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PIB de 2020 leva tombo de 4,1%, pior resultado em 25 anos

Pandemia nocauteia economia brasileira; estimativa para região, de R$ 123,2 bilhões, mostra retrocesso da geração de riquezas a 2014


Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

04/03/2021 | 00:11


O PIB (Produto Interno Bruto) do País, que é a geração de riquezas de uma nação e, portanto, o termômetro de sua economia, despencou 4,1% em 2020, e somou R$ 7,4 trilhões. Trata-se do pior resultado desde o início da série histórica do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 1996, ou seja, em 25 anos. No entanto, este é o terceiro maior tombo da história – em 1990, durante o Plano Collor, quando poupanças foram confiscadas, houve retração de 4,35% e, durante a recessão de 1981, diante de crise da dívida externa, recuo de 4,4%.

A pandemia do novo coronavírus nocauteou a economia brasileira com a restrição da circulação de pessoas e do funcionamento de empresas a fim de promover isolamento físico e evitar a propagação da Covid. No ano passado, apenas o setor de agropecuária cresceu (2%), estimulado pela demanda crescente nos supermercados e pelo aumento da exportação, na esteira do dólar nas alturas, que girou em torno de R$ 5,50. Por outro lado, a indústria encolheu 3,5% e, serviços, 4,5%. Os investimentos caíram 0,8%.

O consumo das famílias recuou em 5,5% ante 2019, menor taxa da série histórica, assim como o PIB per capita (por habitante) que alcançou R$ 35.172. “O resultado é efeito da pandemia de Covid-19, quando diversas atividades econômicas foram parcial ou totalmente paralisadas para controle da disseminação do vírus. Mesmo quando começou a flexibilização do distanciamento social, muitas pessoas permaneceram receosas de consumir, principalmente os serviços que podem provocar aglomeração”, avaliou a coordenadora de contas nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

NO GRANDE ABC

A pedido do Diário, o coordenador do Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura da Universidade Municipal de São Caetano), Jefferson José da Conceição, realizou estimativa do PIB do Grande ABC, caso igual percentual de queda se abata sobre a economia regional. O último dado oficial divulgado pelo IBGE, por município, é de 2018. À época, a geração de riquezas somou R$ 126,5 bilhões, já afetada pela greve dos caminhoneiros.

Para 2019, são esperados R$ 128,3 bilhões (considerando alta de 1,1% do PIB nacional) e, para 2020, R$ 123,2 bilhões (com o recuo de 4,1%). Para 2021, o mercado projeta alta de 3%, porém, Conceição considera perspectiva muito positiva, em que o PIB chegará a R$126,9 bilhões, e desenha outra possibilidade, em que não haverá expansão e o valor bruto (sem descontar a inflação) se mantém. “No primeiro caso, do cenário ‘otimista’ (3% de alta), o PIB do Grande ABC terá reduzido, de maneira líquida, R$ 1,4 bilhão entre 2021 e 2019 (R$ 126,9 bilhões a R$ 128,3 bilhões). No segundo caso (sem crescimento em 2021), o PIB regional terá contraído R$ 5,1 bilhões (R$ 123,2 bilhões a R$ 128,3 bilhões). Minha opinião é a de que, por nossas características especiais, de economia com elevado peso da indústria, que tem sido um dos setores mais afetados da pandemia, o Grande ABC está mais para o segundo cenário que o primeiro”, avalia.

Coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero concorda com a análise e pondera que um PIB aos R$ 123,2 bilhões, no cenário mais pessimista, retrocede a 2014, ano de crise econômica, quando a geração de riquezas foi a R$ 120 bilhões. “A saída da Ford de São Bernardo no fim de 2019 continuou ecoando junto aos fornecedores ao longo de 2020, fortemente atingido pela pandemia. No segundo trimestre, o setor automotivo parou. E até agora amarga esse impacto, com falta de peças”, assinala.

Balistiero acredita que o primeiro semestre será marcado por recessão, ou seja, resultados negativos do PIB nos dois primeiros trimestres. “Apesar de a indústria ter ensaiado melhora no último trimestre, a retomada não é consistente. E, com a piora da pandemia e demora na vacinação, a reação pode demorar.”
 



