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Demanda por saúde mental
aumenta 34% no Grande ABC

Sxc.hu Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Três cidades notaram maior procura dos munícipes; pandemia tem agravado situação


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

22/04/2021 | 00:01


Pandemia, mortes, crise financeira e a falta de vacinas. Após mais de um ano dos primeiros casos de contaminação pelo novo coronavírus, todas essas situações têm agravado sentimentos de angústia, depressão, fobias e medos. O resultado é que em ao menos três cidades do Grande ABC as prefeituras registraram aumento nas demandas por consultas visando a saúde mental. São Caetano, Ribeirão Pires e Mauá realizaram, juntas, 19.157 atendimentos  de janeiro a março de 2019 – antes da crise sanitária. Dois anos depois, o número passou para 25.718 no mesmo período, aumento de 34,2%. Nas outras cidades da região não foi registrada alta na procura.

Psicóloga e coordenadora dos Caps (Centros de Atenção Psicossocial) de Ribeirão Pires, Janaína Santana Lopes explicou que as demandas que as pessoas trazem para os serviços são as mais diversas possíveis. A profissional relatou que os primeiros sintomas de que as coisas não vão bem, do ponto de vista da saúde mental, é a perda de sono, dificuldade em se alimentar e necessidade de isolamento dentro da própria casa. “Isso tem atingido de maneira importante crianças e adolescentes, que acabam procurando passar mais tempo dentro do quarto, apenas interagindo com dispositivos eletrônicos”, explicou Janaína.

A psicóloga afirmou que a necessidade de distanciamento físico, uma das principais medidas para evitar a contaminação do coronavírus, tem feito com que muitas pessoas se angustiem e se entristeçam, até por um maior contato com os próprios sentimentos. “Nessa hora o contato virtual pode amenizar, uma chamada de vídeo, conversar com os amigos. Em casa, fazer coisas que nos tragam prazer, como atividades físicas e dar atenção ao sono (estabelecer um horário para dormir e evitar eletrônicos à noite) também colaboram com a recuperação”, pontuou.

Professora de pós-graduação em psicologia hospitalar na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Flávia Teixeira avaliou que a pandemia agravou os transtornos mentais, como depressão e ansiedade, além de transtornos alimentares. Ela destaca que é preciso procurar ajuda especializada quando o indivíduo percebe que os sintomas estão tomando proporções que o impedem de executar as tarefas do dia a dia.

“A pessoa tende a não se sentir capaz de sozinha mudar seu comportamento”, explicou. A docente detalha que ignorar os sintomas apenas traz mais prejuízos para as pessoas.  “Sua saúde física e psicológica vai se deteriorando, suas relações familiares e sociais também tendem a sofrer grandes abalos, pois o indivíduo se isola, sente que nada mais faz sentido, sua baixa autoestima o faz sentir que não pertence a lugar nenhum, a grupo nenhum”, pontuou. “A depressão, em alguns casos, pode levar inclusive ao suicídio. A ajuda especializada é sempre recomendada e o quanto antes iniciar um tratamento, maior a chance de sair logo do quadro de adoecimento”, concluiu. 

Como medidas para garantir um bom estado de saúde mental, após mais de um ano de pandemia, Flávia aponta que cabe a cada um olhar para sua própria realidade, verificar os recursos possíveis, os limitantes, e daí encontrar saídas. “Procurar dormir e se alimentar de acordo com sua necessidade, manter-se ativo, diminuir o tempo nos eletrônicos, se aproximar, ainda que virtualmente, de pessoas queridas e fazer um filtro nas notícias”, orientou. “Não devemos ficar alienados ao que está acontecendo, devemos procurar fazer a nossa parte para ajudar, mas também nos poupar quando estivermos diante de algo que não podemos mudar”, concluiu a especialista. 

Municípios contam com redes estruturadas para atendimento

A porta de entrada para os atendimentos psicológicos e psiquiátricos em Santo André são as UBSs (Unidades Básicas de Saúde) ou os Caps (Centros de Atenção Psicossocial). A administração informou que a demanda tem oscilado desde o início da pandemia e no fim de 2020 observou-se o aumento da procura por atendimento. Constatou-se também casos mais graves e complexos chegando aos serviços. Os atendimentos são multidisciplinares e reúnem ações individuais, grupos, oficinas, visitas domiciliares, atenção à crise, entre outros.

