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Zezé Di Camargo fala sobre a morte do pai: - Já acordei várias vezes assustado em saber que ele não está mais aqui



19/04/2021 | 13:11


Nesta segunda-feira, dia 19, há exatos 30 anos, Zezé Di Camargo e Luciano lançavam É o Amor, um dos maiores sucessos da dupla! E para citar um pouco mais sobre as curiosidades da música, Zezé conversou com a colunista Fábia Oliveira. Em determinado momento, o cantor abriu o coração ao falar sobre a morte do pai. Seu Francisco morreu há cinco meses, aos 83 anos de idade:

- Tive o privilégio de viver com o meu pai os últimos meses de vida dele e isso me fez muito feliz. Claro, que eu não esperava que ele fosse embora porque eu acreditava que ele poderia ainda viver um bom tempo com a gente, mas a vida é assim e temos que estar preparados para tudo que a ela coloca no nosso caminho. São cinco meses, mas parece que foi ontem porque ainda não cicatrizou a ferida e acho que nunca vai cicatrizar. Pode diminuir o tamanho, mas é uma ferida que vai ficar aberta. A saudade aumenta a cada dia e eu vejo muito ele aqui na fazenda. Evito ao máximo de ver as minhas postagens com ele. Ainda dói muito a falta do meu pai. Já acordei várias vezes assustado em saber que ele não está mais aqui. A mesma sensação que tive com o Emival [irmão de Zezé], que morreu muito novo. O que me alenta é que eu honrei muito o meu pai e a minha mãe e que amei ele demais.

Em seguida, citou o pai novamente ao falar sobre quais outras músicas, além de É o Amor, ele considera o xodó dele:

- É muito difícil falar porque música é igual a filho e nós temos muitos sucessos, muito clássicos como Você vai ver, Pão de Mel, Sem Medo de Ser Feliz, Toma Juízo, Vem Cuidar de Mim e a grande parte das músicas é composição minha. Mas, o meu xodó no momento é uma canção que gravei com duas meninas de Uberlândia, Lorena e Rafaela, que o meu pai gostava muito de vê-las na internet. O sonho do meu pai era conhecê-las e vê-las cantando ao vivo para ele e não deu tempo. Eu mandei a música para elas, elas gravaram e que se chama O Matuto. Eu fiz para o meu pai.

Zezé, que em breve será papai junto com a companheira, Graciele Lacerda, admitiu que não imaginava que É o Amor faria esse sucesso todo:

- Quando a gente faz uma música por mais experiência que você tenha não dá para dimensionar o tamanho que ela vai ser e isso depende de vários fatores. Quando eu cantei É o Amor pela primeira vez, depois de ter levado três horas compondo desde a concepção até a última estrofe, eu sabia que tinha feito uma grande música, uma música bonita. Tanto que eu cantei várias vezes só com a minha voz e o violão e fiquei emocionado. Não tinha noção de um possível sucesso até porque era o nosso primeiro disco e a gente não tinha força na mídia. Quando você já tem sucesso e é famoso, fica mais fácil emplacar uma música. Juro que pensei que um ano depois dela aparecer e estourar, as pessoas esqueceria É o Amor, mas ela foi se perpetuando, foi virando tema de casamentos e aí vieram as regravações. Já são regravações em 14 idiomas! Eu nunca imaginei que teria uma música gravada em árabe ou russo [risos]. Não previa nada disso. Eu acho que É o Amor já passou essa coisa de sucesso, ela virou uma história na vida das pessoas.

Por fim, contou uma curiosidade sobre o momento de composição dessa música:

- Eu lembro que eu cheguei em casa da rua com a música na cabeça e esperei o povo dormir lá em casa. Aliás, a maneira que É o Amor foi concebida é uma das poucas partes do filme, Dois Filhos de Francisco, que foi ficção e não retrata o que exatamente aconteceu. Talvez por opção do diretor aquela maneira que foi colocada no filme seria mais interessante, mais emocionante. Eu compondo e a minha mulher vendendo roupas na sala e eu não conseguindo trabalhar direito e saindo de casa. Essa cena não aconteceu. Eu cheguei em casa, voltando da rua e eu tinha escutado uma música da Maria Betânia, que estava fazendo muito sucesso na época, Negue. A música ficou na minha cabeça, aquela coisa incisiva, de repetir as palavras e vê se você é capaz de me esquecer como diz a letra de Adelino Moreira. Cheguei e esperei todo mundo dormir porque eu morava em um apartamento de 45 metros quadrados e imagina com duas crianças em casa, a Wanessa e a Camilla, não dava para concentrar. Muito barulho. Me lembro que o Luciano já morava com a gente e nós íamos mostrar o repertório para a gravadora. Naquele dia, ele disse que iria me acompanhar a compor. Eu sentei no chão com o violão, um papel e o som e ele ficou deitado no sofá, mas depois desistiu e foi dormir. Eu fiquei e na parte B da música: Você é a minha doce amada, minha alegria, meu conto de fada..., eu travei. Não conseguia chegar ao refrão. Deu trabalho, mas não troquei uma palavra. A letra veio.

