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Mortes por Covid passam de 7.000 no Grande ABC

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Em apenas 26 dias, região registrou mais de 1.000 óbitos; já são 181.027 pessoas contaminadas


Aline Melo
do Diário do Grande ABC

07/05/2021 | 07:00


Depois de 26 dias de ultrapassar a marca de 6.000 mortes por Covid, o Grande ABC chegou ontem a 7.032 vítimas da doença e totalizou 181.027 contaminações. A marca foi alcançada mesmo diante de esforço descomunal de profissionais da saúde que batalham diariamente contra a doença. Um deles é José Antonio Manetta, coordenador da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do CHM (Centro Hospitalar Municipal) de Santo André e do Hospital Maria Braido, em São Caetano. Há mais de um ano, a rotina dele é lutar contra a doença. Cansado, cumprindo 15 plantões noturnos ao mês, passando 36 horas acordado e dormindo apenas 12, Manetta se apega à sua fé em Deus e no apoio da família para seguir, mas resume em uma palavra a postura das pessoas que não entenderam a gravidade da situação: desrespeito.

À frente da UTI de dois dos maiores hospitais públicos da região, o médico, que é especializado em atendimento de urgência, afirma que nunca imaginou vivenciar o momento que a região atravessa. “Nem quando tivemos muitos casos de H1N1 (Influenza) a situação foi tão grave como agora”, relata. “Naquela época, a gente teve um começo e um fim. Hoje, a gente não sabe quando vai acabar”, pontua o médico.

Manetta relembra que nos primeiros dias da pandemia o sentimento era de muito medo, pois, desde o início, atuou com pacientes com Covid-19. Quando chegava em casa, se trocava no carro, no máximo na lavanderia. Toda a roupa ia direto para a lavagem. Álcool em tudo o que tocasse. O medo era o de contaminar os filhos e a mulher. O contato com os outros parentes foi cortado. Com o passar do tempo, poucas interações sociais, mesmo assim toda a família se contaminou por meio de um familiar. “Tivemos sorte e ninguém ficou em estado grave”, pondera.

O médico não usou nem recomendou aos filhos e a mulher medicamento do chamado kit Covid, combinação de drogas como corticoides e a hidroxicloroquina, que, apesar de não haver comprovação científica sobre a eficácia contra a doença, foi receitado por muitos médicos a pacientes contaminadas com o vírus. “A divulgação dessas medicações sem eficácia contribuiu para que muitas pessoas se descuidassem, porque passou a falsa impressão de que se houvesse a contaminação, teria também o tratamento”, afirma o médico. “Houve também quem ficou muito mal e resistiu em procurar assistência, acreditando que os remédios fariam efeitos, e já chegou ao hospital em estado grave”, completou.

Na luta diária contra o vírus, Manetta viu muitos colegas sucumbirem ao cansaço e ao pânico. “Quando a gente é coordenador do serviço, se falta um plantonista, é a gente quem tem que cobrir o plantão”, explica. Para dar conta da demanda, o médico cuida da alimentação e pratica exercícios físicos. “Em primeiro lugar, é Deus quem me sustenta. Em segundo, a minha família. E esses cuidados que venho tomando”, completa.

O especialista afirma que entende que, após tantos meses de pandemia, é natural que as pessoas estejam cansadas de manter o distanciamento, mas alerta sobre a necessidade de que todos continuem com as medidas de cuidado. “As pessoas precisam trabalhar, a gente sabe. Mas tem pessoas se contaminando em festas, com atitudes egoístas. Famílias inteiras internadas, às vezes com várias mortes”, alerta. “O descaso de algumas pessoas faz com que a gente se sinta desrespeitado”, pontua.

Manetta teme que a celebração do Dia das Mães, no próximo domingo, seja responsável por nova onda de contaminações, internações e mortes. “A gente não tem como saber, mas é uma possibilidade real. Enquanto não tiver vacina para todo mundo, as pessoas precisam se cuidar”, ressalta. O especialista faz um apelo por mais doses da imunização contra a Covid-19. “A vacina salva vidas.”



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