Em São Bernardo, o munícipe que procura um dos serviços passa por triagem, depois é acolhido por equipe multidisciplinar. A triagem nos Caps ocorre das 8h às 19h, de segunda a sexta-feira. Não existe tempo de espera. Os atendimentos são destinados a munícipes de qualquer faixa etária, que estejam em algum tipo de sofrimento relacionado à alteração do pensamento (delírio), da percepção (alucinações) ou do comportamento (atos agressivos e inquietude), relacionados ou não ao uso de drogas. O atendimento é realizado por equipe multidisciplinar e ocorre por demanda espontânea, não sendo necessários encaminhamento nem agendamento.

O serviço de saúde mental de São Caetano realiza acolhimento diariamente por demanda espontânea sem necessidade de encaminhamento. O município conta também com equipes de saúde mental que beneficiam os munícipes no Nasf (Núcleo de Atenção à Saúde da Família) – serviço ligado à atenção básica –, que realiza identificação de demandas e acolhimentos no próprio território e em todos os outros segmentos de atendimento em saúde da rede.

Nas UBSs de Diadema, o acolhimento dos serviços de saúde ocorre mediante escuta qualificada e discussão do cuidado articulado em rede. A demanda do usuário é analisada e acolhida pela equipe de saúde, que avalia o risco e vulnerabilidade do indivíduo e da família. A equipe é orientada a realizar o monitoramento desta pessoa/família, dando suporte em tempo oportuno.  Já nos Caps é feito o acolhimento e direcionado a partir do perfil do sofrimento do munícipe para o serviço de referência com inclusão imediata. 

Mauá informou que, após a pandemia, aumentou de maneira significativa a procura pelo serviço psicossocial em todas as faixas etárias da população. Os atendimentos são realizados por equipe multiprofissional, de maneira individual ou em grupo e, durante a pandemia, o tele atendimento foi adotado nas situações possíveis. Veja os endereços dos serviços na região na arte.



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Demanda por saúde mental
aumenta 34% no Grande ABC

Três cidades notaram maior procura dos munícipes; pandemia tem agravado situação

Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

22/04/2021 | 00:01


Pandemia, mortes, crise financeira e a falta de vacinas. Após mais de um ano dos primeiros casos de contaminação pelo novo coronavírus, todas essas situações têm agravado sentimentos de angústia, depressão, fobias e medos. O resultado é que em ao menos três cidades do Grande ABC as prefeituras registraram aumento nas demandas por consultas visando a saúde mental. São Caetano, Ribeirão Pires e Mauá realizaram, juntas, 19.157 atendimentos  de janeiro a março de 2019 – antes da crise sanitária. Dois anos depois, o número passou para 25.718 no mesmo período, aumento de 34,2%. Nas outras cidades da região não foi registrada alta na procura.

Psicóloga e coordenadora dos Caps (Centros de Atenção Psicossocial) de Ribeirão Pires, Janaína Santana Lopes explicou que as demandas que as pessoas trazem para os serviços são as mais diversas possíveis. A profissional relatou que os primeiros sintomas de que as coisas não vão bem, do ponto de vista da saúde mental, é a perda de sono, dificuldade em se alimentar e necessidade de isolamento dentro da própria casa. “Isso tem atingido de maneira importante crianças e adolescentes, que acabam procurando passar mais tempo dentro do quarto, apenas interagindo com dispositivos eletrônicos”, explicou Janaína.

A psicóloga afirmou que a necessidade de distanciamento físico, uma das principais medidas para evitar a contaminação do coronavírus, tem feito com que muitas pessoas se angustiem e se entristeçam, até por um maior contato com os próprios sentimentos. “Nessa hora o contato virtual pode amenizar, uma chamada de vídeo, conversar com os amigos. Em casa, fazer coisas que nos tragam prazer, como atividades físicas e dar atenção ao sono (estabelecer um horário para dormir e evitar eletrônicos à noite) também colaboram com a recuperação”, pontuou.

