Virada Paulista Público majoritariamente composto por pessoas que iam ver shows específicos foi a marca da Virada Cultural Paulista em Santo André. Sem muito trânsito de uma atração para a outra - até por conta das distâncias entre os três palcos de atrações - a maioria das pessoas da plateia optava por ver apenas uma atração: a que gostava mais.
A abertura ficou por conta da SP Cia de Teatro, que levou ao palco do Teatro Municipal de Santo André três coreografias do seu repertório. Pouco mais de 160 pessoas ocupavam a plateia. Todos foram convidados a ficar para ver mais apresentações de dança após o fim do espetáculo, já que a intervenção ‘Descabido', do Núcleo Cinematográfico de Dança, exibido no saguão, não deixou a espera por outro evento esfriar o ânimo dos presentes.
Mesmo assim o apelo foi baixo, e cerca de 50 pessoas seguraram o lugar para ver a apresentação de ‘Todas as Tardes', da Silvia Geraldi Cia de Dança.
No Parque Antônio Flaquer, o Ipiranguinha, o público se aquecia com atrações como Caju e Castanha e Duo Siri Recheado - que fazia releituras de clássicos da MPB com pegada de samba. A espera era pela grande atração da noite: Funk Como Le Gusta. A banda entrou no palco com uma hora de atraso (o show estava previsto para começar às 22h30).
Animado, o grupo pegou a plateia concentrada e cheia, disposta a balançar. Famílias e jovens compunham o público do espetáculo. Pelo parque, crianças, casais e amigos passeavam livremente sob a segurança da Polícia Militar e da Guarda Civil Municipal.
"Nem sabia o que estava acontecendo. Vi o parque cheio e a polícia presente e resolvi entrar para aproveitar", disse José Mesquita, que estava acompanhado de Isabel Cristina.
No Sesc Santo André, pouco depois das 22h de sábado, Maria Alcina subiu ao palco para prestigiar Luiz Gonzaga com show só de interpretações do Rei do Baião. "Tô quentinha", dizia a cantora logo depois de entoar um forró, um xote ou um xaxado. Um animado convite para que todos se levantassem da cadeira para dançar junto com ela.
Cerca de 100 pessoas assistiam à cantora, entre os quais Bruno Assis de Oliveira e Regiane de Moura Macedo, de São Bernardo. O casal, animado com a programação da Virada, decidiu não peregrinar por outra cidade que não Santo André, mesmo apetecido com a apresentação da banda Blues Etílicos, em Diadema. "Não tem estrutura que garanta o acesso de pessoas a todos os lugares. Não está com clima de Virada, a programação deveria estar mais concentrada para termos opção de ver mais coisas", declarou Regiane.
No Teatro Municipal, pouco antes da meia-noite, muitos jovens já faziam fila para ver a apresentação de Tié. A cantora voltou a Santo André dois meses depois de sua última apresentação para divulgar seu último disco, ‘A Coruja e O Coração'. Enquanto viam ‘Descabido', que fez quatro apresentações no saguão do espaço, muitos aproveitavam para se aquecer com os vinhos que eram vendidos no café do teatro.
Quando o relógio soou à 1h, cansada de esperar, Vanessa Godoy, de São Bernardo, se juntou às amigas e foi embora da fila. "Cansamos de esperar. Estamos aqui há uma hora e meia. Se fosse em São Paulo, pelo menos teríamos outra opção de show rolando para ver", disse, bastante desanimada.
Atrasada 45 minutos, a cantora começou uma apresentação sonolenta. Problemas de som incomodaram no início e ela chegou a esperar alguns (muitos) segundos, em determinado momento, até que um técnico ligasse um dos seus microfones. O show foi curto, o bis teve uma música só e muitos pedidos do público recusados pela cantora, que alegava não saber mais cantar suas próprias músicas.
Na saída, todos foram pegos de assalto, novamente, por 'Descabido'. Muitos resolveram ficar, beber mais vinho, conversar e aproveitar que havia um lugar ao abrigo do frio para confraternizar. A maioria dos que ficaram entrou para o stand-up de Claudio Torres Gonzaga, que começou não muito depois do horário prometido, às 2h30.
Animado, o humorista arrancou sorrisos da plateia pela simpatia. Desconhecido de muitos, ele entrou no palco fazendo pacto com todos, pedindo para que, quando fizesse silêncio, eles rissem, porque era o fim da piada. Logo ele emendou para brincadeira sobre os diferentes tipos de risada.
"É bom passar uma noite dessas com várias coisas diferentes acontecendo, algo raro aqui no Grande ABC", disse Juliana Santos, de Santo André.
DOMINGO - O domingo começou morno na cidade. No Teatro Municipal de Santo André, a única atração da manhã, que era 'TV Sem Controle', comédia para adultos e crianças da Cia Asfalto de Poesia, não pode ser exibida por problemas no fornecimento de energia no espaço.
Os artistas da trupe foram convidados a apresentar o espetáculo fora do teatro, mas não aceitaram porque a peça usa bastante apoio de luz e som. No fim das contas, se encontraram com crianças e pais para contar e encenar outras histórias no saguão do espaço.
Os problemas com a luz duraram até o meio da tarde. A apresentação da banda Lama Negra, prometida para as 13h30, foi cancelada. E houve bastante atraso.
Em seguida, quem entrou em cena foi a Palhaça Rubra, que apresentou números bem-humorados para pessoas de todas as idades.
Cerca de dez pessoas, às 16h30, esperavam pela última atração do dia, o show da cantora Márcia Castro. Era mais de 17h30 e a apresentação ainda não havia começado, nem a plateia aumentado.No Ipiranguinha, a Orquestra Brasileira de Música Jamaicana agradou público eclético com suas fusões de gênero e muito balanço. O espaço em frente ao palco estava cheio, mas mesmo assim todos encontraram lugar para dançar. Ao fim da apresentação, pouco depois das 17h30, a concentração diluiu-se, e os técnicos do evento começaram a arrumar o palco para o último show: Sandália de Prata e Jair Rodrigues.
Cinquenta minutos depois do horário estabelecido (18h), o show começou. Muita gente, cansada de esperar, se animou logo nos primeiros acordes. "É ruim esperar, mas é melhor do que ficar em casa sem fazer nada", decladou Maria Aparecida Mota, de São Bernardo, uma das mais animadas no encerramento da Virada andreense.
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