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Diocese de Santo André cria grupo de apoio a pessoas homossexuais

DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Apostolado Courage foi aberto na década de 1980 na Diocese de Nova York e há 12 anos mantém células no Brasil


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

28/02/2021 | 07:00


A Diocese de Santo André planeja criar uma célula do Apostolado Courage, uma associação clerical de fiéis que se propõe a prestar apoio espiritual às pessoas homossexuais. Inaugurado nos Estados Unidos na década de 1980, na Diocese de Nova York e aprovado pelas instituições superiores da Igreja Católica, o apostolado foi ampliado inicialmente para o México, Filipinas e outros países, chegando ao Brasil em 2009. Atualmente existem células ativas em nove cidades brasileiras e em fase de implementação em outras três, incluindo Santo André.

Desde 2019, frequentadores do apostolado que existe na cidade de São Paulo pediam para que uma célula fosse criada no Grande ABC, mas, com a pandemia, a discussão acabou sendo adiada. Agora, o coordenador do apostolado de São Paulo, o funcionário público Maurício Marcos Abambres, vai colaborar na implementação da célula de Santo André. Vigário episcopal para a Pastoral na Diocese de Santo André, padre Joel Nery relatou que o projeto foi apresentado ao grupo de coordenação pastoral, ao conselho dos presbíteros e ao clero diocesano, para que, então, fosse decidido pelo espaço de acolhimento e conscientização.

A ideia é que sejam realizados encontros pequenos, de até 15 pessoas, preservando a privacidade e a confidencialidade dos participantes. Abambres, que por quatro anos foi monge beneditino, passou cerca de dez anos afastado da igreja, em muitos momentos levando uma vida de excessos. “Havia uma busca e poucas respostas. Até que eu descobri sobre o apostolado no Exterior e fui atrás da célula em São Paulo”, relembrou. “Ali entendi que o que muitos me diziam, que para mim não havia salvação e que iria para o inferno, não era verdade”, comentou.

Assim como ocorrem com as pessoas heterossexuais, de acordo com os dogmas da Igreja Católica, é preciso que os fiéis vivam em castidade até o sagrado matrimônio.

Como a união entre pessoas do mesmo sexo é um direito civil no Brasil, mas não uma realidade dentro da instituição, as pessoas que se dispuserem a participar do Apostolado Courage precisam estar cientes disso. “No Courage se incentiva muito que as pessoas tenham amizades castas, em que não haja conotação sexual”, explicou o coordenador.

O padre Joel Nery fez questão de ressaltar que a atuação do Apostolado Courage não consiste em convencer as pessoas a não serem homossexuais, mas sim um trabalho de acolhimento espiritual para viver a castidade como a igreja ensina. “Vamos, muito naturalmente, anunciar para as pessoas da nossa comunidade a existência desse novo trabalho, e esperar que os interessados nos procurem pelo e-mail santoandre@couragebrasil.com”, afirmou. O apostolado também presta apoio aos católicos familiares de homossexuais. Nas redes sociais, é possível encontrar mais informações sobre o Courage Brasil.

Consultor de políticas públicas e militante LGBT+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros, Travestis e outros), Marcelo Gil se emociona ao falar sobre como esse novo trabalho da Diocese de Santo André é um chamado a essa população. Católico desde a infância, Gil participou de diversos grupos em São Bernardo, chegando a coordenador de grupos de oração, mas a rejeição à sua orientação sexual, quando ela passou a ser de conhecimento público, fez com que se sentisse hostilizado na comunidade católica. “A igreja é santa, una e pecadora. Pode demorar anos, mas em algum momento ela sempre reconhece os seus erros”, afirmou.

Formado em teologia e filosofia em 2003, Gil sonhava há muitos anos com uma atuação pastoral junto à população LGBT, mas realizou seu trabalho por meio da ONG ABCDS (Ação Brotar pela Cidadania e Diversidade Sexual). “A igreja está chamando a população para o diálogo, para que seja bem-vinda na casa de Deus. A essência do amor ao próximo”, celebrou.

