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Diesel chega a 40% dos custos de empresas

DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Litro do combustível subiu R$ 0,72 desde fim do ano; setor de transporte pede transparência


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

23/02/2021 | 00:05


As constantes altas nos preços do óleo diesel, que desde o fim do ano passado acumulam 20%, já impactam fortemente os caixas das empresas de transporte coletivo e de carga localizadas na região. O litro, que custava em média R$ 3,67, chega a R$ 4,39 em alguns postos – alta de R$ 0,72. Assim, o combustível já é responsável por até 40% dos custos das companhias.

Segundo a Aesa (Associação das Empresas do Sistema de Transporte de Santo André), normalmente os gastos com combustível representavam 25% dos custos das firmas do setor e, agora, já chegam ao patamar de 40%. “Estes gastos já estão quase ultrapassando os custos fixos de pessoal (que respondem por 50% das contas). Nos últimos 12 meses, em Santo André, observamos um aumento de 55% no litro de óleo diesel”, afirmou o gerente geral da associação, Luiz Marcondes Freitas.

Ele também destacou que o preço da tarifa não sofre reajustes há dois anos. “Com certeza a saúde financeira das empresas já está comprometida por causa da pandemia e, com o aumento dos custos com combustível, isso só tende a piorar. Começa a deixar inviável a operação do sistema”, disse Marcondes. “É necessário buscar alternativas para tentar reduzir os custos, como revisão de gratuidades e custos com frotas para equacionar e equilibrar as contas.”

O diretor do Setrans (Sindicato das Empresas de Transportes de Carga do Grande ABC), Fábio Brigidio, também relatou o impacto nas transportadoras de carga da região, que trabalham com um contrato de valor estipulado. “Essas operações são antigas, com contratos já assinados que já preveem um valor fechado. Nas margens de lucro é uma tragédia. Cada operação tem um preço, mas a estimativa é que de uma viagem com média a longa distância o combustível represente 30% do custo da operação. Desde o início do ano, ocorreram 9% no aumento do custo e nenhuma empresa tem este valor a ser acrescido”, relatou.

Para Brigidio, se o aumento perdurar no longo prazo, as empresas terão que renegociar os contratos, mas ponderou que este processo “não é fácil.”

Para tentar resolver a questão, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) decidiu zerar as alíquotas de três impostos sobre o combustível, pelo período de dois meses, a partir de março. “Acredito que para surtir efeito, a retirada dos impostos precisaria ser permanente”, opinou Marcondes.

Brigidio questionou a transparência da política de preços. “Ocorre uma especulação. O aumento no preço da bomba acompanha o preço do barril de petróleo, só que quando ele cai, isso não ocorre. Essa política precisa ficar mais transparente”, assinalou.

Questionada sobre a política de preços e as constantes altas do óleo diesel, a Petrobras informou que tem como referência os valores de paridade de importação e, dessa maneira, eles acompanham as variações do valor dos produtos no mercado internacional e da taxa de câmbio, para cima e para baixo. Em relação à transparência, a estatal afirmou que, desde agosto de 2019, os preços passaram a ser publicados por local e modalidade de venda.

“Até chegar ao consumidor, são acrescidos tributos federais e estaduais, custos para aquisição e mistura obrigatória de biocombustíveis pelas distribuidoras, no caso da gasolina e do diesel, além dos custos e margens das companhias distribuidoras e dos revendedores de combustíveis”, informou, em nota.

Intervenção faz Petrobras perder R$ 100 mi

As recentes declarações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre a Petrobras, que chegou a falar em intervenção na estatal, repercutiram de forma negativa no mercado financeiro. Desde a última quinta-feira até o pregão de ontem, a empresa já tinha perdido aproximadamente R$ 100 bilhões no valor de mercado.

Desde o fim de semana passada, quando a Petrobras anunciou os últimos reajustes nos preços da gasolina e do diesel, Bolsonaro começou a falar sobre “interferências” na estatal, o que consolidou com a exigência da mudança da presidência da empresa.

“Falar em interferência na Petrobras vai ao contrário de uma politica liberal, de privatizações e reformas administrativas e tributárias, que perderam força com o coronavírus. Neste ano, nós continuamos com aumento de casos, novas variantes e desorganização no cronograma de vacinas”, listou o economista da Messem Investimentos Gustavo Bertotti. “Em meio a isso, o presidente fala que haveria consequências e a demissão do atual presidente Roberto Castello Branco, que é extremamente elogiado pelo mercado internacional, pegou todos de surpresa no fim de semana. É um problema na Petrobras, mas que respinga nas outras estatais.”

