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CT de Ginástica vira motivo para queda de braço em São Caetano

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Marcos Goto questiona demora e falta de estrutura; Prefeitura prevê entrega em maio


Anderson Fattori

20/02/2021 | 00:01


O Centro de Excelência de Ginástica Artística e Rítmica em construção em São Caetano, na Avenida Kennedy, no bairro Boa Vista, virou motivo de discussão entre Marcos Goto, técnico do campeão olímpico e mundial Arthur Zanetti, da equipe municipal e da Seleção Brasileira, e a Prefeitura.

De um lado, o treinador faz questionamentos relativos ao atraso para entrega da obra, à falta de equipamentos e diz que foi impedido de entrar no local. Do outro lado, a administração pública se justifica e promete entregar o espaço em 90 dias. Além disso, a secretária de Esporte, Lazer e Juventude, Renata Trevelin, nega que tenha impedido Goto de adentrar a construção. “Se foi (barrado), não foi por mim.”

Idealizada em 2013, a obra teve lançamento da pedra fundamental em setembro de 2015. Inicialmente, o investimento seria de R$ 7,8 milhões, sendo R$ 7,2 milhões do governo federal via Caixa e R$ 631 mil de contrapartida do município, que cedeu o terreno. A intenção era a de que o local ficasse pronto a tempo de os atletas poderem se preparar para os Jogos Olímpicos Rio-2016. Porém, passados mais de cinco anos e às vésperas dos Jogos de Tóquio (já adiados de 2020 para 2021 em razão da pandemia), o centro de excelência ainda não está pronto. Neste meio tempo ainda houve aditivo de R$ 1,3 milhão e, no total, o custo superou R$ 9 milhões.

“Quando foi fechado o acordo entre (o extinto) Ministério do Esporte e a Prefeitura, fiz parte do planejamento, do desenho do ginásio. Não entendi por que me proibiram de entrar nem para olhar. Foi, a priori, pensado para a gente se preparar para a Olimpíada de 2016. Passaram os Jogos do Rio e daí seria para se preparar para Tóquio. Estamos quase embarcando para o Japão (os jogos serão entre julho e agosto) e ainda não foi entregue”, criticou Marcos Goto, que foi além. “Sei que está com piso de concreto e sem aparelhagem. Queria que alguém desse satisfação para o que foi feito com dinheiro.”

A secretária Renata Trevelin, por sua vez, tentou responder aos questionamentos. Segundo ela, “todo o trabalho que é feito junto ao extinto Ministério do Esporte exige contrapartida”. “Na época, a Prefeitura (sob gestão de Paulo Pinheiro) deixou de mandar a parte dela e aí o ministério não finalizou a obra. Mudou-se a administração e tivemos problema sério no que tange à parte econômica, houve deficit absurdo de uma administração para a outra”, explicou. “Hoje, está praticamente pronto, fizemos visita técnica, com alguns apontamentos, para que Secretaria de Obras faça retificações. Deve ficar pronto em 90 dias. A estrutura física será entregue. Depois precisamos equipar. Fizemos levantamento e para colocar os equipamentos custará quase R$ 1,5 milhão, que não se consegue da noite para o dia, principalmente em momento de pandemia no qual os recursos do município estão sendo destinados à saúde. Qual a nossa preocupação: ter CT ou vacina? A prioridade é Covid-19 e vacina para a população”, contrapôs. “Vamos buscar (recursos para os aparelhos) de qualquer maneira. Aquele espaço não é exclusivo para treinamento de alto rendimento, mas fomento da modalidade também.”

Zanetti lamenta ‘falta de prestígio’; secretária nega fala

Arthur Zanetti fez um desabafo em suas redes sociais anteontem. Segundo o astro da ginástica artística, ele “teve que ouvir de pessoas da administração” que não havia feito nada por São Caetano.

“Isso foi decepcionante, porque quem está presente no ginásio vê as crianças me dizendo que sou exemplo para elas e muitas dizem que começaram a treinar por minha causa. Isso é mais importante do que qualquer estrutura física que possa ser construída na cidade”, afirmou, em publicação junto a uma foto da conquista da medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Londres. “Essa foto é da minha primeira conquista olímpica, onde representei o meu País, além de São Caetano. Apenas para refrescar a memória daqueles que disseram que não fiz nada pela cidade”, completou.

