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Breve reflexão sobre o que há de pior na mente humana


Rodolfo de Souza

18/04/2021 | 07:00


As TVs cobriram à exaustão a morte do menino de 4 anos que, segundo se sabe, foi brutalmente assassinado dentro da própria casa, dentro do mundo que, a princípio, fora concebido para lhe oferecer conforto e segurança. Descobriu-se, inclusive, que sua permanência aqui foi tolhida com a aquiescência de alguém que lhe deu a vida para um dia permitir que lhe fosse tomada. Muito se falou a respeito, e as pessoas assistiram, estarrecidas, ao desenrolar das investigações, sempre de olho nas duras revelações dos delegados responsáveis pelo caso.

E toda a gente se enterneceu com a história do menino que se viu castigado, dia a dia, por falta que não cometera. Revoltou-se, esse povo, ao pensar no grito silencioso da criança, na sua tristeza muda, na sua inquietação e solidão. Difícil até acreditar que o desdém com a sua causa é que o levou à morte.

Mas o pobre não atinava, nos dias em que fora submetido à tortura, com a razão de tudo aquilo, nem como acabaria. Também não lhe permitia, a sua pouca idade, buscar ajuda, fugir, quem sabe... Refugiara-se somente no seu mundo de sonhos e no aconchego do colo da única pessoa que tentou correr em seu socorro. A condição de empregada, contudo, não concedia à babá licença para se contrapor aos desatinos do patrão. Chegou a considerar, em momento de medo, a necessidade de alertar a mãe do menino, atitude que resultou inútil, uma vez que não desconfiava da sua cumplicidade.

Até aqui, como é possível notar, redijo um texto jornalístico como tantos que se perdem em meio às tragédias noticiadas cotidianamente. São casos relatados por quem vive de perto o inominável, a barbárie causada por uma molécula que veio para modificar nosso conceito sobre crise mundial, até então sempre voltada para as economias, para as ameaças terroristas, para o desenvolvimento de armas nucleares... E a tragédia pandêmica também não impediu que a maldade do ser humano, mais uma vez, se manifestasse, abocanhando recursos destinados ao setor de saúde, como forma de se buscar riqueza à custa da morte do outro. Roubos e mais roubos associados à negligência de governantes para a compra de medicamentos e vacinas denotam um grau de crueldade com poder de sabotar o sonho de uma vida melhor.

Envolto, pois, numa névoa de pensamentos acerca do caso do garoto assassinado e de casos relatados em tempos de peste, é que me lancei numa análise do perfil humano sempre propenso a promover o mal e se lambuzar dele. Não há como evitar, inclusive, a lembrança de alguém que, uma vez no comando de um país, se volta contra o seu povo, numa clara demonstração de que luta pela sua infelicidade. Sem dúvida que é parte do grupo, cujo estado de espírito, oriundo sabe-se lá de onde, torna o sujeito orgulhoso de suas atitudes agressivas. Penso até que algum gene defeituoso pode ser o responsável por tamanha degeneração.

Apontamento um tanto amador, admito, embora bem nutrido de fundamento. De outra maneira, como explicar a compulsão pela violência barata contra as mulheres, os negros, os gays, a natureza e as crianças? Como entender a mente que apela para os punhos diante do interlocutor de olhar diferente acerca das coisas da vida? Ou ainda, como compreender o que vai na cabeça de alguém que carrega o sadismo no cerne, aquele que não depende do questionamento do outro para se irritar ou que talvez execute seu plano de agressão com muita calma? Logicamente que não convém aqui elaborar um tratado para definir ou mesmo discutir o comportamento desse tipo, sob pena de enlouquecer e ainda pirar o leitor. Tudo o que nos cabe, portanto, é a perplexidade, o inconformismo e a pergunta de praxe: qual é o hormônio desgraçado que direciona a mente para a falta de escrúpulos e para a maldade crônica?



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Breve reflexão sobre o que há de pior na mente humana

Rodolfo de Souza

18/04/2021 | 07:00


As TVs cobriram à exaustão a morte do menino de 4 anos que, segundo se sabe, foi brutalmente assassinado dentro da própria casa, dentro do mundo que, a princípio, fora concebido para lhe oferecer conforto e segurança. Descobriu-se, inclusive, que sua permanência aqui foi tolhida com a aquiescência de alguém que lhe deu a vida para um dia permitir que lhe fosse tomada. Muito se falou a respeito, e as pessoas assistiram, estarrecidas, ao desenrolar das investigações, sempre de olho nas duras revelações dos delegados responsáveis pelo caso.

E toda a gente se enterneceu com a história do menino que se viu castigado, dia a dia, por falta que não cometera. Revoltou-se, esse povo, ao pensar no grito silencioso da criança, na sua tristeza muda, na sua inquietação e solidão. Difícil até acreditar que o desdém com a sua causa é que o levou à morte.

Mas o pobre não atinava, nos dias em que fora submetido à tortura, com a razão de tudo aquilo, nem como acabaria. Também não lhe permitia, a sua pouca idade, buscar ajuda, fugir, quem sabe... Refugiara-se somente no seu mundo de sonhos e no aconchego do colo da única pessoa que tentou correr em seu socorro. A condição de empregada, contudo, não concedia à babá licença para se contrapor aos desatinos do patrão. Chegou a considerar, em momento de medo, a necessidade de alertar a mãe do menino, atitude que resultou inútil, uma vez que não desconfiava da sua cumplicidade.

Até aqui, como é possível notar, redijo um texto jornalístico como tantos que se perdem em meio às tragédias noticiadas cotidianamente. São casos relatados por quem vive de perto o inominável, a barbárie causada por uma molécula que veio para modificar nosso conceito sobre crise mundial, até então sempre voltada para as economias, para as ameaças terroristas, para o desenvolvimento de armas nucleares... E a tragédia pandêmica também não impediu que a maldade do ser humano, mais uma vez, se manifestasse, abocanhando recursos destinados ao setor de saúde, como forma de se buscar riqueza à custa da morte do outro. Roubos e mais roubos associados à negligência de governantes para a compra de medicamentos e vacinas denotam um grau de crueldade com poder de sabotar o sonho de uma vida melhor.

Envolto, pois, numa névoa de pensamentos acerca do caso do garoto assassinado e de casos relatados em tempos de peste, é que me lancei numa análise do perfil humano sempre propenso a promover o mal e se lambuzar dele. Não há como evitar, inclusive, a lembrança de alguém que, uma vez no comando de um país, se volta contra o seu povo, numa clara demonstração de que luta pela sua infelicidade. Sem dúvida que é parte do grupo, cujo estado de espírito, oriundo sabe-se lá de onde, torna o sujeito orgulhoso de suas atitudes agressivas. Penso até que algum gene defeituoso pode ser o responsável por tamanha degeneração.

Apontamento um tanto amador, admito, embora bem nutrido de fundamento. De outra maneira, como explicar a compulsão pela violência barata contra as mulheres, os negros, os gays, a natureza e as crianças? Como entender a mente que apela para os punhos diante do interlocutor de olhar diferente acerca das coisas da vida? Ou ainda, como compreender o que vai na cabeça de alguém que carrega o sadismo no cerne, aquele que não depende do questionamento do outro para se irritar ou que talvez execute seu plano de agressão com muita calma? Logicamente que não convém aqui elaborar um tratado para definir ou mesmo discutir o comportamento desse tipo, sob pena de enlouquecer e ainda pirar o leitor. Tudo o que nos cabe, portanto, é a perplexidade, o inconformismo e a pergunta de praxe: qual é o hormônio desgraçado que direciona a mente para a falta de escrúpulos e para a maldade crônica?

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