O risco de um intervencionismo maior e a adoção de medidas populistas fizeram as ações das três principais estatais do País (Petrobras, Banco do Brasil e Eletrobrás) perderem R$ 113,2 bilhões em dois dias. Só na Petrobras a queda foi de R$ 99,6 bilhões. As ações da empresa, que já tinham caído quase 8% na sexta-feira, despencaram 20,48% ontem e podem manter o desempenho negativo nos próximos dias. No Banco do Brasil, o valor de mercado recuou R$ 12,6 bilhões em dois dias e, na Eletrobrás, quase R$ 900 milhões.

“A fala foi bastante equivocada. O Bolsonaro se vendeu como um liberal e uma intervenção desse tamanho é o inverso, se está colocando o ‘tacão’ do governo em uma empresa de capital aberto”, disse o coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero, afirmando que as declarações também enfraquecem o ministro da Economia, Paulo Guedes, ainda bem-visto pelo mercado.

Neste cenário, com as principais ações do Ibovespa em queda, a B3 recuou 4,87% no pregão de ontem, a maior queda para um único dia desde 24 de abril do ano passado, quando o ex-ministro Sérgio Moro deixou o governo em meio a denúncias de tentativa de intervenção do presidente na Polícia Federal. A bolsa paulista perdeu quase 6.000 pontos e fechou em 112.667 pontos, o menor patamar desde 3 de dezembro.

O dólar também sofreu e subiu 1,27%, para R$ 5,45. Na máxima do dia, chegou a bater R$ 5,53, o que exigiu atuação do BC (Banco Central) para acalmar os ânimos. No total, vendeu US$ 3,6 bilhões e ajudou a dar certo alívio na cotação.

A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) abriu um processo administrativo no sábado, 20, um dia após o presidente da República, Jair Bolsonaro, anunciar pelo Facebook a indicação do general Joaquim Silva e Luna para assumir os cargos de conselheiro de administração e presidente da estatal no lugar do atual presidente da petroleira.



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Diesel chega a 40% dos custos de empresas

Litro do combustível subiu R$ 0,72 desde fim do ano; setor de transporte pede transparência

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

23/02/2021 | 00:05


As constantes altas nos preços do óleo diesel, que desde o fim do ano passado acumulam 20%, já impactam fortemente os caixas das empresas de transporte coletivo e de carga localizadas na região. O litro, que custava em média R$ 3,67, chega a R$ 4,39 em alguns postos – alta de R$ 0,72. Assim, o combustível já é responsável por até 40% dos custos das companhias.

Segundo a Aesa (Associação das Empresas do Sistema de Transporte de Santo André), normalmente os gastos com combustível representavam 25% dos custos das firmas do setor e, agora, já chegam ao patamar de 40%. “Estes gastos já estão quase ultrapassando os custos fixos de pessoal (que respondem por 50% das contas). Nos últimos 12 meses, em Santo André, observamos um aumento de 55% no litro de óleo diesel”, afirmou o gerente geral da associação, Luiz Marcondes Freitas.

Ele também destacou que o preço da tarifa não sofre reajustes há dois anos. “Com certeza a saúde financeira das empresas já está comprometida por causa da pandemia e, com o aumento dos custos com combustível, isso só tende a piorar. Começa a deixar inviável a operação do sistema”, disse Marcondes. “É necessário buscar alternativas para tentar reduzir os custos, como revisão de gratuidades e custos com frotas para equacionar e equilibrar as contas.”

O diretor do Setrans (Sindicato das Empresas de Transportes de Carga do Grande ABC), Fábio Brigidio, também relatou o impacto nas transportadoras de carga da região, que trabalham com um contrato de valor estipulado. “Essas operações são antigas, com contratos já assinados que já preveem um valor fechado. Nas margens de lucro é uma tragédia. Cada operação tem um preço, mas a estimativa é que de uma viagem com média a longa distância o combustível represente 30% do custo da operação. Desde o início do ano, ocorreram 9% no aumento do custo e nenhuma empresa tem este valor a ser acrescido”, relatou.

Para Brigidio, se o aumento perdurar no longo prazo, as empresas terão que renegociar os contratos, mas ponderou que este processo “não é fácil.”