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PIB de 2020 leva tombo de 4,1%, pior resultado em 25 anos

Pandemia nocauteia economia brasileira; estimativa para região, de R$ 123,2 bilhões, mostra retrocesso da geração de riquezas a 2014

Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

04/03/2021 | 00:11


O PIB (Produto Interno Bruto) do País, que é a geração de riquezas de uma nação e, portanto, o termômetro de sua economia, despencou 4,1% em 2020, e somou R$ 7,4 trilhões. Trata-se do pior resultado desde o início da série histórica do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 1996, ou seja, em 25 anos. No entanto, este é o terceiro maior tombo da história – em 1990, durante o Plano Collor, quando poupanças foram confiscadas, houve retração de 4,35% e, durante a recessão de 1981, diante de crise da dívida externa, recuo de 4,4%.

A pandemia do novo coronavírus nocauteou a economia brasileira com a restrição da circulação de pessoas e do funcionamento de empresas a fim de promover isolamento físico e evitar a propagação da Covid. No ano passado, apenas o setor de agropecuária cresceu (2%), estimulado pela demanda crescente nos supermercados e pelo aumento da exportação, na esteira do dólar nas alturas, que girou em torno de R$ 5,50. Por outro lado, a indústria encolheu 3,5% e, serviços, 4,5%. Os investimentos caíram 0,8%.

O consumo das famílias recuou em 5,5% ante 2019, menor taxa da série histórica, assim como o PIB per capita (por habitante) que alcançou R$ 35.172. “O resultado é efeito da pandemia de Covid-19, quando diversas atividades econômicas foram parcial ou totalmente paralisadas para controle da disseminação do vírus. Mesmo quando começou a flexibilização do distanciamento social, muitas pessoas permaneceram receosas de consumir, principalmente os serviços que podem provocar aglomeração”, avaliou a coordenadora de contas nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

NO GRANDE ABC

A pedido do Diário, o coordenador do Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura da Universidade Municipal de São Caetano), Jefferson José da Conceição, realizou estimativa do PIB do Grande ABC, caso igual percentual de queda se abata sobre a economia regional. O último dado oficial divulgado pelo IBGE, por município, é de 2018. À época, a geração de riquezas somou R$ 126,5 bilhões, já afetada pela greve dos caminhoneiros.

Para 2019, são esperados R$ 128,3 bilhões (considerando alta de 1,1% do PIB nacional) e, para 2020, R$ 123,2 bilhões (com o recuo de 4,1%). Para 2021, o mercado projeta alta de 3%, porém, Conceição considera perspectiva muito positiva, em que o PIB chegará a R$126,9 bilhões, e desenha outra possibilidade, em que não haverá expansão e o valor bruto (sem descontar a inflação) se mantém. “No primeiro caso, do cenário ‘otimista’ (3% de alta), o PIB do Grande ABC terá reduzido, de maneira líquida, R$ 1,4 bilhão entre 2021 e 2019 (R$ 126,9 bilhões a R$ 128,3 bilhões). No segundo caso (sem crescimento em 2021), o PIB regional terá contraído R$ 5,1 bilhões (R$ 123,2 bilhões a R$ 128,3 bilhões). Minha opinião é a de que, por nossas características especiais, de economia com elevado peso da indústria, que tem sido um dos setores mais afetados da pandemia, o Grande ABC está mais para o segundo cenário que o primeiro”, avalia.

Coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero concorda com a análise e pondera que um PIB aos R$ 123,2 bilhões, no cenário mais pessimista, retrocede a 2014, ano de crise econômica, quando a geração de riquezas foi a R$ 120 bilhões. “A saída da Ford de São Bernardo no fim de 2019 continuou ecoando junto aos fornecedores ao longo de 2020, fortemente atingido pela pandemia. No segundo trimestre, o setor automotivo parou. E até agora amarga esse impacto, com falta de peças”, assinala.

Balistiero acredita que o primeiro semestre será marcado por recessão, ou seja, resultados negativos do PIB nos dois primeiros trimestres. “Apesar de a indústria ter ensaiado melhora no último trimestre, a retomada não é consistente. E, com a piora da pandemia e demora na vacinação, a reação pode demorar.”
 

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