Deputada cobrou atendimento a vulneráveis

A Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos das Pessoas LGBT+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros, Travestis e outros), que tem à frente a deputada Erika Malunguinho (Psol), enviou ofício para todas as prefeituras do Estado e também para o Consórcio Intermunicipal do Grande ABC com diversos questionamentos, entre eles, quais medidas as administrações estavam tomando para garantir a proteção social dessa população durante a pandemia de Covid-19, especialmente àqueles em situação de vulnerabilidade.

Segundo informações da assessoria da deputada, as administrações municipais não responderam ao ofício. Para reforçar o pedido, a Casa Neon Cunha, Centro de Cidadania, Acolhimento, Emancipação e Conscientização para a População LGBT também encaminhou documento semelhante à Prefeitura de São Bernardo. “Queremos nos colocar como parceiros da administração, inclusive para propor ações para esse público”, destacou o presidente da Casa, Paulo Araújo.

A Prefeitura de São Bernardo informou que respondeu aos dois ofícios, e que, mesmo diante da pandemia, “manteve a articulação de esforços voltados à garantia de direitos, ao combate a todas as formas de discriminação e violência, e à execução de políticas, programas, projetos, serviços e ações que objetivem a melhoria da atenção à diversidade de gênero”.

O Consórcio informou que tem articulado junto às prefeituras pela criação de conselhos municipais e padronizou decretos sobre nomes sociais. Entre outras iniciativas, o GT (Grupo de Trabalho) LGBT+ acompanha junto aos municípios as políticas de acolhida e reinserção da população e distribuição de alimentos.

Diadema informou que durante a pandemia, o Centro de Referência em Infecções Sexualmente Transmissíveis desenvolveu as ações necessárias para o atendimento da população LGBT+ com a distribuição de máscaras, realização de testagens e implantação de videoconferência aos pacientes que necessitam de acompanhamento com a realização de telemedicina e telepsicologia. Também foi feita a distribuição de cestas básicas. As outras cidades não responderam. 



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Diocese de Santo André cria grupo de apoio a pessoas homossexuais

Apostolado Courage foi aberto na década de 1980 na Diocese de Nova York e há 12 anos mantém células no Brasil

Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

28/02/2021 | 07:00


A Diocese de Santo André planeja criar uma célula do Apostolado Courage, uma associação clerical de fiéis que se propõe a prestar apoio espiritual às pessoas homossexuais. Inaugurado nos Estados Unidos na década de 1980, na Diocese de Nova York e aprovado pelas instituições superiores da Igreja Católica, o apostolado foi ampliado inicialmente para o México, Filipinas e outros países, chegando ao Brasil em 2009. Atualmente existem células ativas em nove cidades brasileiras e em fase de implementação em outras três, incluindo Santo André.

Desde 2019, frequentadores do apostolado que existe na cidade de São Paulo pediam para que uma célula fosse criada no Grande ABC, mas, com a pandemia, a discussão acabou sendo adiada. Agora, o coordenador do apostolado de São Paulo, o funcionário público Maurício Marcos Abambres, vai colaborar na implementação da célula de Santo André. Vigário episcopal para a Pastoral na Diocese de Santo André, padre Joel Nery relatou que o projeto foi apresentado ao grupo de coordenação pastoral, ao conselho dos presbíteros e ao clero diocesano, para que, então, fosse decidido pelo espaço de acolhimento e conscientização.

A ideia é que sejam realizados encontros pequenos, de até 15 pessoas, preservando a privacidade e a confidencialidade dos participantes. Abambres, que por quatro anos foi monge beneditino, passou cerca de dez anos afastado da igreja, em muitos momentos levando uma vida de excessos. “Havia uma busca e poucas respostas. Até que eu descobri sobre o apostolado no Exterior e fui atrás da célula em São Paulo”, relembrou. “Ali entendi que o que muitos me diziam, que para mim não havia salvação e que iria para o inferno, não era verdade”, comentou.

