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Dólar dispara e vai a R$ 5,51 mesmo com injeção de US$ 1,5 bi pelo BC



25/02/2021 | 18:37


O câmbio teve novo dia de tensão, lembrando o pregão da última segunda-feira. A diferença é que naquele dia a moeda americana subiu influenciada pela ingerência do governo na Petrobras, enquanto hoje a valorização foi basicamente reflexo do exterior muito ruim. A moeda dos Estados Unidos subiu forte nos emergentes, e o real nem foi a pior divisa hoje, por conta da elevação da taxa de retorno (yields) dos títulos do Tesouro americano, que bateu em 1,5%, o maior valor em um ano, diante da perspectiva de aceleração de crescimento da economia americana e da volta da inflação. O Banco Central fez duas intervenções, vendendo US$ 1,5 bilhão no mercado à vista.

No fechamento, o dólar comercial à vista encerrou em alta de 1,72%, a R$ 5,5140, nível mais alto desde 5 de novembro (R$ 5,54). No mercado futuro, o dólar para março, que vence amanhã, subiu 2,39%, a R$ 5,5320.

O BC fez dois leilões pela tarde, oferecendo dólar à vista. No primeiro vendeu US$ 920 milhões e no segundo, US$ 615 milhões. Alguns participantes do mercado criticaram a ação em dia em que o exterior estava muito ruim. O ex-tesoureiro e sócio da Armor Capital, Alfredo Menezes, comentou que atuação ocorreu com várias moedas piores que o real e sem indicadores técnicos do mercado local muito pressionados. "Está muito claro que o BC está mais pró-ativo no câmbio", escreveu no Twitter. Menezes especula algumas razões, que podem incluir pressão política, preocupação com inflação e que o dólar neste nível interessa ao BC vender reservas para reduzir a dívida bruta.

"Hoje o movimento foi totalmente externo, real esteve até melhor que vários pares, com movimentos muito fortes dos Treasuries levando a ajuste no câmbio pelo mundo", avalia um diretor de tesouraria. "Notícias locais não fizeram preço no dia", ressalta, lembrando que o noticiário local segue preocupante, sobretudo com possibilidade de desidratação na PEC Emergencial, para recriar o auxílio emergencial sem corte de gastos. Nesta tarde, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MDB-MG), confirmou que a votação do texto, prevista para hoje, foi adiada para a próxima quarta-feira.

A elevação dos yields trouxe de volta a preocupação da volta do episódio de 2013 conhecido como "Taper Tantrum", quando houve forte estresse no mercado com o temor de que o Federal Reserve fosse reduzir os estímulos extraordinários. Por isso, as bolsas caíram forte hoje em Nova York e o dólar disparou em alguns emergentes, subindo 3% na África do Sul, 2,2% no Chile e na Turquia, e 2% no México.

O chefe global de mercados do ING Group, Chris Turner, ressalta em áudio que os emergentes foram os mais penalizados em 2013, especialmente os na época chamados "cinco frágeis", por terem desequilíbrios em conta corrente e/ou fiscais: Brasil, Índia, Indonésia, África do Sul e Turquia. Agora, estão no geral melhores que naquele ano, mas seguem no radar.



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Dólar dispara e vai a R$ 5,51 mesmo com injeção de US$ 1,5 bi pelo BC


25/02/2021 | 18:37


O câmbio teve novo dia de tensão, lembrando o pregão da última segunda-feira. A diferença é que naquele dia a moeda americana subiu influenciada pela ingerência do governo na Petrobras, enquanto hoje a valorização foi basicamente reflexo do exterior muito ruim. A moeda dos Estados Unidos subiu forte nos emergentes, e o real nem foi a pior divisa hoje, por conta da elevação da taxa de retorno (yields) dos títulos do Tesouro americano, que bateu em 1,5%, o maior valor em um ano, diante da perspectiva de aceleração de crescimento da economia americana e da volta da inflação. O Banco Central fez duas intervenções, vendendo US$ 1,5 bilhão no mercado à vista.

No fechamento, o dólar comercial à vista encerrou em alta de 1,72%, a R$ 5,5140, nível mais alto desde 5 de novembro (R$ 5,54). No mercado futuro, o dólar para março, que vence amanhã, subiu 2,39%, a R$ 5,5320.

O BC fez dois leilões pela tarde, oferecendo dólar à vista. No primeiro vendeu US$ 920 milhões e no segundo, US$ 615 milhões. Alguns participantes do mercado criticaram a ação em dia em que o exterior estava muito ruim. O ex-tesoureiro e sócio da Armor Capital, Alfredo Menezes, comentou que atuação ocorreu com várias moedas piores que o real e sem indicadores técnicos do mercado local muito pressionados. "Está muito claro que o BC está mais pró-ativo no câmbio", escreveu no Twitter. Menezes especula algumas razões, que podem incluir pressão política, preocupação com inflação e que o dólar neste nível interessa ao BC vender reservas para reduzir a dívida bruta.

"Hoje o movimento foi totalmente externo, real esteve até melhor que vários pares, com movimentos muito fortes dos Treasuries levando a ajuste no câmbio pelo mundo", avalia um diretor de tesouraria. "Notícias locais não fizeram preço no dia", ressalta, lembrando que o noticiário local segue preocupante, sobretudo com possibilidade de desidratação na PEC Emergencial, para recriar o auxílio emergencial sem corte de gastos. Nesta tarde, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MDB-MG), confirmou que a votação do texto, prevista para hoje, foi adiada para a próxima quarta-feira.

A elevação dos yields trouxe de volta a preocupação da volta do episódio de 2013 conhecido como "Taper Tantrum", quando houve forte estresse no mercado com o temor de que o Federal Reserve fosse reduzir os estímulos extraordinários. Por isso, as bolsas caíram forte hoje em Nova York e o dólar disparou em alguns emergentes, subindo 3% na África do Sul, 2,2% no Chile e na Turquia, e 2% no México.

O chefe global de mercados do ING Group, Chris Turner, ressalta em áudio que os emergentes foram os mais penalizados em 2013, especialmente os na época chamados "cinco frágeis", por terem desequilíbrios em conta corrente e/ou fiscais: Brasil, Índia, Indonésia, África do Sul e Turquia. Agora, estão no geral melhores que naquele ano, mas seguem no radar.

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