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Região supera marca de 150 mil pacientes recuperados da Covid

André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Mesmo após deixarem hospital, muitos infectados ainda precisam de apoio em ambulatórios especializados para finalizar a reabilitação


Yasmin Assagra
Do Diário do Grande ABC

10/04/2021 | 11:21


O Grande ABC superou ontem a marca de 150 mil pessoas recuperadas da Covid, entre os 163.361 moradores da região que já foram infectados desde o início da pandemia. Com os boletins divulgados pelas prefeituras, o total de altas médicas chegou a 150.904. Outros 5.992 pacientes não resistiram e morreram e os demais, 6.465, seguem em recuperação da doença nos centros médicos ou em casa.

Boa parte dos que se livram da doença precisa de ajuda para retomar a rotina. Alguns têm de recorrer a acompanhamentos de especialistas como fisioterapeutas, psicólogos e cardiologistas. Cerca de 1.400 pacientes já tiveram de usar esses serviços especializados, que são chamados pós-Covid.

Morador do bairro Boa Vista, em São Caetano, o aposentado Gerci Francisco da Silva, 78 anos, iniciou acompanhamento no ambulatório da cidade, em outubro, após ficar sete dias entubado. Sua filha, a professora Kátia Regina Silva, 41, e sua mulher, a aposentada Hermínia Lúcia, 68, acompanharam o quadro de Gerci e lembram que todos da casa, com exceção do filho Marcos, testaram positivo para a doença, mas ele foi quem mais sofreu com os sintomas.

“Na primeira vez que meu pai fez os exames, o pulmão havia sido atingido em 25%, não era caso de internação. Porém, a situação piorou. Dias depois ele precisou ser internado no (Hospital Municipal) Maria Braido, já com o pulmão muito comprometido”, lembra Kátia. O aposentado ficou 30 dias internado e sete entubado e, após o período mais grave, Gerci, segundo a filha, sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral).

Após a alta, no dia 1º de outubro o aposentado precisou de auxílio de oxigênio em casa, oferecido pela Prefeitura, e depois iniciou o tratamento no Centro de Reabilitação Pós-Covid com sessões de fisioterapia. Por conta do AVC, até hoje, Gerci segue em acompanhamento com o pneumologista, cardiologista e neurologista. “Ele está quase de alta. A recuperação avançou muito e, talvez, sem a ajuda do centro de reabilitação ele não teria conseguido. Foi fase difícil e acho que foi um milagre de Deus”, comenta Kátia.

De acordo com a médica do ambulatório pós-Covid e do Complexo Hospitalar Maria Braido, Cláudia Cristina Ortiz, a Covid atinge, além do sistema respiratório, outras partes do corpo. Segundo ela, a fadiga representa quase 60% dos casos de sequelas. A fraqueza muscular também é comum, segundo ela, principalmente quando o quadro do paciente foi bem grave e precisou ficar acamado.

“Além disso, vemos pacientes que não sentem cheiro ou gosto, ou, muitas vezes, estão com alteração paladar. Dor de cabeça forte e até alteração de memória. A Covid pode causar ansiedade e depressão, já que é doença solitária”, explica Cláudia.

A especialista destaca que as sequelas podem permanecer de quatro a seis meses, dependendo de como foi o quadro do paciente. Isso, Cláudia observa por meio do Centro de Reabilitação Pós-Covid, onde muitos pacientes que passaram pela doença em março ou abril do ano passado foram chamados para avaliação no serviço.

“Esse suporte multidisciplinar é fundamental. Infelizmente, muitos pacientes nos perguntam se, por exemplo, o paladar vai voltar e quando isso vai acontecer. Não sabemos responder isso, tudo é muito novo. Mas levamos para o tratamento o máximo de confiança de que ele (o paciente) passará por isso”, finaliza.  

Seis cidades têm serviços para atendimento após alta médica

Seis das sete cidades da região criaram, ainda no ano passado, serviços especializados para atender pós-Covid.

