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Privatização dos Correios pode limitar alcance postal

DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Sindicato e especialista alertam que regiões mais remotas correm risco de ficar sem serviço devido à dificuldade de acesso


Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

26/02/2021 | 00:18


A proposta de privatização dos Correios, oficializada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), com entrega de projeto ao Congresso na quarta-feira, acende sinal de alerta com relação ao alcance do serviço postal. Na avaliação de sindicato dos trabalhadores e especialista, este é ponto que requer cautela, uma vez que regiões mais remotas do País, que tem dimensões continentais, podem correr o risco de ficar sem receber correspondências nem mercadorias.

Para o pesquisador convidado do Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura da Universidade Municipal de São Caetano) Adhemar Mineiro, doutorando da UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro), ponto crucial da proposta do governo é a quebra do monopólio de exploração dos serviços postais, o que elevaria o interesse de grandes empresas do setor que já operam no Brasil e poderiam organizar um oligopólio. Por um lado, isso daria mais fôlego à operação e ampliaria parcela de mercado desses players.

Porém, por outro lado, pode custar caro manter o alcance do serviço em todo o País e, com isso, localidades mais distantes poderiam ficar sem a cobertura. “É importante perceber que hoje, dentro dos Correios, se faz espécie de subsídio cruzado, daí a importância de uma empresa pública e com alta capilaridade. Porque os recursos que ela ganha em operações de serviço de entrega na região Sudeste, por exemplo, que inclusive teve aumento da demanda na pandemia, ela usa para financiar a entrega em locais muito distantes, como na Amazônia ou no Acre”, exemplifica. “E ao substituir empresa pública nacional por outra privada e internacional, esse serviço pode ser limitado até pela inviabilidade dos custos. E então teremos um grande problema.”

O especialista cita como uma das possíveis candidatas a DHL, uma das maiores companhias do mundo no segmento, que teve origem pública na Alemanha. E, neste cenário, em vez de também exportar expertise, o País estaria importando.

Mineiro pondera também que o governo ainda não explicou como essa transição será feita, se o controle da empresa será vendido ou se apenas serão oferecidas participações. “O projeto foi apresentado de forma açodada às críticas recebidas pelo governo e pelo presidente após a troca de comando da Petrobras. Então, em um primeiro momento, parece que foi feita proposta apenas para tentar acalmar o mercado financeiro e sinalizar que o governo segue dentro dos trilhos dos interesses do liberalismo, de um lado e, de outro, com a visão fiscalista dentro do governo”, avalia.

EMPREGADOS

Atualmente, segundo Douglas Melo, diretor da Findect (Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores dos Correios), dos 5.570 municípios brasileiros, apenas 324 se mantêm com recursos próprios e geram lucro, o que propicia a atividade nos demais. “Nenhuma empresa está presente em tantas cidades como os Correios. A quebra do monopólio desobriga a empresa a atender todas as cidades e mesmo regiões periféricas. Dependendo de quem assumir, pode ser que mesmo locais que integram a Região Metropolitana, mas que estão mais distantes, a exemplo de Ribeirão Pires, ou são muito periféricos, como alguns bairros de Diadema, fiquem descobertos”, cita Melo. “Hoje já passamos por situação complicada, pois o mesmo profissional que recebe a mercadoria a entrega, e em muitos CEPs a distribuição não é feita por falta de mão de obra ou por risco de assaltos, o que já leva o morador a buscar sua mercadoria em uma unidade dos Correios. Imagina se esse acesso for ainda mais limitado?”, questiona.

Melo defende que a companhia poderia buscar alternativas antes de partir à privatização. Uma das saídas propostas seria aderir a serviços terceirizados para complementar o trabalho desempenhado hoje. “A empresa poderia criar aplicativo similar ao Uber e contratar motoristas para realizar entregas, ou mesmo abrir o leque a outras atividades, como no setor financeiro”, sugere.

A categoria se reuniu ontem à noite para preparar ofensiva ao projeto de privatização, e a possibilidade de greve não foi descartada – até o fechamento desta edição, porém, o encontro não tinha terminado. 



