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Internações caem, mas Grande ABC ainda tem fila para leitos

Claudinei Plaza/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Prefeituras alegam que pacientes precisam de atendimentos que cidades não ofertam; advogados apontam morosidade nas transferências


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

07/04/2021 | 22:03


O Grande ABC segue registrando pequenas quedas no número de pacientes internados para tratamento de Covid-19, no entanto, ainda existem pessoas aguardando na fila de internação da Cross (Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde), administrada pelo Governo do Estado de São Paulo. Hoje, de acordo com os boletins epidemiológicos diários das prefeituras, havia 1.722 pessoas internadas na região. Há 15 dias, eram 1.859, recuo de 7%. No entanto, também na data de hoje, 58 pessoas esperavam por um leito. Ontem, o número era de 80 pacientes.

Prefeituras e advogados que lidam com a questão da judicialização da saúde - quando as pessoas recorrem à decisões judiciais para conseguir internações e outros tipos de atendimento – têm explicações distintas para esse fenômeno: menor ocupação dos leitos, mas persistente fila de espera. As justificativas vão desde a necessidade de atendimentos específicos até falhas no sistema de regulação, que ocorre no âmbito estadual.

Cidade com o maior número de pessoas aguardando por um leito, 20 no total, mas com ocupação de 100% na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e de 97% na enfermaria, Diadema explicou que os pacientes são inseridos na plataforma Cross quando há a necessidade de determinado recurso e para o processo de regulação são levados em consideração o quadro clínico e o tipo de recurso que o paciente necessita. “Vale ressaltar que todo o processo é baseado em protocolos médicos e com avaliação de médicos reguladores”, destacou nota da Secretaria de Saúde do município.

A Secretaria de Saúde de São Bernardo, cidade que tem 13 pacientes aguardando por leitos de UTI (a ocupação ontem era de 97% na UTI e 66% na enfermaria), informou por meio de nota que todos os pacientes com necessidade de internação entram para a fila da Cross, que regula todos os leitos Covid-19 no Estado e avalia, caso a caso, a prioridade das transferências, conforme a disponibilidade. Segundo o comunicado, entre os critérios avaliados está a estabilidade do paciente para a transferência, os recursos de tratamento que esse paciente precisa e se os mesmos serão oferecidos no hospital que possui uma vaga disponível (como hemodiálise, por exemplo). “Há ainda a necessidade de limpeza terminal do leito antes que seja ocupado por outro paciente, bem como o risco de atingir 100% de ocupação dos leitos de UTI e um paciente que está na enfermaria ter seu quadro agravado, sem possibilidade de transferência dentro do hospital em que já está em tratamento”, completou a nota.

Em Ribeirão Pires, três pessoas aguardam por leitos de UTI. A cidade tem 71% de ocupação em leitos de emergência e 65% em enfermarias. O município está saindo de um período crítico, em que o sistema de saúde chegou a atingir a sua capacidade máxima e ontem conseguiu absorver, novamente, moradores de cidades vizinhas. O secretário de Saúde, Audrei Rocha, explicou que cada paciente tem a sua necessidade e que quando há vagas, mas ainda assim, há espera, é porque o município não dispõe do atendimento exigido, seja por algum equipamento, seja um procedimento de alta complexidade. “É importante destacar que em momento nenhum a pessoa fica desassistida”, frisou.

Mauá tem 11 pacientes na fila de espera, nove para UTI e dois para enfermaria. A cidade tem 78% de ocupação nas duas modalidades de leitos. Em São Caetano, 12 pessoas aguardam por hospitalizações, sendo oito para UTI e quatro para enfermarias. A ocupação na cidade é de 77% para UTI e 66,5% para enfermaria. As cidades não responderam os questionamentos da reportagem. Rio Grande da Serra, que não conta com leitos de internação, tem três pessoas na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da cidade aguardando por internação em UTI. Santo André não tem fila de espera para leitos.


Para juristas, faltam agilidade e gestão centralizada contra a pandemia

Especialista em direito civil, Benedito Villela explicou que a Cross (Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde) visa otimizar a troca de informações e os direcionamento de pacientes e que em algumas vezes, ainda que haja o leito disponível, pode não haver todos os insumos necessários, como respiradores ou kits para entubação, por exemplo. Vilela destacou que a falta de uma coordenação central no combate à pandemia no Brasil agrava a situação e tem colocado a população em situação crítica.

Especialista em direito dos vulneráveis, Marcelo Valio apontou que a pandemia tem exigido da Cross uma agilidade que o sistema não tem conseguido ofertar e que isso leva muitos familiares a judicializar a busca por leitos, por meio do MP (Ministério Público), Defensoria Pública ou advogados particulares. Para Valio, as prefeituras devem sempre priorizar a defesa da vida, no caso de demora na regulação não dar conta da sua própria disponibilidade de vagas.

Questionada sobre porque em algumas cidades há vagas disponíveis, mas mesmo assim, filas de espera para leitos, em 23 de março, a assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo informou, pelo telefone, que essa questão deveria ser debatida com os municípios. 



