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Restaurantes da região se preparam para reabertura neste sábado

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Sistemas de delivery e take away não são suficientes para suprir os custos; estabelecimentos tentam reconquistar clientes


Flavia Kurotori
Do Diário do Grande ABC

22/04/2021 | 18:30


A fase de transição do Plano São Paulo permite a reabertura de restaurantes ao público neste sábado (24). Mesmo com a restrição de horário, já que só podem funcionar das 11h às 19h, e de ocupação, limitada a 25%, os estabelecimentos estão otimistas. Isso porque as vendas por delivery (entrega) e take away (retirada) não são suficientes para cobrir os custos fixos, como folha de pagamento, aluguel e as contas de água e luz. Contudo, o desafio é convencer a clientela de que há segurança para voltar a comer fora de casa.

Beto Moreira, presidente do Sehal (Sindicato das Empresas de Hospedagem e Alimentação do Grande ABC), não estima quanto o setor perdeu nos 50 dias que ficou sem poder atender presencialmente. No entanto, ele lembra que alguns restaurantes sequer operaram com entregas, derrubando o faturamento a zero. “Tem gente que perdeu tudo. Em boa parte dos restaurantes, o delivery não paga as contas, só mantém clientela ativa”, observa.

Segundo Moreira, os estabelecimentos que não funcionavam no almoço vão mudar as diretrizes para voltar a receber o público. Ele destaca que a ação é essencial tanto para os empresários quanto para os clientes, uma vez que muitos dependem de restaurantes para almoçar ou jantar durante o expediente de trabalho. Por meio da FBHA (Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação), a categoria pede ao governo do Estado autorização para funcionar no horário do jantar.

O Ghula Gulah, restaurante self-service no Santa Paula, em São Caetano, se adaptou e durante o período que ficou fechado começou a fazer entregas. Porém, a proprietária Flávia Paschoalin afirma que as vendas não chegam a 20% da demanda de um dia cujo salão está aberto ao público. “Nossa maior preocupação é a folha de pagamento. Ano passado, quando teve as MPs (Medidas Provisórias permitindo a redução de jornada e salários, e a suspensão de contratos), ajudou. Mas agora, nem isso”, relata. 

Flávia lembra que em janeiro e fevereiro deste ano, o movimento estava começando a melhorar, chegando a 60% do movimento de um dia normal. Para se ter ideia, o estabelecimento empregava 33 pessoas e, atualmente, são apenas 19 trabalhadores. Embora não tenha calculado os prejuízos, a empresária assinala que o comércio não tem lucro desde março de 2020, quando a pandemia do novo coronavírus começou.

O restaurante Casa Porteña, no ParkShopping São Caetano, inaugurou em agosto e logo teve que fechar as portas em razão das restrições do Plano São Paulo. O proprietário Fernando Ludgero conta que, nas duas primeiras semanas de restrições, trabalharam com delivery. Entretanto, a demanda era pequena e logo decidiu que não era vantajoso manter o atendimento neste sistema. Com as portas totalmente fechadas, ele aproveitou o período para treinar os 44 funcionários, criar novos pratos e fazer uma pequena reforma na unidade.

Ao todo, o restaurante tem 400 lugares e a expectativa de Ludgero é poder voltar a funcionar no horário do jantar em breve, dado que metade do faturamento depende desta refeição. Questionado sobre números, o empresário brinca que prefere não falar sobre o assunto senão ele iria chorar. “É muito dinheiro”, diz. “A expectativa é que tenhamos um fluxo bacana, um movimento bom dentro das limitações. As pessoas estão querendo sair de casa e ter um momento de prazer”, avalia.

Diretor da Padaria Brasileira, que possui cinco unidades próprias e quatro franquias na região, Antônio Henrique Afonso Júnior celebra a volta do consumo no local, que representa 50% das vendas da rede. “Só de refeição no bufê é 17% do faturamento. Agora, temos que esperar para produzir conforme a nova demanda. Teremos que lidar com a insegurança dos clientes em relação ao modus operandi (sistema self-service), mas a expectativa é que o hábito volte aos poucos”, aponta. Ele relata que a Brasileira está desenvolvendo sistema à la carte para atender às novas demandas, tanto no salão quanto no delivery. 

