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Falta de peças freia venda de 0km

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Segunda onda de Covid e alta do ICMS também pesaram na decisão do consumidor; emplacamentos caem 23,2% no Grande ABC


Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

03/03/2021 | 07:07


O desabastecimento de peças nas montadoras, que reduziu o volume de veículos disponibilizados nas concessionárias, somado às maiores restrições ao comércio durante a segunda onda da pandemia do novo coronavírus, e o aumento do ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) de 12% para 13,3% no Estado de São Paulo pesaram na decisão do consumidor sobre adquirir um zero-quilômetro no mês passado.

Segundo dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), as vendas de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus retraíram 16,7% em fevereiro, na comparação com igual período no ano passado, totalizando 167.384 unidades. Trata-se do pior volume para o mês em três anos. No bimestre, emplacamentos somaram 338.526 exemplares, queda de 14,17% ante primeiros dois meses de 2020. No Grande ABC, onde a presença do setor automotivo é forte e o impacto da pandemia devido à produção menor, é intenso, foram comercializados 4.228 veículos novos no bimestre, queda de 23,2% ante os 5.510 de 2020, ou 1.282 unidades a menos.

“Na indústria, mesmo com os esforços das montadoras para aumentar a produção, a falta de disponibilidade de peças e componentes ainda persiste, fazendo com que algumas fábricas tivessem de paralisar, temporariamente, a produção em fevereiro, afetando, de forma importante, a oferta de produtos”, analisa o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior. “Além disso, o aumento dos casos de Covid, que provocou o retrocesso da abertura do comércio em várias cidades, também contribuiu.”

O consultor da Oikonomia Consultoria Automotiva, Raphael Galante, explica que desde o início da pandemia houve intenso corte no volume de pedidos das montadoras às sistemistas, que produzem peças e componentes e, embora a retomada do mercado tenha ocorrido no fim do ano passado, leva-se um tempo até que os fornecedores consigam atender aos pedidos. “Não é igual a uma feira, em que você pede uma dúzia de laranja e uma de bananas e sai com o produto na mão. Envolve toda uma cadeia que foi fortemente atingida pela redução drástica na produção. Sem contar que muita peça é importada, e demora a chegar, além de sofrer com o dólar alto”, contextualiza. Para ele, até o meio do ano deve haver problemas pontuais com a falta de produtos.

Outro ponto destacado por Assumpção Júnior foi o aumento do ICMS. “Os preços dos veículos ficaram mais caros em São Paulo, em razão do ICMS, que passou de 12% para 13,3% para exemplares novos, e de 1,8% para 5,53% para usados, tornando os negócios das concessionárias e lojistas quase que impraticáveis. Todos saíram perdendo: consumidor, empresários, empregados e o governo de São Paulo que, certamente, não terá alta na arrecadação, pois há tendência de os negócios serem realizados fora do Estado, onde o ICMS é menor”, alerta.

O consultor concorda e diz que o consumidor, a fim de driblar o aumento dos impostos, pode buscar Estados que sejam fronteiriços. No caso do Grande ABC, é possível ir a Minas Gerais, a cerca de duas horas da região. “Em alguns casos, é possível economizar R$ 2.000 a R$ 3.000 e, em se tratando de carros de luxo, até R$ 6.000. É uma economia que pode viabilizar a compra.” 



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Falta de peças freia venda de 0km

Segunda onda de Covid e alta do ICMS também pesaram na decisão do consumidor; emplacamentos caem 23,2% no Grande ABC

Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

03/03/2021 | 07:07


O desabastecimento de peças nas montadoras, que reduziu o volume de veículos disponibilizados nas concessionárias, somado às maiores restrições ao comércio durante a segunda onda da pandemia do novo coronavírus, e o aumento do ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) de 12% para 13,3% no Estado de São Paulo pesaram na decisão do consumidor sobre adquirir um zero-quilômetro no mês passado.

Segundo dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), as vendas de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus retraíram 16,7% em fevereiro, na comparação com igual período no ano passado, totalizando 167.384 unidades. Trata-se do pior volume para o mês em três anos. No bimestre, emplacamentos somaram 338.526 exemplares, queda de 14,17% ante primeiros dois meses de 2020. No Grande ABC, onde a presença do setor automotivo é forte e o impacto da pandemia devido à produção menor, é intenso, foram comercializados 4.228 veículos novos no bimestre, queda de 23,2% ante os 5.510 de 2020, ou 1.282 unidades a menos.

“Na indústria, mesmo com os esforços das montadoras para aumentar a produção, a falta de disponibilidade de peças e componentes ainda persiste, fazendo com que algumas fábricas tivessem de paralisar, temporariamente, a produção em fevereiro, afetando, de forma importante, a oferta de produtos”, analisa o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior. “Além disso, o aumento dos casos de Covid, que provocou o retrocesso da abertura do comércio em várias cidades, também contribuiu.”

O consultor da Oikonomia Consultoria Automotiva, Raphael Galante, explica que desde o início da pandemia houve intenso corte no volume de pedidos das montadoras às sistemistas, que produzem peças e componentes e, embora a retomada do mercado tenha ocorrido no fim do ano passado, leva-se um tempo até que os fornecedores consigam atender aos pedidos. “Não é igual a uma feira, em que você pede uma dúzia de laranja e uma de bananas e sai com o produto na mão. Envolve toda uma cadeia que foi fortemente atingida pela redução drástica na produção. Sem contar que muita peça é importada, e demora a chegar, além de sofrer com o dólar alto”, contextualiza. Para ele, até o meio do ano deve haver problemas pontuais com a falta de produtos.

Outro ponto destacado por Assumpção Júnior foi o aumento do ICMS. “Os preços dos veículos ficaram mais caros em São Paulo, em razão do ICMS, que passou de 12% para 13,3% para exemplares novos, e de 1,8% para 5,53% para usados, tornando os negócios das concessionárias e lojistas quase que impraticáveis. Todos saíram perdendo: consumidor, empresários, empregados e o governo de São Paulo que, certamente, não terá alta na arrecadação, pois há tendência de os negócios serem realizados fora do Estado, onde o ICMS é menor”, alerta.

O consultor concorda e diz que o consumidor, a fim de driblar o aumento dos impostos, pode buscar Estados que sejam fronteiriços. No caso do Grande ABC, é possível ir a Minas Gerais, a cerca de duas horas da região. “Em alguns casos, é possível economizar R$ 2.000 a R$ 3.000 e, em se tratando de carros de luxo, até R$ 6.000. É uma economia que pode viabilizar a compra.” 

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