Ontem, ao Diário, o técnico Marcos Goto creditou a fala à titular da pasta de Esporte, Lazer e Juventude, Renata Trevelin. “Foi a secretária que falou isso, pelas costas da gente, que nunca fizemos nada pela cidade, que só fiz o Arthur. Mostra falta de conhecimento da modalidade. Aqui já passaram mais de 1.000 atletas, hoje temos 400 crianças, lista de 200 para entrar e muitas destas estão por causa do Arthur, pelo resultado na Olimpíada. Arthur é exemplo de quem começou dentro de Prefeitura e foi medalhista. Não temos no País muitos exemplos destes.”

Renata, por sua vez, negou qualquer declaração do tipo. “Em momento nenhum dissemos que ele não é importante. É de extrema importância. E sequer tive contato com ele (Arthur). Ele é um ícone, não há o que questionar, mas não pode ser vítima.”

Técnico garante que medalhista não deixará de treinar na cidade

Além do problema do futuro centro de excelência, Arthur Zanetti e Marcos Goto reclamam de corte e atraso salarial. No ano passado, em razão da pandemia, a Prefeitura determinou teto salarial de R$ 5.000, pago em dez parcelas (exceção feita à última, que está em aberto e que a administração pública se compromete a quitar até dia 28), o que acarretou em diminuições nos vencimentos de ambos.

Segundo a Secretaria de Esporte, o treinador recebia R$ 15 mil e o atleta, R$ 12 mil. Para 2021, houve aumento no teto, para R$ 7.000, mas divididos em oito parcelas. “É proposta indecente. Nenhum profissional na face da Terra consegue viver com menos parcelas no ano e com menos salário”, disse Zanetti ao globoesporte.com. O atleta não pensa em deixar a cidade. Ao menos é o que diz Marcos Goto. “Não estou nem avaliando isso. Quero que Arthur se aposente em São Caetano. Não cogitamos saída, tenho respeito grande pela cidade e a cidade tem por nós.”



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CT de Ginástica vira motivo para queda de braço em São Caetano

Marcos Goto questiona demora e falta de estrutura; Prefeitura prevê entrega em maio

Anderson Fattori

20/02/2021 | 00:01


O Centro de Excelência de Ginástica Artística e Rítmica em construção em São Caetano, na Avenida Kennedy, no bairro Boa Vista, virou motivo de discussão entre Marcos Goto, técnico do campeão olímpico e mundial Arthur Zanetti, da equipe municipal e da Seleção Brasileira, e a Prefeitura.

De um lado, o treinador faz questionamentos relativos ao atraso para entrega da obra, à falta de equipamentos e diz que foi impedido de entrar no local. Do outro lado, a administração pública se justifica e promete entregar o espaço em 90 dias. Além disso, a secretária de Esporte, Lazer e Juventude, Renata Trevelin, nega que tenha impedido Goto de adentrar a construção. “Se foi (barrado), não foi por mim.”

Idealizada em 2013, a obra teve lançamento da pedra fundamental em setembro de 2015. Inicialmente, o investimento seria de R$ 7,8 milhões, sendo R$ 7,2 milhões do governo federal via Caixa e R$ 631 mil de contrapartida do município, que cedeu o terreno. A intenção era a de que o local ficasse pronto a tempo de os atletas poderem se preparar para os Jogos Olímpicos Rio-2016. Porém, passados mais de cinco anos e às vésperas dos Jogos de Tóquio (já adiados de 2020 para 2021 em razão da pandemia), o centro de excelência ainda não está pronto. Neste meio tempo ainda houve aditivo de R$ 1,3 milhão e, no total, o custo superou R$ 9 milhões.

“Quando foi fechado o acordo entre (o extinto) Ministério do Esporte e a Prefeitura, fiz parte do planejamento, do desenho do ginásio. Não entendi por que me proibiram de entrar nem para olhar. Foi, a priori, pensado para a gente se preparar para a Olimpíada de 2016. Passaram os Jogos do Rio e daí seria para se preparar para Tóquio. Estamos quase embarcando para o Japão (os jogos serão entre julho e agosto) e ainda não foi entregue”, criticou Marcos Goto, que foi além. “Sei que está com piso de concreto e sem aparelhagem. Queria que alguém desse satisfação para o que foi feito com dinheiro.”