Para tentar resolver a questão, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) decidiu zerar as alíquotas de três impostos sobre o combustível, pelo período de dois meses, a partir de março. “Acredito que para surtir efeito, a retirada dos impostos precisaria ser permanente”, opinou Marcondes.

Brigidio questionou a transparência da política de preços. “Ocorre uma especulação. O aumento no preço da bomba acompanha o preço do barril de petróleo, só que quando ele cai, isso não ocorre. Essa política precisa ficar mais transparente”, assinalou.

Questionada sobre a política de preços e as constantes altas do óleo diesel, a Petrobras informou que tem como referência os valores de paridade de importação e, dessa maneira, eles acompanham as variações do valor dos produtos no mercado internacional e da taxa de câmbio, para cima e para baixo. Em relação à transparência, a estatal afirmou que, desde agosto de 2019, os preços passaram a ser publicados por local e modalidade de venda.

“Até chegar ao consumidor, são acrescidos tributos federais e estaduais, custos para aquisição e mistura obrigatória de biocombustíveis pelas distribuidoras, no caso da gasolina e do diesel, além dos custos e margens das companhias distribuidoras e dos revendedores de combustíveis”, informou, em nota.

Intervenção faz Petrobras perder R$ 100 mi

As recentes declarações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre a Petrobras, que chegou a falar em intervenção na estatal, repercutiram de forma negativa no mercado financeiro. Desde a última quinta-feira até o pregão de ontem, a empresa já tinha perdido aproximadamente R$ 100 bilhões no valor de mercado.

Desde o fim de semana passada, quando a Petrobras anunciou os últimos reajustes nos preços da gasolina e do diesel, Bolsonaro começou a falar sobre “interferências” na estatal, o que consolidou com a exigência da mudança da presidência da empresa.

“Falar em interferência na Petrobras vai ao contrário de uma politica liberal, de privatizações e reformas administrativas e tributárias, que perderam força com o coronavírus. Neste ano, nós continuamos com aumento de casos, novas variantes e desorganização no cronograma de vacinas”, listou o economista da Messem Investimentos Gustavo Bertotti. “Em meio a isso, o presidente fala que haveria consequências e a demissão do atual presidente Roberto Castello Branco, que é extremamente elogiado pelo mercado internacional, pegou todos de surpresa no fim de semana. É um problema na Petrobras, mas que respinga nas outras estatais.”

O risco de um intervencionismo maior e a adoção de medidas populistas fizeram as ações das três principais estatais do País (Petrobras, Banco do Brasil e Eletrobrás) perderem R$ 113,2 bilhões em dois dias. Só na Petrobras a queda foi de R$ 99,6 bilhões. As ações da empresa, que já tinham caído quase 8% na sexta-feira, despencaram 20,48% ontem e podem manter o desempenho negativo nos próximos dias. No Banco do Brasil, o valor de mercado recuou R$ 12,6 bilhões em dois dias e, na Eletrobrás, quase R$ 900 milhões.

“A fala foi bastante equivocada. O Bolsonaro se vendeu como um liberal e uma intervenção desse tamanho é o inverso, se está colocando o ‘tacão’ do governo em uma empresa de capital aberto”, disse o coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero, afirmando que as declarações também enfraquecem o ministro da Economia, Paulo Guedes, ainda bem-visto pelo mercado.

Neste cenário, com as principais ações do Ibovespa em queda, a B3 recuou 4,87% no pregão de ontem, a maior queda para um único dia desde 24 de abril do ano passado, quando o ex-ministro Sérgio Moro deixou o governo em meio a denúncias de tentativa de intervenção do presidente na Polícia Federal. A bolsa paulista perdeu quase 6.000 pontos e fechou em 112.667 pontos, o menor patamar desde 3 de dezembro.

O dólar também sofreu e subiu 1,27%, para R$ 5,45. Na máxima do dia, chegou a bater R$ 5,53, o que exigiu atuação do BC (Banco Central) para acalmar os ânimos. No total, vendeu US$ 3,6 bilhões e ajudou a dar certo alívio na cotação.

A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) abriu um processo administrativo no sábado, 20, um dia após o presidente da República, Jair Bolsonaro, anunciar pelo Facebook a indicação do general Joaquim Silva e Luna para assumir os cargos de conselheiro de administração e presidente da estatal no lugar do atual presidente da petroleira.

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