Bar de Santo André cria vaquinha on-line para superar crise

O Beco Torto, bar no Centro de Santo André, criou vaquinha on-line para arrecadar dinheiro e sobreviver à crise imposta pela pandemia do novo coronavírus. O proprietário Caiuá Leão conta que nesta semana, após o corte no fornecimento de energia elétrica, estava pronto para desistir do negócio. Porém, foi incentivado pelos clientes a criar o financiamento coletivo. “Nós fizemos live para doações e tentamos o delivery, mas não foi suficiente. Vimos que outros bares de São Paulo (Capital) e até da região fizeram vaquinhas e deram certo, mas, a princípio, não íamos partir para este caminho antes que fosse necessário”, afirma.

Leão relata que no ano passado, quando o governo do Estado implementou a fase vermelha do Plano São Paulo em março, o estabelecimento ficou fechado por aproximadamente 100 dias. “Voltamos com o presencial e o delivery, mas não teve muito sucesso e suspendemos (as entregas) depois de dois meses”, assinala. No primeiro mês após a reabertura, o movimento ainda era 90% menor do que antes da pandemia. Em meados de outubro, chegou a cerca de 50%. Porém, em novembro, a procura voltou a cair.

Sem mencionar valores, Leão explica que consegue estimar o prejuízo com base no rendimento mensal médio do bar. “É difícil mensurar o crescimento que poderia ter tido, dá para ter noção, mas não é fácil”, diz. O Beco Torto emprega 12 pessoas e pretende arrecadar R$ 30 mil. Caso consiga restabelecer o fornecimento de energia elétrica, objetivo é reabrir neste sábado (24). O site da vaquinha é o www.abacashi.com e o financiamento coletivo pode ser encontrado pelo nome ''Beco - O último suspiro''.



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Restaurantes da região se preparam para reabertura neste sábado

Sistemas de delivery e take away não são suficientes para suprir os custos; estabelecimentos tentam reconquistar clientes

Flavia Kurotori
Do Diário do Grande ABC

22/04/2021 | 18:30


A fase de transição do Plano São Paulo permite a reabertura de restaurantes ao público neste sábado (24). Mesmo com a restrição de horário, já que só podem funcionar das 11h às 19h, e de ocupação, limitada a 25%, os estabelecimentos estão otimistas. Isso porque as vendas por delivery (entrega) e take away (retirada) não são suficientes para cobrir os custos fixos, como folha de pagamento, aluguel e as contas de água e luz. Contudo, o desafio é convencer a clientela de que há segurança para voltar a comer fora de casa.

Beto Moreira, presidente do Sehal (Sindicato das Empresas de Hospedagem e Alimentação do Grande ABC), não estima quanto o setor perdeu nos 50 dias que ficou sem poder atender presencialmente. No entanto, ele lembra que alguns restaurantes sequer operaram com entregas, derrubando o faturamento a zero. “Tem gente que perdeu tudo. Em boa parte dos restaurantes, o delivery não paga as contas, só mantém clientela ativa”, observa.

Segundo Moreira, os estabelecimentos que não funcionavam no almoço vão mudar as diretrizes para voltar a receber o público. Ele destaca que a ação é essencial tanto para os empresários quanto para os clientes, uma vez que muitos dependem de restaurantes para almoçar ou jantar durante o expediente de trabalho. Por meio da FBHA (Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação), a categoria pede ao governo do Estado autorização para funcionar no horário do jantar.

O Ghula Gulah, restaurante self-service no Santa Paula, em São Caetano, se adaptou e durante o período que ficou fechado começou a fazer entregas. Porém, a proprietária Flávia Paschoalin afirma que as vendas não chegam a 20% da demanda de um dia cujo salão está aberto ao público. “Nossa maior preocupação é a folha de pagamento. Ano passado, quando teve as MPs (Medidas Provisórias permitindo a redução de jornada e salários, e a suspensão de contratos), ajudou. Mas agora, nem isso”, relata. 