O primeiro foi aberto em Ribeirão Pires, em setembro, no Serviço de Atenção Especializado, no Centro. O ambulatório acolhe pacientes encaminhados após alta do hospital de campanha e da rede particular. Segundo a Prefeitura, o acompanhamento pode durar de três a seis meses, podendo ser estendido conforme demanda. Estão à disposição psicólogos, fisioterapeutas, cardiologista e nefrologista. Pelo menos 171 pacientes passaram pelo ambulatório. 

Em seguida, em outubro, São Caetano inaugurou o Ambulatório Pós-Covid, no Barcelona. O munícipe pode ser encaminhado pelo programa Disque Coronavírus ou pelas UBSs (Unidades Básicas de Saúde). A administração informou que os moradores passam por consultas e são encaminhados aos especialistas, como nutricionistas, fisioterapeutas e psicólogos. Foram 1.268 agendamentos até agora. A cidade tem parceria com a USCS (Universidade Municipal de São Caetano), na qual o paciente recebe auxílio dos profissionais, principalmente para as sessões de fisioterapia e consultas com pneumologista.

Também em outubro, Diadema abriu o CER (Centro Especializado em Reabilitação), Física e Auditiva, no qual pelo menos 46 pacientes foram encaminhados com sequelas de pós-Covid para atendimento em fisioterapia respiratória, fisioterapia neurológica e ortopédica. 

Mauá possui o CER (Centro de Reabilitação) IV para acompanhamento dos munícipes. A ideia é que o paciente de alta seja acompanhado primeiro pela atenção básica da cidade e, depois, encaminhado para o CER. 

Santo André está em fase final de implantação do serviço de reabilitação para pacientes que ficaram com sequelas respiratórias. Por enquanto, todo serviço de saúde da cidade fica disponível para atender pacientes com sequelas da Covid por meio de monitoramento da Secretaria de Saúde

São Bernardo oferece tratamento pós-Covid na rede municipal. Rio Grande da Serra não respondeu à demanda até o fechamento da edição.



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Região supera marca de 150 mil pacientes recuperados da Covid

Mesmo após deixarem hospital, muitos infectados ainda precisam de apoio em ambulatórios especializados para finalizar a reabilitação

Yasmin Assagra
Do Diário do Grande ABC

10/04/2021 | 11:21


O Grande ABC superou ontem a marca de 150 mil pessoas recuperadas da Covid, entre os 163.361 moradores da região que já foram infectados desde o início da pandemia. Com os boletins divulgados pelas prefeituras, o total de altas médicas chegou a 150.904. Outros 5.992 pacientes não resistiram e morreram e os demais, 6.465, seguem em recuperação da doença nos centros médicos ou em casa.

Boa parte dos que se livram da doença precisa de ajuda para retomar a rotina. Alguns têm de recorrer a acompanhamentos de especialistas como fisioterapeutas, psicólogos e cardiologistas. Cerca de 1.400 pacientes já tiveram de usar esses serviços especializados, que são chamados pós-Covid.

Morador do bairro Boa Vista, em São Caetano, o aposentado Gerci Francisco da Silva, 78 anos, iniciou acompanhamento no ambulatório da cidade, em outubro, após ficar sete dias entubado. Sua filha, a professora Kátia Regina Silva, 41, e sua mulher, a aposentada Hermínia Lúcia, 68, acompanharam o quadro de Gerci e lembram que todos da casa, com exceção do filho Marcos, testaram positivo para a doença, mas ele foi quem mais sofreu com os sintomas.

“Na primeira vez que meu pai fez os exames, o pulmão havia sido atingido em 25%, não era caso de internação. Porém, a situação piorou. Dias depois ele precisou ser internado no (Hospital Municipal) Maria Braido, já com o pulmão muito comprometido”, lembra Kátia. O aposentado ficou 30 dias internado e sete entubado e, após o período mais grave, Gerci, segundo a filha, sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral).

