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Cidades ampliam serviços à população que vive nas ruas

Pixabay Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Diadema e Mauá fizeram levantamento sobre necessidades dos usuários e qualificaram instalações


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

06/05/2021 | 00:01


Um lugar para as pessoas que vivem em situação de rua se alimentar, tomar banho, lavar as próprias roupas, ter acesso a cursos profissionalizantes e atendimento social. É essa a missão do Centro Pop (Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua) Construindo Pontes Para o Amanhã, que a Prefeitura de Diadema está terminando de equipar. O prédio, na Avenida Antonio Piranga, no Centro, vai substituir e ampliar as atuais instalações, na Avenida Alda.

As melhorias estão em curso há um mês e a expectativa da administração é a de inaugurar o espaço até fim de maio. O nome do lugar foi escolhido pelos referenciados no Centro Pop, e eles também estão sendo convidados a colaborar ativamente nas obras de recuperação do prédio. O local terá capacidade de atender 100 pessoas ao dia, de segunda a sexta-feira.

Acolhido no serviço há cerca de quatro anos, João Batista Oliveira, 58 anos, perdeu a residência fixa há cerca de dez anos, após ficar desempregado. Morou nos bancos da entrada do Hospital Estadual Serraria por vários anos, até que foi apresentado ao Centro Pop por um colega. Lá, pegou o encaminhamento para um dos dois albergues conveniados com a Prefeitura, onde passa as noites. “Esse espaço que vai ser inaugurado significa recuperação e vitória”, afirmou Oliveira.

O costureiro João Henrique Inhesta, 53, foi morar na rua depois de uma passagem pelo sistema penitenciário. Por cerca de um ano, foi referenciado no Centro Pop, onde conseguiu ajuda para regularizar seus documentos e ter acesso a benefício social. Hoje, tem pequena oficina de costura, mas não esquece os dias de dificuldade. “Sempre que posso, abraço a árvore onde dormi embaixo várias noites. A gente aprende a ser humilde na rua”, relatou.

O auxiliar de serviçosgerais Ricardo Batista, 41, foi para as ruas por conta do vício em drogas. Quando conheceu o Centro Pop, foi encaminhado para um dos dois albergues, e de acolhido, passou a ser funcionário. Hoje, está há quatro meses com a carteira assinada e comemorando a recuperação da sua vida. "Um dia fiz um propósito com Deus de que queria mudar e ele tem realizado tudo isso na minha vida", afirmou.

O desemprego é o segundo motivo mais frequente que faz as pessoas que estão nas ruas de Diadema perderem os seus lares, mostrou levantamento realizado pela Secretaria de Assistência Social entre fevereiro e março deste ano. Em primeiro lugar estão os conflitos familiares. Em terceiro, uso de álcool e drogas. Foram identificadas 137 pessoas nessas condições, das quais 115 aceitaram dialogar com as equipes.

“Desde quando assumi o cargo, uma das minhas prioridades era ofertar um acolhimento digno para essas pessoas”, explicou a vice-prefeita e secretária de Assistência Social da cidade, Patricia Ferreira. “E nada melhor do que ouvir o que eles precisam para que a gente possa ofertar um atendimento de qualidade”, completou.

O novo prédio vai ter diversos cursos de capacitação, lavanderia doada por empresa, além de três canis para os cachorros que muitas vezes são os companheiros dessas pessoas. Será reativado o serviço de Consultório de Rua, para prestar atendimentos de saúde à população. “Também vamos ter transporte para que eles possam ir daqui para os albergues, e quando a pandemia melhorar, para os restaurantes populares. Queremos que eles se apropriem desses espaços e possam construir condições de ter autonomia, um trabalho, uma vida digna”, concluiu a secretária.

Em Mauá, as instalações do Centro Pop também estão sendo revitalizadas, além de reforço das equipes, que semanalmente realizam abordagens sociais nas ruas. Além de informar as pessoas sobre os serviços disponíveis, os contatos também visam auxiliar no restabelecimento de vínculos. Desde janeiro, seis pessoas foram reintegradas às suas famílias. “Embora estejam vivendo nas ruas, são seres humanos, com objetivos de vida e que merecem oportunidades, carinho e atenção para que possam trilhar um caminho mais digno”, afirmou a secretária de Assistência Social de Mauá, Xênia Sousa Díspore. A administração estima que 54 pessoas vivam nas ruas da cidade, sendo que 85% delas são de outros municípios.


Grande ABC tem cerca de 1.200 pessoas que moram na rua

Dados das prefeituras da região (exceto Rio Grande da Serra, que não respondeu) contabilizam cerca de 1.200 pessoas que estão em situação de rua no Grande ABC. Em Santo André a administração estima que existam 350 pessoas nessas condições e o Centro Pop conta com acompanhamento psicossocial para fortalecimento de autonomia e de vínculos.

Em São Bernardo, considerando o número de atendimentos realizados, a Prefeitura estima que 600 pessoas estejam em situação de rua. É programado para este ano um levantamento, que não é realizado desde 2010. A cidade oferta atendimentos que visam desde a abordagem até o acesso aos diversos serviços municipais, incluindo assistências individuais para resgate de vínculos familiares e construção conjunta de projeto de vida, por meio do Centro Pop, serviços de abordagem social e acolhimento 24 horas (casa de passagem) e centro de convivência e moradia provisória (república).

São Caetano informou que 70 pessoas vivem nas ruas da cidade e que parcerias de trabalho e capacitação profissional estão prejudicadas pela pandemia, mas a busca por rede e reinserção familiar é realizada, assiduamente, pela equipe de referência da abordagem social, assim como pela equipe técnica do serviço de acolhimento. Nas vias públicas, na aproximação com os indivíduos, são realizadas orientações e reflexões sobre a situação em que se encontram, visando o resgate de sua autoestima, buscando alternativas para desenvolverem o hábito de atitudes de autocuidado, preservando sua dignidade.

Em Ribeirão Pires, a Secretaria de Assistência Social oferta apoio social e psicológico, trabalho para reinserção social, oferta de casa de acolhimento com espaço para banho, troca de roupas, alimentação, espaço de convivência e dormitórios para pernoite. Foram identificadas 50 pessoas em situação de rua no município. 



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