Flávia lembra que em janeiro e fevereiro deste ano, o movimento estava começando a melhorar, chegando a 60% do movimento de um dia normal. Para se ter ideia, o estabelecimento empregava 33 pessoas e, atualmente, são apenas 19 trabalhadores. Embora não tenha calculado os prejuízos, a empresária assinala que o comércio não tem lucro desde março de 2020, quando a pandemia do novo coronavírus começou.

O restaurante Casa Porteña, no ParkShopping São Caetano, inaugurou em agosto e logo teve que fechar as portas em razão das restrições do Plano São Paulo. O proprietário Fernando Ludgero conta que, nas duas primeiras semanas de restrições, trabalharam com delivery. Entretanto, a demanda era pequena e logo decidiu que não era vantajoso manter o atendimento neste sistema. Com as portas totalmente fechadas, ele aproveitou o período para treinar os 44 funcionários, criar novos pratos e fazer uma pequena reforma na unidade.

Ao todo, o restaurante tem 400 lugares e a expectativa de Ludgero é poder voltar a funcionar no horário do jantar em breve, dado que metade do faturamento depende desta refeição. Questionado sobre números, o empresário brinca que prefere não falar sobre o assunto senão ele iria chorar. “É muito dinheiro”, diz. “A expectativa é que tenhamos um fluxo bacana, um movimento bom dentro das limitações. As pessoas estão querendo sair de casa e ter um momento de prazer”, avalia.

Diretor da Padaria Brasileira, que possui cinco unidades próprias e quatro franquias na região, Antônio Henrique Afonso Júnior celebra a volta do consumo no local, que representa 50% das vendas da rede. “Só de refeição no bufê é 17% do faturamento. Agora, temos que esperar para produzir conforme a nova demanda. Teremos que lidar com a insegurança dos clientes em relação ao modus operandi (sistema self-service), mas a expectativa é que o hábito volte aos poucos”, aponta. Ele relata que a Brasileira está desenvolvendo sistema à la carte para atender às novas demandas, tanto no salão quanto no delivery. 

Bar de Santo André cria vaquinha on-line para superar crise

O Beco Torto, bar no Centro de Santo André, criou vaquinha on-line para arrecadar dinheiro e sobreviver à crise imposta pela pandemia do novo coronavírus. O proprietário Caiuá Leão conta que nesta semana, após o corte no fornecimento de energia elétrica, estava pronto para desistir do negócio. Porém, foi incentivado pelos clientes a criar o financiamento coletivo. “Nós fizemos live para doações e tentamos o delivery, mas não foi suficiente. Vimos que outros bares de São Paulo (Capital) e até da região fizeram vaquinhas e deram certo, mas, a princípio, não íamos partir para este caminho antes que fosse necessário”, afirma.

Leão relata que no ano passado, quando o governo do Estado implementou a fase vermelha do Plano São Paulo em março, o estabelecimento ficou fechado por aproximadamente 100 dias. “Voltamos com o presencial e o delivery, mas não teve muito sucesso e suspendemos (as entregas) depois de dois meses”, assinala. No primeiro mês após a reabertura, o movimento ainda era 90% menor do que antes da pandemia. Em meados de outubro, chegou a cerca de 50%. Porém, em novembro, a procura voltou a cair.

Sem mencionar valores, Leão explica que consegue estimar o prejuízo com base no rendimento mensal médio do bar. “É difícil mensurar o crescimento que poderia ter tido, dá para ter noção, mas não é fácil”, diz. O Beco Torto emprega 12 pessoas e pretende arrecadar R$ 30 mil. Caso consiga restabelecer o fornecimento de energia elétrica, objetivo é reabrir neste sábado (24). O site da vaquinha é o www.abacashi.com e o financiamento coletivo pode ser encontrado pelo nome ''Beco - O último suspiro''.

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