Após a alta, no dia 1º de outubro o aposentado precisou de auxílio de oxigênio em casa, oferecido pela Prefeitura, e depois iniciou o tratamento no Centro de Reabilitação Pós-Covid com sessões de fisioterapia. Por conta do AVC, até hoje, Gerci segue em acompanhamento com o pneumologista, cardiologista e neurologista. “Ele está quase de alta. A recuperação avançou muito e, talvez, sem a ajuda do centro de reabilitação ele não teria conseguido. Foi fase difícil e acho que foi um milagre de Deus”, comenta Kátia.

De acordo com a médica do ambulatório pós-Covid e do Complexo Hospitalar Maria Braido, Cláudia Cristina Ortiz, a Covid atinge, além do sistema respiratório, outras partes do corpo. Segundo ela, a fadiga representa quase 60% dos casos de sequelas. A fraqueza muscular também é comum, segundo ela, principalmente quando o quadro do paciente foi bem grave e precisou ficar acamado.

“Além disso, vemos pacientes que não sentem cheiro ou gosto, ou, muitas vezes, estão com alteração paladar. Dor de cabeça forte e até alteração de memória. A Covid pode causar ansiedade e depressão, já que é doença solitária”, explica Cláudia.

A especialista destaca que as sequelas podem permanecer de quatro a seis meses, dependendo de como foi o quadro do paciente. Isso, Cláudia observa por meio do Centro de Reabilitação Pós-Covid, onde muitos pacientes que passaram pela doença em março ou abril do ano passado foram chamados para avaliação no serviço.

“Esse suporte multidisciplinar é fundamental. Infelizmente, muitos pacientes nos perguntam se, por exemplo, o paladar vai voltar e quando isso vai acontecer. Não sabemos responder isso, tudo é muito novo. Mas levamos para o tratamento o máximo de confiança de que ele (o paciente) passará por isso”, finaliza.  

Seis cidades têm serviços para atendimento após alta médica

Seis das sete cidades da região criaram, ainda no ano passado, serviços especializados para atender pós-Covid.

O primeiro foi aberto em Ribeirão Pires, em setembro, no Serviço de Atenção Especializado, no Centro. O ambulatório acolhe pacientes encaminhados após alta do hospital de campanha e da rede particular. Segundo a Prefeitura, o acompanhamento pode durar de três a seis meses, podendo ser estendido conforme demanda. Estão à disposição psicólogos, fisioterapeutas, cardiologista e nefrologista. Pelo menos 171 pacientes passaram pelo ambulatório. 

Em seguida, em outubro, São Caetano inaugurou o Ambulatório Pós-Covid, no Barcelona. O munícipe pode ser encaminhado pelo programa Disque Coronavírus ou pelas UBSs (Unidades Básicas de Saúde). A administração informou que os moradores passam por consultas e são encaminhados aos especialistas, como nutricionistas, fisioterapeutas e psicólogos. Foram 1.268 agendamentos até agora. A cidade tem parceria com a USCS (Universidade Municipal de São Caetano), na qual o paciente recebe auxílio dos profissionais, principalmente para as sessões de fisioterapia e consultas com pneumologista.

Também em outubro, Diadema abriu o CER (Centro Especializado em Reabilitação), Física e Auditiva, no qual pelo menos 46 pacientes foram encaminhados com sequelas de pós-Covid para atendimento em fisioterapia respiratória, fisioterapia neurológica e ortopédica. 

Mauá possui o CER (Centro de Reabilitação) IV para acompanhamento dos munícipes. A ideia é que o paciente de alta seja acompanhado primeiro pela atenção básica da cidade e, depois, encaminhado para o CER. 

Santo André está em fase final de implantação do serviço de reabilitação para pacientes que ficaram com sequelas respiratórias. Por enquanto, todo serviço de saúde da cidade fica disponível para atender pacientes com sequelas da Covid por meio de monitoramento da Secretaria de Saúde

São Bernardo oferece tratamento pós-Covid na rede municipal. Rio Grande da Serra não respondeu à demanda até o fechamento da edição.

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