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Auxílio equivale a apenas 28,75% da cesta básica

Pixabay Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Terceira fase do benefício começa a ser paga hoje, no valor de R$ 250, equivalente a R$ 8,33 por dia para alimentos


Flavia Kurotori
Do Diário do Grande ABC

06/04/2021 | 00:01


Começa hoje o pagamento da terceira fase do auxílio emergencial, que será concedido em quatro parcelas de R$ 250 cada. Ainda que o benefício seja um alento a famílias que tiveram a renda comprometida durante a pandemia, a quantia sequer cobre as despesas da cesta básica. Isso porque o kit com itens básicos de alimentação e higiene custa, em média, R$ 869,51 no Grande ABC, segundo pesquisa da Craisa (Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André), ou seja, a ajuda financeira equivale a apenas 28,7% da despesa. Vale lembrar que para quem vive sozinho, o benefício é de R$ 150, enquanto mulheres que são chefes de família têm direito a R$ 375.

Para se ter ideia, caso a família dependa apenas do auxílio, ela terá R$ 8,33 por dia para se alimentar. Com este valor, é possível comprar menos que um bife, menos que meio copo de leite, uma concha e meia de feijão, três colheres de arroz, menos que um quarto de xícara de farinha, meia batata, um tomate, um pão francês e meio, menos de meia xícara de café, uma banana, quatro colheres de açúcar, duas colheres de óleo e menos de uma colher de manteiga, excluindo outros gastos como gás, água e luz. O levantamento, feito pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), considera a Pesquisa Nacional da Cesta Básica, cujo parâmetro é uma família de quatro pessoas, sendo dois adultos e duas crianças.

Sandro Maskio, coordenador do Observatório Econômico da Universidade Metodista, avalia que ter o auxílio, mesmo que o valor seja abaixo do esperado, é melhor do que não disponibilizar benefícios à população. Porém, quanto menor o valor, menor o impacto social. “O fato de termos o auxilio menor frente ao aumento dos custos da cesta básica (alta de R$ 9,91 – 1,15% – em março ante fevereiro e de R$ 188,81 – 27,74% – no último ano) aponta uma queda ainda maior do poder de compra entre as famílias mais vulneráveis. O efeito na redução da vulnerabilidade será menor.” 

Ao contrário do ocorrido no início do pagamento do auxílio emergencial de R$ 600 em abril de 2020, a redução do valor e do número de beneficiários (leia mais abaixo) não deve aumentar a demanda de itens de primeira necessidade, aumentando os preços. “No começo da pandemia, as pessoas correram para o supermercado e estocaram por medo de desabastecimento. (Isso) Provocou inflação dos produtos básicos, o que não acontece agora. As pessoas estão com muito mais apego ao pouco dinheiro que têm, ele vai da mão para boca. Ninguém vai estocar arroz”, analisa Fábio Vezzá De Benedetto, engenheiro agrônomo da Craisa. Para ele, o orçamento apertado pode contribuir para que o varejo segure o preço dos insumos de primeira necessidade.

Os especialistas acrescentam que, atualmente, a desvalorização do real em relação ao dólar é o principal responsável pela alta dos alimentos. Ontem, a cotação do dólar comercial encerrou a R$ 5,53. “O câmbio tem efeito duplo. Primeiro, o custo da importação de fertilizantes no setor agrícola, por exemplo, e segundo, o dólar nesta casa torna muito mais lucrativo para os grandes produtores exportar seus produtos, diminuindo a oferta para o mercado interno”, explica Maskio. “Normalmente, o que influencia muito é a questão de safra, mas hoje, isso não tem tanta importância”, completa De Benedetto.

Parcelas são menores do que há um ano

A terceira fase do auxílio emergencial, que começa a ser paga hoje, dá direito a quatro parcelas de R$ 250 às pessoas que tiveram a renda comprometida em razão da pandemia do novo coronavírus. Após três meses de debate entre o ministro da Economia Paulo Guedes, Congresso e Senado, o valor foi reduzido visando não comprometer os cofres públicos. O programa pagou na primeira etapa, entre abril e agosto, R$ 600 e, de setembro a dezembro, a ajuda financeira foi de R$ 300.

No ano passado, as mulheres chefes de família podiam acumular duas cotas do benefício durante a concessão do auxílio emergencial em 2020. Agora, elas têm direito a R$ 375. Ao mesmo tempo, as pessoas que vivem sozinhas receberão R$ 150. O pagamento será feito de acordo com o mês de aniversário, sendo que os nascidos em dezembro terão a primeira parcela liberada no dia 30.

Algumas regras também mudaram. Entre elas, o fato de que não foi possível se cadastrar, ou seja, apenas pessoas que já haviam requisitado o benefício em 2020 foram consideradas. Além disso, indivíduos que exercem atividades como estágio e residência médica ou é bolsista em programas de pesquisa não foram aprovados. 

Por causa das alterações, houve redução do número de beneficiários. Na região, aproximadamente 702 mil pessoas receberam as quantias, enquanto desta vez, cerca de 351 mil poderão sacar os valores. A estimativa foi feita pelo Diário com base em dados do Ministério da Cidadania.



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