Demais, né?



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Zezé Di Camargo fala sobre a morte do pai: - Já acordei várias vezes assustado em saber que ele não está mais aqui


19/04/2021 | 13:11


Nesta segunda-feira, dia 19, há exatos 30 anos, Zezé Di Camargo e Luciano lançavam É o Amor, um dos maiores sucessos da dupla! E para citar um pouco mais sobre as curiosidades da música, Zezé conversou com a colunista Fábia Oliveira. Em determinado momento, o cantor abriu o coração ao falar sobre a morte do pai. Seu Francisco morreu há cinco meses, aos 83 anos de idade:

- Tive o privilégio de viver com o meu pai os últimos meses de vida dele e isso me fez muito feliz. Claro, que eu não esperava que ele fosse embora porque eu acreditava que ele poderia ainda viver um bom tempo com a gente, mas a vida é assim e temos que estar preparados para tudo que a ela coloca no nosso caminho. São cinco meses, mas parece que foi ontem porque ainda não cicatrizou a ferida e acho que nunca vai cicatrizar. Pode diminuir o tamanho, mas é uma ferida que vai ficar aberta. A saudade aumenta a cada dia e eu vejo muito ele aqui na fazenda. Evito ao máximo de ver as minhas postagens com ele. Ainda dói muito a falta do meu pai. Já acordei várias vezes assustado em saber que ele não está mais aqui. A mesma sensação que tive com o Emival [irmão de Zezé], que morreu muito novo. O que me alenta é que eu honrei muito o meu pai e a minha mãe e que amei ele demais.

Em seguida, citou o pai novamente ao falar sobre quais outras músicas, além de É o Amor, ele considera o xodó dele:

- É muito difícil falar porque música é igual a filho e nós temos muitos sucessos, muito clássicos como Você vai ver, Pão de Mel, Sem Medo de Ser Feliz, Toma Juízo, Vem Cuidar de Mim e a grande parte das músicas é composição minha. Mas, o meu xodó no momento é uma canção que gravei com duas meninas de Uberlândia, Lorena e Rafaela, que o meu pai gostava muito de vê-las na internet. O sonho do meu pai era conhecê-las e vê-las cantando ao vivo para ele e não deu tempo. Eu mandei a música para elas, elas gravaram e que se chama O Matuto. Eu fiz para o meu pai.

Zezé, que em breve será papai junto com a companheira, Graciele Lacerda, admitiu que não imaginava que É o Amor faria esse sucesso todo:

- Quando a gente faz uma música por mais experiência que você tenha não dá para dimensionar o tamanho que ela vai ser e isso depende de vários fatores. Quando eu cantei É o Amor pela primeira vez, depois de ter levado três horas compondo desde a concepção até a última estrofe, eu sabia que tinha feito uma grande música, uma música bonita. Tanto que eu cantei várias vezes só com a minha voz e o violão e fiquei emocionado. Não tinha noção de um possível sucesso até porque era o nosso primeiro disco e a gente não tinha força na mídia. Quando você já tem sucesso e é famoso, fica mais fácil emplacar uma música. Juro que pensei que um ano depois dela aparecer e estourar, as pessoas esqueceria É o Amor, mas ela foi se perpetuando, foi virando tema de casamentos e aí vieram as regravações. Já são regravações em 14 idiomas! Eu nunca imaginei que teria uma música gravada em árabe ou russo [risos]. Não previa nada disso. Eu acho que É o Amor já passou essa coisa de sucesso, ela virou uma história na vida das pessoas.

Por fim, contou uma curiosidade sobre o momento de composição dessa música:

- Eu lembro que eu cheguei em casa da rua com a música na cabeça e esperei o povo dormir lá em casa. Aliás, a maneira que É o Amor foi concebida é uma das poucas partes do filme, Dois Filhos de Francisco, que foi ficção e não retrata o que exatamente aconteceu. Talvez por opção do diretor aquela maneira que foi colocada no filme seria mais interessante, mais emocionante. Eu compondo e a minha mulher vendendo roupas na sala e eu não conseguindo trabalhar direito e saindo de casa. Essa cena não aconteceu. Eu cheguei em casa, voltando da rua e eu tinha escutado uma música da Maria Betânia, que estava fazendo muito sucesso na época, Negue. A música ficou na minha cabeça, aquela coisa incisiva, de repetir as palavras e vê se você é capaz de me esquecer como diz a letra de Adelino Moreira. Cheguei e esperei todo mundo dormir porque eu morava em um apartamento de 45 metros quadrados e imagina com duas crianças em casa, a Wanessa e a Camilla, não dava para concentrar. Muito barulho. Me lembro que o Luciano já morava com a gente e nós íamos mostrar o repertório para a gravadora. Naquele dia, ele disse que iria me acompanhar a compor. Eu sentei no chão com o violão, um papel e o som e ele ficou deitado no sofá, mas depois desistiu e foi dormir. Eu fiquei e na parte B da música: Você é a minha doce amada, minha alegria, meu conto de fada..., eu travei. Não conseguia chegar ao refrão. Deu trabalho, mas não troquei uma palavra. A letra veio.

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