Assim como ocorrem com as pessoas heterossexuais, de acordo com os dogmas da Igreja Católica, é preciso que os fiéis vivam em castidade até o sagrado matrimônio.

Como a união entre pessoas do mesmo sexo é um direito civil no Brasil, mas não uma realidade dentro da instituição, as pessoas que se dispuserem a participar do Apostolado Courage precisam estar cientes disso. “No Courage se incentiva muito que as pessoas tenham amizades castas, em que não haja conotação sexual”, explicou o coordenador.

O padre Joel Nery fez questão de ressaltar que a atuação do Apostolado Courage não consiste em convencer as pessoas a não serem homossexuais, mas sim um trabalho de acolhimento espiritual para viver a castidade como a igreja ensina. “Vamos, muito naturalmente, anunciar para as pessoas da nossa comunidade a existência desse novo trabalho, e esperar que os interessados nos procurem pelo e-mail santoandre@couragebrasil.com”, afirmou. O apostolado também presta apoio aos católicos familiares de homossexuais. Nas redes sociais, é possível encontrar mais informações sobre o Courage Brasil.

Consultor de políticas públicas e militante LGBT+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros, Travestis e outros), Marcelo Gil se emociona ao falar sobre como esse novo trabalho da Diocese de Santo André é um chamado a essa população. Católico desde a infância, Gil participou de diversos grupos em São Bernardo, chegando a coordenador de grupos de oração, mas a rejeição à sua orientação sexual, quando ela passou a ser de conhecimento público, fez com que se sentisse hostilizado na comunidade católica. “A igreja é santa, una e pecadora. Pode demorar anos, mas em algum momento ela sempre reconhece os seus erros”, afirmou.

Formado em teologia e filosofia em 2003, Gil sonhava há muitos anos com uma atuação pastoral junto à população LGBT, mas realizou seu trabalho por meio da ONG ABCDS (Ação Brotar pela Cidadania e Diversidade Sexual). “A igreja está chamando a população para o diálogo, para que seja bem-vinda na casa de Deus. A essência do amor ao próximo”, celebrou.

Deputada cobrou atendimento a vulneráveis

A Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos das Pessoas LGBT+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros, Travestis e outros), que tem à frente a deputada Erika Malunguinho (Psol), enviou ofício para todas as prefeituras do Estado e também para o Consórcio Intermunicipal do Grande ABC com diversos questionamentos, entre eles, quais medidas as administrações estavam tomando para garantir a proteção social dessa população durante a pandemia de Covid-19, especialmente àqueles em situação de vulnerabilidade.

Segundo informações da assessoria da deputada, as administrações municipais não responderam ao ofício. Para reforçar o pedido, a Casa Neon Cunha, Centro de Cidadania, Acolhimento, Emancipação e Conscientização para a População LGBT também encaminhou documento semelhante à Prefeitura de São Bernardo. “Queremos nos colocar como parceiros da administração, inclusive para propor ações para esse público”, destacou o presidente da Casa, Paulo Araújo.

A Prefeitura de São Bernardo informou que respondeu aos dois ofícios, e que, mesmo diante da pandemia, “manteve a articulação de esforços voltados à garantia de direitos, ao combate a todas as formas de discriminação e violência, e à execução de políticas, programas, projetos, serviços e ações que objetivem a melhoria da atenção à diversidade de gênero”.

O Consórcio informou que tem articulado junto às prefeituras pela criação de conselhos municipais e padronizou decretos sobre nomes sociais. Entre outras iniciativas, o GT (Grupo de Trabalho) LGBT+ acompanha junto aos municípios as políticas de acolhida e reinserção da população e distribuição de alimentos.

Diadema informou que durante a pandemia, o Centro de Referência em Infecções Sexualmente Transmissíveis desenvolveu as ações necessárias para o atendimento da população LGBT+ com a distribuição de máscaras, realização de testagens e implantação de videoconferência aos pacientes que necessitam de acompanhamento com a realização de telemedicina e telepsicologia. Também foi feita a distribuição de cestas básicas. As outras cidades não responderam. 

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