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No ritmo atual, vacina a maior de 20 anos só em julho de 2022

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Com média de 4.044 imunizantes por dia, região vai levar mais de um ano para aplicar primeira dose na população


Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

20/04/2021 | 08:10


O Grande ABC chegou ontem ao 91º dia da vacinação contra a Covid e ainda tem longo caminho a ser percorrido para imunizar toda a população. Desde 19 de janeiro, 368.064 munícipes dos 2.121.025 acima de 20 anos que moram na região já tinham recebido a primeira dose, assim, ainda restam 1.752.961 moradores a serem contemplados. Com média diária de 4.044 vacinas, seriam necessários mais 433 dias para que o primeiro imunizante fosse aplicado na população, trabalho que, no ritmo atual, só termina em meados de julho de 2022. Considerando as duas doses, seriam necessários 920 dias, ou seja, quase três anos.

Os números são de levantamento do Diário com base em dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e do Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), que não dispõem de informações sobre a quantidade de moradores entre 18 e 20 anos, que também podem receber a vacina, o que aumentaria ainda mais os prazos.

Infectologista e fundador do IBSP (Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente), José Ribamar Branco acredita que a morosidade na aplicação das vacinas seja reflexo da falta de atuação do governo federal na pandemia, criticando as quatro mudanças no Ministério da Saúde no período de enfrentamento da doença. “O Brasil, infelizmente, conduziu esta pandemia de forma totalmente incorreta. Não tivemos uma coordenação nacional”, pontuou.

Para o especialista, o País deixou de comprar as vacinas “na época certa”. “Seria no ano passado já (a compra das doses) para que tivéssemos vacina disponível hoje. Então, foi um erro do governo federal e, se não fosse o Butantan, estaríamos hoje em situação muito pior”, reforçou, lembrando que de cada dez vacinas aplicadas no Brasil, oito são Coronavac, produzida pelo instituto paulista.

Para Branco, o ideal até que se tenha vacina para todos é buscar diminuir o número de casos da doença. “ A sociedade e o governo não têm uma estratégia de comunicação e continuamos errando. Vamos chegar a 500 mil mortos rapidamente” lamentou o médico, frisando que a saída seja instaurar lockdown de três a quatro semanas.

Presidente do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC e prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB) destacou o empenho dos sete prefeitos em acelerar o processo de vacinação. “O Grande ABC tem se mostrado, dentro do possível, eficiente na vacinação. No entanto, precisamos de mais doses e, nesse ritmo, de fato, a vacinação para o público acima de 18 anos levaria o ano inteiro”, lamentou, pontuando que o Consórcio se credenciou para todas as frentes de importação direta de imunizações e que espera o aumento da produção por parte dos laboratórios no segundo semestre.

Os municípios informaram que dependem do PNI (Programa Nacional de Imunização) do governo federal, e que a disponibilização de doses é de responsabilidade do Estado. Questionados sobre os próximos passos para avançar a vacinação, os governos estadual e federal não retornaram até o fechamento desta edição.

Ontem, o Butantan recebeu mais 3.000 litros de insumos vindos da China, que são suficientes para a produção de 5 milhões de doses da Coronavac. O instituto já entregou 40,7 milhões de doses do imunizante e até o fim do mês promete chegar aos 46 milhões que integram o primeiro contrato assinado com o Ministério da Saúde. Outras 54 milhões de doses ficarão prontas até agosto.  



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No ritmo atual, vacina a maior de 20 anos só em julho de 2022

Com média de 4.044 imunizantes por dia, região vai levar mais de um ano para aplicar primeira dose na população

Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

20/04/2021 | 08:10


O Grande ABC chegou ontem ao 91º dia da vacinação contra a Covid e ainda tem longo caminho a ser percorrido para imunizar toda a população. Desde 19 de janeiro, 368.064 munícipes dos 2.121.025 acima de 20 anos que moram na região já tinham recebido a primeira dose, assim, ainda restam 1.752.961 moradores a serem contemplados. Com média diária de 4.044 vacinas, seriam necessários mais 433 dias para que o primeiro imunizante fosse aplicado na população, trabalho que, no ritmo atual, só termina em meados de julho de 2022. Considerando as duas doses, seriam necessários 920 dias, ou seja, quase três anos.

Os números são de levantamento do Diário com base em dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e do Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), que não dispõem de informações sobre a quantidade de moradores entre 18 e 20 anos, que também podem receber a vacina, o que aumentaria ainda mais os prazos.

Infectologista e fundador do IBSP (Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente), José Ribamar Branco acredita que a morosidade na aplicação das vacinas seja reflexo da falta de atuação do governo federal na pandemia, criticando as quatro mudanças no Ministério da Saúde no período de enfrentamento da doença. “O Brasil, infelizmente, conduziu esta pandemia de forma totalmente incorreta. Não tivemos uma coordenação nacional”, pontuou.

Para o especialista, o País deixou de comprar as vacinas “na época certa”. “Seria no ano passado já (a compra das doses) para que tivéssemos vacina disponível hoje. Então, foi um erro do governo federal e, se não fosse o Butantan, estaríamos hoje em situação muito pior”, reforçou, lembrando que de cada dez vacinas aplicadas no Brasil, oito são Coronavac, produzida pelo instituto paulista.

Para Branco, o ideal até que se tenha vacina para todos é buscar diminuir o número de casos da doença. “ A sociedade e o governo não têm uma estratégia de comunicação e continuamos errando. Vamos chegar a 500 mil mortos rapidamente” lamentou o médico, frisando que a saída seja instaurar lockdown de três a quatro semanas.

Presidente do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC e prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB) destacou o empenho dos sete prefeitos em acelerar o processo de vacinação. “O Grande ABC tem se mostrado, dentro do possível, eficiente na vacinação. No entanto, precisamos de mais doses e, nesse ritmo, de fato, a vacinação para o público acima de 18 anos levaria o ano inteiro”, lamentou, pontuando que o Consórcio se credenciou para todas as frentes de importação direta de imunizações e que espera o aumento da produção por parte dos laboratórios no segundo semestre.

Os municípios informaram que dependem do PNI (Programa Nacional de Imunização) do governo federal, e que a disponibilização de doses é de responsabilidade do Estado. Questionados sobre os próximos passos para avançar a vacinação, os governos estadual e federal não retornaram até o fechamento desta edição.

Ontem, o Butantan recebeu mais 3.000 litros de insumos vindos da China, que são suficientes para a produção de 5 milhões de doses da Coronavac. O instituto já entregou 40,7 milhões de doses do imunizante e até o fim do mês promete chegar aos 46 milhões que integram o primeiro contrato assinado com o Ministério da Saúde. Outras 54 milhões de doses ficarão prontas até agosto.  

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