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Internações caem, mas Grande ABC ainda tem fila para leitos

Prefeituras alegam que pacientes precisam de atendimentos que cidades não ofertam; advogados apontam morosidade nas transferências

Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

07/04/2021 | 22:03


O Grande ABC segue registrando pequenas quedas no número de pacientes internados para tratamento de Covid-19, no entanto, ainda existem pessoas aguardando na fila de internação da Cross (Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde), administrada pelo Governo do Estado de São Paulo. Hoje, de acordo com os boletins epidemiológicos diários das prefeituras, havia 1.722 pessoas internadas na região. Há 15 dias, eram 1.859, recuo de 7%. No entanto, também na data de hoje, 58 pessoas esperavam por um leito. Ontem, o número era de 80 pacientes.

Prefeituras e advogados que lidam com a questão da judicialização da saúde - quando as pessoas recorrem à decisões judiciais para conseguir internações e outros tipos de atendimento – têm explicações distintas para esse fenômeno: menor ocupação dos leitos, mas persistente fila de espera. As justificativas vão desde a necessidade de atendimentos específicos até falhas no sistema de regulação, que ocorre no âmbito estadual.

Cidade com o maior número de pessoas aguardando por um leito, 20 no total, mas com ocupação de 100% na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e de 97% na enfermaria, Diadema explicou que os pacientes são inseridos na plataforma Cross quando há a necessidade de determinado recurso e para o processo de regulação são levados em consideração o quadro clínico e o tipo de recurso que o paciente necessita. “Vale ressaltar que todo o processo é baseado em protocolos médicos e com avaliação de médicos reguladores”, destacou nota da Secretaria de Saúde do município.

A Secretaria de Saúde de São Bernardo, cidade que tem 13 pacientes aguardando por leitos de UTI (a ocupação ontem era de 97% na UTI e 66% na enfermaria), informou por meio de nota que todos os pacientes com necessidade de internação entram para a fila da Cross, que regula todos os leitos Covid-19 no Estado e avalia, caso a caso, a prioridade das transferências, conforme a disponibilidade. Segundo o comunicado, entre os critérios avaliados está a estabilidade do paciente para a transferência, os recursos de tratamento que esse paciente precisa e se os mesmos serão oferecidos no hospital que possui uma vaga disponível (como hemodiálise, por exemplo). “Há ainda a necessidade de limpeza terminal do leito antes que seja ocupado por outro paciente, bem como o risco de atingir 100% de ocupação dos leitos de UTI e um paciente que está na enfermaria ter seu quadro agravado, sem possibilidade de transferência dentro do hospital em que já está em tratamento”, completou a nota.

Em Ribeirão Pires, três pessoas aguardam por leitos de UTI. A cidade tem 71% de ocupação em leitos de emergência e 65% em enfermarias. O município está saindo de um período crítico, em que o sistema de saúde chegou a atingir a sua capacidade máxima e ontem conseguiu absorver, novamente, moradores de cidades vizinhas. O secretário de Saúde, Audrei Rocha, explicou que cada paciente tem a sua necessidade e que quando há vagas, mas ainda assim, há espera, é porque o município não dispõe do atendimento exigido, seja por algum equipamento, seja um procedimento de alta complexidade. “É importante destacar que em momento nenhum a pessoa fica desassistida”, frisou.

Mauá tem 11 pacientes na fila de espera, nove para UTI e dois para enfermaria. A cidade tem 78% de ocupação nas duas modalidades de leitos. Em São Caetano, 12 pessoas aguardam por hospitalizações, sendo oito para UTI e quatro para enfermarias. A ocupação na cidade é de 77% para UTI e 66,5% para enfermaria. As cidades não responderam os questionamentos da reportagem. Rio Grande da Serra, que não conta com leitos de internação, tem três pessoas na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da cidade aguardando por internação em UTI. Santo André não tem fila de espera para leitos.


Para juristas, faltam agilidade e gestão centralizada contra a pandemia

Especialista em direito civil, Benedito Villela explicou que a Cross (Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde) visa otimizar a troca de informações e os direcionamento de pacientes e que em algumas vezes, ainda que haja o leito disponível, pode não haver todos os insumos necessários, como respiradores ou kits para entubação, por exemplo. Vilela destacou que a falta de uma coordenação central no combate à pandemia no Brasil agrava a situação e tem colocado a população em situação crítica.

Especialista em direito dos vulneráveis, Marcelo Valio apontou que a pandemia tem exigido da Cross uma agilidade que o sistema não tem conseguido ofertar e que isso leva muitos familiares a judicializar a busca por leitos, por meio do MP (Ministério Público), Defensoria Pública ou advogados particulares. Para Valio, as prefeituras devem sempre priorizar a defesa da vida, no caso de demora na regulação não dar conta da sua própria disponibilidade de vagas.

Questionada sobre porque em algumas cidades há vagas disponíveis, mas mesmo assim, filas de espera para leitos, em 23 de março, a assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo informou, pelo telefone, que essa questão deveria ser debatida com os municípios. 

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