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Livro explica, em uma aventura distópica, como é viver no corpo de uma mulher



08/03/2021 | 14:29


Pensar 15 vezes antes de escolher uma roupa para sair. Não pela questão estética, mas por medo de ser assediada. Ser reféns da 'ditadura da beleza', em que os corpos femininos são tratados como objetos sexuais. Nesta segunda-feira, 8, Dia Internacional da Mulher, o que elas menos querem são flores ou chocolates. Dá para começar bem se forem ouvidas e suas opiniões respeitadas.

Lutar contra crenças como aquelas que colocam a mulher em um papel secundário nas relações, a exemplo de expressões como "por trás de um grande homem sempre tem uma grande mulher".

Ou ainda: ser um objeto de adorno e monopolizada por toda uma sociedade que estabelece que é preciso procriar e manter a áurea santificada da mãe que, de preferência, deve ser acolhedora, haja o que houver.

Muitas mulheres gostariam de ressignificar seus corpos. "Era uma vez uma menina que vivia em um reino onde as mulheres não possuíam o próprio Corpo e aprendiam, desde pequenas, a se esconderem em um canto do Corpo pros homens poderem usar", diz o trecho do livro Meu Corpo Ainda Quente, da Editora Nós.

Imaginando essa possibilidade, a escritora Sheyla Smanioto decide criar uma aventura distópica, respeitando a subjetividade feminina, com argumentos feministas. "Com a escrita, virei minha vida do avesso, voltei, renasci. E voltei com sede de inventar um novo corpo, não com a faca, sangue e frankenstein. Com palavras. Um novo corpo a partir de uma nova história sobre o corpo", afirma.

Ela fala sobre a sensação de ter o corpo feminino 'rasgado', 'atravessado', 'devorado'. "O corpo é um atravessamento de histórias. Por muito tempo, achei que o corpo era isolamento, prisão, limite", lembra.

Apesar desse cenário caótico e aparentemente pessimista, Sheyla Smanioto faz com que as leitoras consigam encontrar 'partes destruídas desse corpo', graças à sociedade patriarcal, e as estimula a fazer a reconstrução. É sobre a percepção da destruição do corpo da mulher, o processo de luto por essa transformação e o sentimento de liberdade que é habitá-lo e ser o que se quer.

Aos 30 anos de idade, Sheyla já ganhou grandes prêmios como o Sesc de Literatura, o Prêmio Machado de Assis da Biblioteca Nacional, 3º lugar no Prêmio Jabuti e foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura.

Serviço

Livro: Meu Corpo Ainda Quente

Autora: Sheyla Smanioto

Editora Nós



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Livro explica, em uma aventura distópica, como é viver no corpo de uma mulher


08/03/2021 | 14:29


Pensar 15 vezes antes de escolher uma roupa para sair. Não pela questão estética, mas por medo de ser assediada. Ser reféns da 'ditadura da beleza', em que os corpos femininos são tratados como objetos sexuais. Nesta segunda-feira, 8, Dia Internacional da Mulher, o que elas menos querem são flores ou chocolates. Dá para começar bem se forem ouvidas e suas opiniões respeitadas.

Lutar contra crenças como aquelas que colocam a mulher em um papel secundário nas relações, a exemplo de expressões como "por trás de um grande homem sempre tem uma grande mulher".

Ou ainda: ser um objeto de adorno e monopolizada por toda uma sociedade que estabelece que é preciso procriar e manter a áurea santificada da mãe que, de preferência, deve ser acolhedora, haja o que houver.

Muitas mulheres gostariam de ressignificar seus corpos. "Era uma vez uma menina que vivia em um reino onde as mulheres não possuíam o próprio Corpo e aprendiam, desde pequenas, a se esconderem em um canto do Corpo pros homens poderem usar", diz o trecho do livro Meu Corpo Ainda Quente, da Editora Nós.

Imaginando essa possibilidade, a escritora Sheyla Smanioto decide criar uma aventura distópica, respeitando a subjetividade feminina, com argumentos feministas. "Com a escrita, virei minha vida do avesso, voltei, renasci. E voltei com sede de inventar um novo corpo, não com a faca, sangue e frankenstein. Com palavras. Um novo corpo a partir de uma nova história sobre o corpo", afirma.

Ela fala sobre a sensação de ter o corpo feminino 'rasgado', 'atravessado', 'devorado'. "O corpo é um atravessamento de histórias. Por muito tempo, achei que o corpo era isolamento, prisão, limite", lembra.

Apesar desse cenário caótico e aparentemente pessimista, Sheyla Smanioto faz com que as leitoras consigam encontrar 'partes destruídas desse corpo', graças à sociedade patriarcal, e as estimula a fazer a reconstrução. É sobre a percepção da destruição do corpo da mulher, o processo de luto por essa transformação e o sentimento de liberdade que é habitá-lo e ser o que se quer.

Aos 30 anos de idade, Sheyla já ganhou grandes prêmios como o Sesc de Literatura, o Prêmio Machado de Assis da Biblioteca Nacional, 3º lugar no Prêmio Jabuti e foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura.

Serviço

Livro: Meu Corpo Ainda Quente

Autora: Sheyla Smanioto

Editora Nós

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