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Residência inclusiva resgata a cidadania dos deficientes

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Pessoas com deficit e sem vínculo familiar são acolhidas em casa de Santo André até ganharem autonomia


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

07/03/2021 | 00:01


A residência inclusiva, serviço de acolhimento para pessoas com deficiência física e/ou intelectual e sem vínculo familiar, em Santo André, existe há quatro anos e ajuda beneficiários a recuperar a cidadania e a autonomia. Sem caráter rotativo, já que não há previsão de quando a pessoa pode deixar a vaga, a casa, no Parque Erasmo Assunção, funciona nos moldes de habitação coletiva, com até dez pessoas, que contam com cuidadores e usam a rede municipal de saúde, educação e cultura.

Não ter vínculo familiar é fundamental para ser elegível à vaga, explica o secretário de Cidadania e Assistência Social, Marcelo Delsir da Silva. “Trabalhamos a questão do convívio, da vida em comunidade, da autonomia que for possível para eles desenvolver”, afirmou. “Garantir a proteção social, trabalhar o fortalecimento do indivíduo e da família, para que eles sejam protagonistas de suas próprias histórias é a melhor forma de quebrar ciclos de pobreza e vulnerabilidade”, completou.

Entre os dez moradores da casa, ao menos quatro pessoas vieram do mesmo serviço de acolhimento, após completarem 18 anos e não terem para onde ir. Por meio da residência coletiva, eles têm acesso aos tratamentos médicos e terapêuticos, cursos de formação e trabalhos remunerados. “Nosso objetivo é que eles consigam desenvolver algum tipo de autonomia. Tivemos casos de pessoas que depois de um tempo foram morar com familiares, mas, no geral, eles vão ficar aqui por tempo indeterminado”, explicou a coordenadora da casa, Rozineia Nunes da Silva.

Aos 26 anos, Danúbia Ferreira da Silva está no local desde o início. Sua deficiência intelectual não impede que ela trabalhe realizando serviços gerais na cozinha do CHM (Centro Hospitalar Municipal). Nas horas vagas, participa ativamente da rotina da casa, auxiliando cuidadores e pacientes. “Sou mais fechada, mas me dou bem com todo mundo”, relatou. A jovem afirmou que na casa se sente em família e protegida e que aguarda o fim da pandemia para poder fazer aulas de dança. “É bom para distrair e tirar o estresse do corpo”, completou.

Laisla dos Santos Lima tem 19 anos e, apesar da pouca idade, teve vida difícil. Por dez anos morou nas ruas, usou drogas e quando ainda era criança, foi abusada. Na casa, tenta se recuperar do vício e dos traumas e conta com o ensino de música como aliado. Laisla toca violino e está estudando piano. “Amo esse lugar e aqui estou construindo uma nova história”, afirmou. A jovem também faz um curso de culinária e sonha em ser advogada ou cozinheira.

Apesar das limitações impostas pela deficiência, o apoio que os moradores da casa recebem ajuda a descobrir suas potencialidades. Tuele Thalia dos Santos, 21, tem paralisia cerebral e foi uma das primeiras moradoras do local. Além de ir para a escola – as aulas estão presenciais estão suspensas – gosta de fazer, à mão, roupas para suas bonecas. “Algumas eu até vendia na escola”, apontou.

Região tem sete equipamentos em quatro cidades

O Grande ABC conta com sete residências inclusivas em Santo André, São Bernardo, São Caetano e Mauá. São 70 vagas, das quais 59 estão ocupadas. As casas são unidades que ofertam serviço de acolhimento institucional no âmbito da proteção social especial de alta complexidade do Suas (Sistema Único de Assistência Social) para jovens e adultos com deficiência, em situação de dependência, que não disponham de condições de autossustentabilidade ou de retaguarda familiar, em sintonia com a tipificação nacional dos serviços socioassistenciais.

A residência inclusiva tem o propósito de romper com a prática do isolamento, de mudança do paradigma de estruturação de serviços de acolhimento para pessoas com deficiência em áreas afastadas ou que não favoreçam o convívio comunitário. São residências adaptadas, com estrutura física adequada, localizadas em áreas residenciais na comunidade. Dispõe de equipe especializada e metodologia adequada para prestar atendimento personalizado e qualificado, proporcionando cuidado e atenção às necessidades individuais e coletivas.

Em Santo André, a unidade oferta dez vagas, todas ocupadas. São Bernardo tem duas residências, com 20 vagas no total, também funcionando com capacidade integral. Há, atualmente, três moradores inseridos em projeto do terceiro setor voltado à integração do trabalhador especial e oito moradores em formação remota para qualificação voltada ao mercado de trabalho.

São Caetano inaugurou a residência inclusiva em fevereiro e, atualmente, conta com duas pessoas no equipamento. Estão sendo discutidas propostas de parceria com as secretarias, em especial a de trabalho, com o intuito de avaliar possibilidades de inserção deste público em programas de emprego e capacitações.

Em Mauá, funcionam três residências inclusivas, com 30 vagas, das quais 27 estão ocupadas. Está em fase de desenvolvimento um projeto intersecretarial para inclusão deste público no mercado de trabalho. 

Diadema informou que o município busca alternativas para uma futura implantação, assim como Ribeirão Pires, que pretende criar o serviço até agosto, para o qual existe demanda do equipamento com pedido junto ao MP (Ministério Público). Rio Grande da Serra não respondeu até o fechamento desta edição. 