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Privatização dos Correios pode limitar alcance postal

Sindicato e especialista alertam que regiões mais remotas correm risco de ficar sem serviço devido à dificuldade de acesso

Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

26/02/2021 | 00:18


A proposta de privatização dos Correios, oficializada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), com entrega de projeto ao Congresso na quarta-feira, acende sinal de alerta com relação ao alcance do serviço postal. Na avaliação de sindicato dos trabalhadores e especialista, este é ponto que requer cautela, uma vez que regiões mais remotas do País, que tem dimensões continentais, podem correr o risco de ficar sem receber correspondências nem mercadorias.

Para o pesquisador convidado do Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura da Universidade Municipal de São Caetano) Adhemar Mineiro, doutorando da UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro), ponto crucial da proposta do governo é a quebra do monopólio de exploração dos serviços postais, o que elevaria o interesse de grandes empresas do setor que já operam no Brasil e poderiam organizar um oligopólio. Por um lado, isso daria mais fôlego à operação e ampliaria parcela de mercado desses players.

Porém, por outro lado, pode custar caro manter o alcance do serviço em todo o País e, com isso, localidades mais distantes poderiam ficar sem a cobertura. “É importante perceber que hoje, dentro dos Correios, se faz espécie de subsídio cruzado, daí a importância de uma empresa pública e com alta capilaridade. Porque os recursos que ela ganha em operações de serviço de entrega na região Sudeste, por exemplo, que inclusive teve aumento da demanda na pandemia, ela usa para financiar a entrega em locais muito distantes, como na Amazônia ou no Acre”, exemplifica. “E ao substituir empresa pública nacional por outra privada e internacional, esse serviço pode ser limitado até pela inviabilidade dos custos. E então teremos um grande problema.”

O especialista cita como uma das possíveis candidatas a DHL, uma das maiores companhias do mundo no segmento, que teve origem pública na Alemanha. E, neste cenário, em vez de também exportar expertise, o País estaria importando.

Mineiro pondera também que o governo ainda não explicou como essa transição será feita, se o controle da empresa será vendido ou se apenas serão oferecidas participações. “O projeto foi apresentado de forma açodada às críticas recebidas pelo governo e pelo presidente após a troca de comando da Petrobras. Então, em um primeiro momento, parece que foi feita proposta apenas para tentar acalmar o mercado financeiro e sinalizar que o governo segue dentro dos trilhos dos interesses do liberalismo, de um lado e, de outro, com a visão fiscalista dentro do governo”, avalia.

EMPREGADOS

Atualmente, segundo Douglas Melo, diretor da Findect (Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores dos Correios), dos 5.570 municípios brasileiros, apenas 324 se mantêm com recursos próprios e geram lucro, o que propicia a atividade nos demais. “Nenhuma empresa está presente em tantas cidades como os Correios. A quebra do monopólio desobriga a empresa a atender todas as cidades e mesmo regiões periféricas. Dependendo de quem assumir, pode ser que mesmo locais que integram a Região Metropolitana, mas que estão mais distantes, a exemplo de Ribeirão Pires, ou são muito periféricos, como alguns bairros de Diadema, fiquem descobertos”, cita Melo. “Hoje já passamos por situação complicada, pois o mesmo profissional que recebe a mercadoria a entrega, e em muitos CEPs a distribuição não é feita por falta de mão de obra ou por risco de assaltos, o que já leva o morador a buscar sua mercadoria em uma unidade dos Correios. Imagina se esse acesso for ainda mais limitado?”, questiona.

Melo defende que a companhia poderia buscar alternativas antes de partir à privatização. Uma das saídas propostas seria aderir a serviços terceirizados para complementar o trabalho desempenhado hoje. “A empresa poderia criar aplicativo similar ao Uber e contratar motoristas para realizar entregas, ou mesmo abrir o leque a outras atividades, como no setor financeiro”, sugere.

A categoria se reuniu ontem à noite para preparar ofensiva ao projeto de privatização, e a possibilidade de greve não foi descartada – até o fechamento desta edição, porém, o encontro não tinha terminado. 

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