os alimentos que voltam do estômago à boca quanto refletir muito, pensar bem antes de agir. "Este trabalho é uma crítica à postura do ser humano de destruir tudo sem pensar no futuro. Ele se julga inteligente, mas comete muitas burrices. Questiono essa suposta inteligência".

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Partindo deste conceito, Priscilla diz que poderia ter feito representações de qualquer outro ruminante. Mas ela gosta mesmo é de vacas. A artista, que não faz uso de bebidas alcoólicas e bebe muito leite, ganhou até um apelido dos amigos por conta disso: "vaquinha". Ela, que não come nenhum tipo de carne e mantém dieta de derivados de leite, ovos e vegetais, recebeu a alcunha antes de desenvolver a obra que a tornou conhecida.

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"Criei essa discussão a respeito das atitudes irracionais do ser humano e arco com as conseqüências (as tatuagens). Não foi uma atitude precipitada, pensei muito. Ao fazer as tatuagens, que como todo mundo diz são para sempre, mostro que tenho compromisso com a minha idéia. Isso falta ao ser humano em geral, ter compromisso, na carreira profissional, na relação amorosa etc", diz Priscilla.",1]);//-->

Para realizar as manchas de vaca, a artista enfrentou uma série de sessões de tatuagem ao longo de um ano, a partir de março de 2000. Alguns dos desenhos ainda não foram totalmente pintados, mas ela pretende concluí-los. Só não o fez ainda por falta de tempo.

Por diversas vezes, Priscilla foi vista pela reportagem do Diário em eventos culturais usando roupas encobrindo a pele "malhada". Seria arrependimento? "De forma alguma. Uso roupas compridas por ter ojeriza ao sol, porque ele destrói as tatuagens", diz.

Priscilla explica que As Vacas Comem Duas Vezes a Mesma Comida é uma obra conceitual. Para ela, mesmo que as manchas não tenham sido concluídas, o trabalho está pronto. "O que vale é o conceito".

A obra tem relação direta com o verbo ruminar, que significa tanto a ação dos ruminantes de remoer os alimentos que voltam do estômago à boca quanto refletir muito, pensar bem antes de agir. "Este trabalho é uma crítica à postura do ser humano de destruir tudo sem pensar no futuro. Ele se julga inteligente, mas comete muitas burrices. Questiono essa suposta inteligência".

Partindo deste conceito, Priscilla diz que poderia ter feito representações de qualquer outro ruminante. Mas ela gosta mesmo é de vacas. A artista, que não faz uso de bebidas alcoólicas e bebe muito leite, ganhou até um apelido dos amigos por conta disso: "vaquinha". Ela, que não come nenhum tipo de carne e mantém dieta de derivados de leite, ovos e vegetais, recebeu a alcunha antes de desenvolver a obra que a tornou conhecida.

"Criei essa discussão a respeito das atitudes irracionais do ser humano e arco com as conseqüências (as tatuagens). Não foi uma atitude precipitada, pensei muito. Ao fazer as tatuagens, que como todo mundo diz são para sempre, mostro que tenho compromisso com a minha idéia. Isso falta ao ser humano em geral, ter compromisso, na carreira profissional, na relação amorosa etc", diz Priscilla.

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A artista faz questão de explicar que embora tenha utilizado o próprio corpo como suporte artístico, ele só funciona como tal quando ela se propõe a isso. Priscilla diz que seu corpo tem a função de trabalho artístico quando ele é exposto, em uma performance ou quando fotografado por um profissional, por exemplo. "De resto, é o corpo que eu levo para fazer a feira".

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A proposta de "se transformar em vaca e não ser mais ser humano" rendeu uma série de trabalhos artísticos, como fotografias de autoria de Fabia Fuzeti e o vídeo Geotomia, de Marcelo Garcia, um registro do processo de tatuagens.

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Além das manchas, Priscilla possui uma série de outras tatuagens - começou a fazê-las quando tinha 18 anos. Ostenta ainda branding (marcas na pele feitas com ferro quente, igual ao que é feito no gado), cutting (corte que gera cicatriz) e piercings.  No começo de 2004, ela fez três implantes de aço cirúrgico acima dos seios - a cicatrização, muito demorada, terminou recentemente. Parte dos implantes fica para fora do corpo e tem rosca, onde ela colocará três botões: on/off, eject e outro de volume. "Eu terei botões 24h por dia. É um flerte com a idéia de ciborgue".

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Priscilla se formou em Artes Visuais na Unesp (Universidade Estadual de São Paulo) em 2003. Em fevereiro deve defender mestrado na mesma instituição. A linha de pesquisa é Processos e Procedimentos Artísticos, por meio do qual ela trata da questão da modificação corporal. Para a realização do mestrado, ela conta com bolsa da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), órgão do governo federal.

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A artista plástica participou em 2000 do evento Body Art, promovido em Santo André. Ela voltará à cidade em breve, desta vez para a Bienal de Gravura.

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A artista faz questão de explicar que embora tenha utilizado o próprio corpo como suporte artístico, ele só funciona como tal quando ela se propõe a isso. Priscilla diz que seu corpo tem a função de trabalho artístico quando ele é exposto, em uma performance ou quando fotografado por um profissional, por exemplo. "De resto, é o corpo que eu levo para fazer a feira".

A proposta de "se transformar em vaca e não ser mais ser humano" rendeu uma série de trabalhos artísticos, como fotografias de autoria de Fabia Fuzeti e o vídeo Geotomia, de Marcelo Garcia, um registro do processo de tatuagens.

Além das manchas, Priscilla possui uma série de outras tatuagens - começou a fazê-las quando tinha 18 anos. Ostenta ainda branding (marcas na pele feitas com ferro quente, igual ao que é feito no gado), cutting (corte que gera cicatriz) e piercings.  No começo de 2004, ela fez três implantes de aço cirúrgico acima dos seios - a cicatrização, muito demorada, terminou recentemente. Parte dos implantes fica para fora do corpo e tem rosca, onde ela colocará três botões: on/off, eject e outro de volume. "Eu terei botões 24h por dia. É um flerte com a idéia de ciborgue".

Priscilla se formou em Artes Visuais na Unesp (Universidade Estadual de São Paulo) em 2003. Em fevereiro deve defender mestrado na mesma instituição. A linha de pesquisa é Processos e Procedimentos Artísticos, por meio do qual ela trata da questão da modificação corporal. Para a realização do mestrado, ela conta com bolsa da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), órgão do governo federal.

A artista plástica participou em 2000 do evento Body Art, promovido em Santo André. Ela voltará à cidade em breve, desta vez para a Bienal de Gravura.



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