Professora de pós-graduação em psicologia hospitalar na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Flávia Teixeira avaliou que a pandemia agravou os transtornos mentais, como depressão e ansiedade, além de transtornos alimentares. Ela destaca que é preciso procurar ajuda especializada quando o indivíduo percebe que os sintomas estão tomando proporções que o impedem de executar as tarefas do dia a dia.

“A pessoa tende a não se sentir capaz de sozinha mudar seu comportamento”, explicou. A docente detalha que ignorar os sintomas apenas traz mais prejuízos para as pessoas.  “Sua saúde física e psicológica vai se deteriorando, suas relações familiares e sociais também tendem a sofrer grandes abalos, pois o indivíduo se isola, sente que nada mais faz sentido, sua baixa autoestima o faz sentir que não pertence a lugar nenhum, a grupo nenhum”, pontuou. “A depressão, em alguns casos, pode levar inclusive ao suicídio. A ajuda especializada é sempre recomendada e o quanto antes iniciar um tratamento, maior a chance de sair logo do quadro de adoecimento”, concluiu. 

Como medidas para garantir um bom estado de saúde mental, após mais de um ano de pandemia, Flávia aponta que cabe a cada um olhar para sua própria realidade, verificar os recursos possíveis, os limitantes, e daí encontrar saídas. “Procurar dormir e se alimentar de acordo com sua necessidade, manter-se ativo, diminuir o tempo nos eletrônicos, se aproximar, ainda que virtualmente, de pessoas queridas e fazer um filtro nas notícias”, orientou. “Não devemos ficar alienados ao que está acontecendo, devemos procurar fazer a nossa parte para ajudar, mas também nos poupar quando estivermos diante de algo que não podemos mudar”, concluiu a especialista. 

Municípios contam com redes estruturadas para atendimento

A porta de entrada para os atendimentos psicológicos e psiquiátricos em Santo André são as UBSs (Unidades Básicas de Saúde) ou os Caps (Centros de Atenção Psicossocial). A administração informou que a demanda tem oscilado desde o início da pandemia e no fim de 2020 observou-se o aumento da procura por atendimento. Constatou-se também casos mais graves e complexos chegando aos serviços. Os atendimentos são multidisciplinares e reúnem ações individuais, grupos, oficinas, visitas domiciliares, atenção à crise, entre outros.

Em São Bernardo, o munícipe que procura um dos serviços passa por triagem, depois é acolhido por equipe multidisciplinar. A triagem nos Caps ocorre das 8h às 19h, de segunda a sexta-feira. Não existe tempo de espera. Os atendimentos são destinados a munícipes de qualquer faixa etária, que estejam em algum tipo de sofrimento relacionado à alteração do pensamento (delírio), da percepção (alucinações) ou do comportamento (atos agressivos e inquietude), relacionados ou não ao uso de drogas. O atendimento é realizado por equipe multidisciplinar e ocorre por demanda espontânea, não sendo necessários encaminhamento nem agendamento.

O serviço de saúde mental de São Caetano realiza acolhimento diariamente por demanda espontânea sem necessidade de encaminhamento. O município conta também com equipes de saúde mental que beneficiam os munícipes no Nasf (Núcleo de Atenção à Saúde da Família) – serviço ligado à atenção básica –, que realiza identificação de demandas e acolhimentos no próprio território e em todos os outros segmentos de atendimento em saúde da rede.

Nas UBSs de Diadema, o acolhimento dos serviços de saúde ocorre mediante escuta qualificada e discussão do cuidado articulado em rede. A demanda do usuário é analisada e acolhida pela equipe de saúde, que avalia o risco e vulnerabilidade do indivíduo e da família. A equipe é orientada a realizar o monitoramento desta pessoa/família, dando suporte em tempo oportuno.  Já nos Caps é feito o acolhimento e direcionado a partir do perfil do sofrimento do munícipe para o serviço de referência com inclusão imediata. 

Mauá informou que, após a pandemia, aumentou de maneira significativa a procura pelo serviço psicossocial em todas as faixas etárias da população. Os atendimentos são realizados por equipe multiprofissional, de maneira individual ou em grupo e, durante a pandemia, o tele atendimento foi adotado nas situações possíveis. Veja os endereços dos serviços na região na arte.

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