A secretária Renata Trevelin, por sua vez, tentou responder aos questionamentos. Segundo ela, “todo o trabalho que é feito junto ao extinto Ministério do Esporte exige contrapartida”. “Na época, a Prefeitura (sob gestão de Paulo Pinheiro) deixou de mandar a parte dela e aí o ministério não finalizou a obra. Mudou-se a administração e tivemos problema sério no que tange à parte econômica, houve deficit absurdo de uma administração para a outra”, explicou. “Hoje, está praticamente pronto, fizemos visita técnica, com alguns apontamentos, para que Secretaria de Obras faça retificações. Deve ficar pronto em 90 dias. A estrutura física será entregue. Depois precisamos equipar. Fizemos levantamento e para colocar os equipamentos custará quase R$ 1,5 milhão, que não se consegue da noite para o dia, principalmente em momento de pandemia no qual os recursos do município estão sendo destinados à saúde. Qual a nossa preocupação: ter CT ou vacina? A prioridade é Covid-19 e vacina para a população”, contrapôs. “Vamos buscar (recursos para os aparelhos) de qualquer maneira. Aquele espaço não é exclusivo para treinamento de alto rendimento, mas fomento da modalidade também.”

Zanetti lamenta ‘falta de prestígio’; secretária nega fala

Arthur Zanetti fez um desabafo em suas redes sociais anteontem. Segundo o astro da ginástica artística, ele “teve que ouvir de pessoas da administração” que não havia feito nada por São Caetano.

“Isso foi decepcionante, porque quem está presente no ginásio vê as crianças me dizendo que sou exemplo para elas e muitas dizem que começaram a treinar por minha causa. Isso é mais importante do que qualquer estrutura física que possa ser construída na cidade”, afirmou, em publicação junto a uma foto da conquista da medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Londres. “Essa foto é da minha primeira conquista olímpica, onde representei o meu País, além de São Caetano. Apenas para refrescar a memória daqueles que disseram que não fiz nada pela cidade”, completou.

Ontem, ao Diário, o técnico Marcos Goto creditou a fala à titular da pasta de Esporte, Lazer e Juventude, Renata Trevelin. “Foi a secretária que falou isso, pelas costas da gente, que nunca fizemos nada pela cidade, que só fiz o Arthur. Mostra falta de conhecimento da modalidade. Aqui já passaram mais de 1.000 atletas, hoje temos 400 crianças, lista de 200 para entrar e muitas destas estão por causa do Arthur, pelo resultado na Olimpíada. Arthur é exemplo de quem começou dentro de Prefeitura e foi medalhista. Não temos no País muitos exemplos destes.”

Renata, por sua vez, negou qualquer declaração do tipo. “Em momento nenhum dissemos que ele não é importante. É de extrema importância. E sequer tive contato com ele (Arthur). Ele é um ícone, não há o que questionar, mas não pode ser vítima.”

Técnico garante que medalhista não deixará de treinar na cidade

Além do problema do futuro centro de excelência, Arthur Zanetti e Marcos Goto reclamam de corte e atraso salarial. No ano passado, em razão da pandemia, a Prefeitura determinou teto salarial de R$ 5.000, pago em dez parcelas (exceção feita à última, que está em aberto e que a administração pública se compromete a quitar até dia 28), o que acarretou em diminuições nos vencimentos de ambos.

Segundo a Secretaria de Esporte, o treinador recebia R$ 15 mil e o atleta, R$ 12 mil. Para 2021, houve aumento no teto, para R$ 7.000, mas divididos em oito parcelas. “É proposta indecente. Nenhum profissional na face da Terra consegue viver com menos parcelas no ano e com menos salário”, disse Zanetti ao globoesporte.com. O atleta não pensa em deixar a cidade. Ao menos é o que diz Marcos Goto. “Não estou nem avaliando isso. Quero que Arthur se aposente em São Caetano. Não cogitamos saída, tenho respeito grande pela cidade e a cidade tem por nós.”

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