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Região tem semana mais eficaz na imunização, mas cobertura é baixa

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Foram 88,2 mil vacinas aplicadas, mas só 7,7% da população recebeu duas doses; especialistas elogiam SUS e criticam falta de fármacos


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

26/04/2021 | 00:44


O Grande ABC vacinou, até sexta-feira, 215.966 pessoas com duas doses contra a Covid. Outros 189.259 munícipes tomaram só a primeira. Em região com 2,8 milhões de habitantes, os números demonstram que somente 7,7% da população está protegida contra a doença (embora estar vacinado não signifique risco zero de contaminação, mas menores chances de desenvolver a forma grave da enfermidade e possibilidade ainda menor de óbito). Iniciada há mais de três meses, a vacinação ainda não engrenou na região – e no Brasil – e alterna dias com quase 20 mil doses e outros com 300 aplicações. Na última semana, a região registrou o maior volume desde o início da campanha, com 88.258 imunizantes aplicados somando a primeira e a segunda doses e, na terça-feira, bateu o recorde diário, com 19.205 vacinas aplicadas – veja evolução diária na arte abaixo.

Especialistas apontam a falta de vacinas no Brasil e no mundo como razão pelo cenário. Professora responsável pela disciplina de saúde coletiva da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), Vânia Barbosa do Nascimento responsabiliza a falta de coordenação do governo federal para o plano de imunização e a demora do Brasil em começar a negociar a compra de vacinas como principais causadores da lentidão na cobertura. “Temos programa de imunização desde a década de 1970 e conseguimos erradicar diversas doenças, como a poliomielite e formas graves da tuberculose. A OMS (Organização Mundial da Saúde) reconhece essa capacidade. Podemos vacinar 3 milhões de pessoas ao dia”, disse.

Vania avaliou que o governo federal não devia ter ficado dependente apenas das vacinas que contam com envolvimento dos produtores nacionais – atualmente, o Brasil só tem dois imunizantes disponíveis, a Oxford/Astrazeneca, que conta com a participação da Fiocruz, e a Coronavac, parceria do Butantan com a farmacêutica chinesa Sinovac – e ter encaminhado, ainda no segundo semestre de 2020, contratos para compras de mais imunizantes. “Mesmo as que já podemos produzir aqui, ainda dependemos dos insumos importados, que estão chegando em tempo e quantidade insuficientes”, completou.

A docente também criticou a resistência do governo federal em reconhecer a gravidade da situação e o incentivo a alternativas sem comprovação científica, como uso de medicamentos sem eficácia comprovada. “Quanto mais a vacinação demora para avançar, mais pessoas vão morrendo. Inclusive de outras doenças, já que, para evitar a contaminação, também deixam de ir ao médico por outras enfermidades”, concluiu.

Coordenadora de enfermagem da Estácio Ourinhos e doutora em saúde coletiva, Carolina Guizardi Polido avaliou que a demora na vacinação se deve à falta mundial de imunizantes. “O mundo está em uma corrida contra o tempo para produzir vacina e como as cepas vão mudando muito rápido, não sabemos se serão eficazes ou não”, ponderou. Carolina também alertou para os dados que vêm sendo divulgados sobre a cobertura, lembrando que eles consideram a população geral, quando, na verdade, apenas maiores de 18 anos, até o momento, podem ser vacinados.

A coordenadora apontou que, embora estejamos há mais de um ano em pandemia, sabe-se muito pouco sobre o vírus e a doença. “A gente conhece a raiz do vírus, temos hipóteses sobre de onde ele veio, conhecemos estrutura, a forma de propagação, mas como ele se modifica, o que interfere nisso, ainda é uma incógnita no mundo e novas cepas podem surgir e ser ainda mais letais”, concluiu.

Tentativas de compras do Consórcio não prosperaram

Presidente do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC e prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB) corrobora a avaliação das especialistas de que a falta de doses tem atrapalhado muito o avanço da vacinação contra a Covid-19 na região, e cita ausência de coordenação e previsibilidade por parte do governo federal.

“As cidades têm sido eficientes em aplicar as doses que chegam, materializando a capacidade do SUS (Sistema Único de Saúde), mas é um problema de oferta”, pontuou. Nenhuma das tentativas de compra direta anunciada pelo Consórcio se concretizou até agora, pois os fabricantes têm priorizado o fornecimento ao governo federal, informou Serra. “Nossa expectativa é que no fim de maio, início de junho, com a finalização da vacinação dos Estados Unidos haja maior oferta de vacinas no mundo e a gente consiga uma estabilidade maior na quantidade de doses aplicadas ao dia na região”, completou.

FRAUDE
Reportagem da Rede Globo exibida sexta-feira mostrou que a Polícia Federal do Rio de Janeiro prendeu os donos de uma falsa empresa que se apresentavam como representantes para venda da vacina Oxford/Astrazeneca. Serra confirmou que a companhia procurou o Consórcio, mas que nenhum acordo foi firmado. “Temos feito toda tentativa de compra direto com os fabricantes”, afirmou. 



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