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Residência inclusiva resgata a cidadania dos deficientes

Pessoas com deficit e sem vínculo familiar são acolhidas em casa de Santo André até ganharem autonomia

Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

07/03/2021 | 00:01


A residência inclusiva, serviço de acolhimento para pessoas com deficiência física e/ou intelectual e sem vínculo familiar, em Santo André, existe há quatro anos e ajuda beneficiários a recuperar a cidadania e a autonomia. Sem caráter rotativo, já que não há previsão de quando a pessoa pode deixar a vaga, a casa, no Parque Erasmo Assunção, funciona nos moldes de habitação coletiva, com até dez pessoas, que contam com cuidadores e usam a rede municipal de saúde, educação e cultura.

Não ter vínculo familiar é fundamental para ser elegível à vaga, explica o secretário de Cidadania e Assistência Social, Marcelo Delsir da Silva. “Trabalhamos a questão do convívio, da vida em comunidade, da autonomia que for possível para eles desenvolver”, afirmou. “Garantir a proteção social, trabalhar o fortalecimento do indivíduo e da família, para que eles sejam protagonistas de suas próprias histórias é a melhor forma de quebrar ciclos de pobreza e vulnerabilidade”, completou.

Entre os dez moradores da casa, ao menos quatro pessoas vieram do mesmo serviço de acolhimento, após completarem 18 anos e não terem para onde ir. Por meio da residência coletiva, eles têm acesso aos tratamentos médicos e terapêuticos, cursos de formação e trabalhos remunerados. “Nosso objetivo é que eles consigam desenvolver algum tipo de autonomia. Tivemos casos de pessoas que depois de um tempo foram morar com familiares, mas, no geral, eles vão ficar aqui por tempo indeterminado”, explicou a coordenadora da casa, Rozineia Nunes da Silva.

Aos 26 anos, Danúbia Ferreira da Silva está no local desde o início. Sua deficiência intelectual não impede que ela trabalhe realizando serviços gerais na cozinha do CHM (Centro Hospitalar Municipal). Nas horas vagas, participa ativamente da rotina da casa, auxiliando cuidadores e pacientes. “Sou mais fechada, mas me dou bem com todo mundo”, relatou. A jovem afirmou que na casa se sente em família e protegida e que aguarda o fim da pandemia para poder fazer aulas de dança. “É bom para distrair e tirar o estresse do corpo”, completou.

Laisla dos Santos Lima tem 19 anos e, apesar da pouca idade, teve vida difícil. Por dez anos morou nas ruas, usou drogas e quando ainda era criança, foi abusada. Na casa, tenta se recuperar do vício e dos traumas e conta com o ensino de música como aliado. Laisla toca violino e está estudando piano. “Amo esse lugar e aqui estou construindo uma nova história”, afirmou. A jovem também faz um curso de culinária e sonha em ser advogada ou cozinheira.

Apesar das limitações impostas pela deficiência, o apoio que os moradores da casa recebem ajuda a descobrir suas potencialidades. Tuele Thalia dos Santos, 21, tem paralisia cerebral e foi uma das primeiras moradoras do local. Além de ir para a escola – as aulas estão presenciais estão suspensas – gosta de fazer, à mão, roupas para suas bonecas. “Algumas eu até vendia na escola”, apontou.

Região tem sete equipamentos em quatro cidades

O Grande ABC conta com sete residências inclusivas em Santo André, São Bernardo, São Caetano e Mauá. São 70 vagas, das quais 59 estão ocupadas. As casas são unidades que ofertam serviço de acolhimento institucional no âmbito da proteção social especial de alta complexidade do Suas (Sistema Único de Assistência Social) para jovens e adultos com deficiência, em situação de dependência, que não disponham de condições de autossustentabilidade ou de retaguarda familiar, em sintonia com a tipificação nacional dos serviços socioassistenciais.

A residência inclusiva tem o propósito de romper com a prática do isolamento, de mudança do paradigma de estruturação de serviços de acolhimento para pessoas com deficiência em áreas afastadas ou que não favoreçam o convívio comunitário. São residências adaptadas, com estrutura física adequada, localizadas em áreas residenciais na comunidade. Dispõe de equipe especializada e metodologia adequada para prestar atendimento personalizado e qualificado, proporcionando cuidado e atenção às necessidades individuais e coletivas.

Em Santo André, a unidade oferta dez vagas, todas ocupadas. São Bernardo tem duas residências, com 20 vagas no total, também funcionando com capacidade integral. Há, atualmente, três moradores inseridos em projeto do terceiro setor voltado à integração do trabalhador especial e oito moradores em formação remota para qualificação voltada ao mercado de trabalho.

São Caetano inaugurou a residência inclusiva em fevereiro e, atualmente, conta com duas pessoas no equipamento. Estão sendo discutidas propostas de parceria com as secretarias, em especial a de trabalho, com o intuito de avaliar possibilidades de inserção deste público em programas de emprego e capacitações.

Em Mauá, funcionam três residências inclusivas, com 30 vagas, das quais 27 estão ocupadas. Está em fase de desenvolvimento um projeto intersecretarial para inclusão deste público no mercado de trabalho. 

Diadema informou que o município busca alternativas para uma futura implantação, assim como Ribeirão Pires, que pretende criar o serviço até agosto, para o qual existe demanda do equipamento com pedido junto ao MP (Ministério Público). Rio Grande da Serra não respondeu até o fechamento desta edição. 

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