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Santo André é alijada nas ações de direção da Fundação do ABC

André Henriques/ Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Desde 2017, município andreense é escanteado das principais atividades, sendo preterido por indicações de São Bernardo e de São Caetano


Raphael Rocha
Do Diário do Grande ABC

09/02/2021 | 04:17


Criada em 1967, a FUABC (Fundação do ABC), ao longo de seus mais de 50 anos de atuação, adotou rodízio na direção da entidade entre as prefeituras de Santo André, São Bernardo e São Caetano. Nos últimos anos, porém, as decisões administrativas caminham para escanteamento de Santo André, com privilégio para São Bernardo e São Caetano nas principais indicações da instituição regional.

Em 2017, o prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB), indicou Maria Bernadette Zambotto Vianna para o lugar de Cida Damaia, para fechar o biênio andreense à frente da entidade. No meio do ano, entretanto, começou a pressão de São Bernardo, governada por Orlando Morando (PSDB), para antecipação do nome são-bernardense na Fundação. Em setembro daquele ano, a mudança foi efetivada: Bernadette deu lugar a Carlos Roberto Maciel, ex-vereador e então secretário de Assuntos Governamentais da gestão tucana de São Bernardo.

Apesar de não ter histórico de administração na área da saúde, Maciel, advogado de formação, teve a indicação referendada por unanimidade pelo conselho de curadores. Ele ficou à frente da entidade até maio de 2018 – neste ínterim, deixou o mandato interino para efetivo. Naqueles mês e ano, estourou a Operação Prato Feito, que atingiu em cheio a administração de Morando. Maciel era peça central, conforme a PF (Polícia Federal) e MPF (Ministério Público Federal) de esquema que desviava recursos de contratos da merenda escolar e de alimentação hospitalar – esse último, via FUABC.

Maciel foi acusado de, deliberadamente, cancelar convênios vigentes para assinar acordos emergenciais que favoreceram seu genro, o empresário Fábio Mathias Favaretto, conhecido por ser proprietário da Le Garçon. Maciel, Favaretto e Morando foram denunciados formalmente pelo MPF por peculato e formação de quadrilha. O processo tramita no TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região). Morando nega as acusações contra ele.

Sem Maciel, Morando ainda mostrou força e alocou outro aliado: o procurador-geral do município de São Bernardo, Luiz Mario Pereira de Souza Gomes. A despeito de também não ter histórico em trabalho na área da saúde, seu nome foi aprovado por unanimidade pelo conselho de curadores para dirigir a FUABC.

Encerrado seu mandato, Luiz Mario daria lugar a nome de São Caetano. O vice, pelo rodízio, seria de Santo André. Mas mais uma vez pressão para tirar andreenses de funções destacadas. Adriana Berringer Stephan, de São Caetano, foi apresentada para dirigir a Fundação e Luiz Mario, para ser vice.

Outras duas recentes movimentações reforçam tese de privilégios a São Bernardo e São Caetano em detrimento de Santo André. A saída de Carlos Eduardo Fava da direção da Central de Convênios causou estremecimento interno, com acusações de avanço de auditoria a partir de vazamento de dados da direção da Fundação. Ele foi substituído pela advogada são-caetanense Patrícia Veronesi. Apresentação novamente aprovada pelo conselho de curadores sem sobressaltos.

Na semana passada, Santo André efetivou sua indicação para comandar a Central de Convênios: o vereador Almir Cicote (Avante), ex-presidente da Câmara e ex-superintendente do Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental). Destoando de cenários anteriores, o conselho de curadores decidiu adiar a deliberação em torno de Cicote, sob alegação de que precisaria de crivo prévio do Ministério Público sobre o fato de um político ocupar o espaço. 

Entidade refuta predileção e diz que Santo André abdicou de cargos

A FUABC (Fundação do ABC) assegurou não dispender tratamento inferior a Santo André e que não pode responder pelas indicações dos prefeitos, inclusive as do andreense Paulo Serra (PSDB), quando abriu mão da presidência e chancelou a ida de Carlos Roberto Maciel à organização.

 “Durante o biênio de Santo André à frente da FUABC, o município optou por indicar representantes de São Bernardo. Em nenhuma situação a Fundação do ABC responde pela indicação de sua direção”, informou a entidade, em nota.

 A Fundação não detalhou, porém, por qual motivo as indicações de Carlos Maciel e Luiz Mario Pereira de Souza Gomes, ambos advogados sem histórico em gestão da área da saúde, foram aprovadas pelo conselho de curadores sem questionamentos sobre competência para gerir o setor.

 Sobre a Central de Convênios, a FUABC citou que o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) assinado em março com o Ministério Público exige indicações técnicas e analisadas por meio de entrevista. Acerca de a advogada Patrícia Veronesi, de São Caetano, ter sido aprovada sem críticas, a entidade comentou que ela “possui MBA em gestão estratégica da saúde e traz experiências no departamento jurídico da Apae de São Caetano; como procuradora adjunta da federação das Apaes do Estado de São Paulo; como diretora adjunta e diretora-geral da FUABC no Complexo Hospitalar Municipal de São Caetano e como diretora adjunta da Central de Convênios”. 



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Santo André é alijada nas ações de direção da Fundação do ABC

Desde 2017, município andreense é escanteado das principais atividades, sendo preterido por indicações de São Bernardo e de São Caetano

Raphael Rocha
Do Diário do Grande ABC

09/02/2021 | 04:17


Criada em 1967, a FUABC (Fundação do ABC), ao longo de seus mais de 50 anos de atuação, adotou rodízio na direção da entidade entre as prefeituras de Santo André, São Bernardo e São Caetano. Nos últimos anos, porém, as decisões administrativas caminham para escanteamento de Santo André, com privilégio para São Bernardo e São Caetano nas principais indicações da instituição regional.

Em 2017, o prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB), indicou Maria Bernadette Zambotto Vianna para o lugar de Cida Damaia, para fechar o biênio andreense à frente da entidade. No meio do ano, entretanto, começou a pressão de São Bernardo, governada por Orlando Morando (PSDB), para antecipação do nome são-bernardense na Fundação. Em setembro daquele ano, a mudança foi efetivada: Bernadette deu lugar a Carlos Roberto Maciel, ex-vereador e então secretário de Assuntos Governamentais da gestão tucana de São Bernardo.

Apesar de não ter histórico de administração na área da saúde, Maciel, advogado de formação, teve a indicação referendada por unanimidade pelo conselho de curadores. Ele ficou à frente da entidade até maio de 2018 – neste ínterim, deixou o mandato interino para efetivo. Naqueles mês e ano, estourou a Operação Prato Feito, que atingiu em cheio a administração de Morando. Maciel era peça central, conforme a PF (Polícia Federal) e MPF (Ministério Público Federal) de esquema que desviava recursos de contratos da merenda escolar e de alimentação hospitalar – esse último, via FUABC.

Maciel foi acusado de, deliberadamente, cancelar convênios vigentes para assinar acordos emergenciais que favoreceram seu genro, o empresário Fábio Mathias Favaretto, conhecido por ser proprietário da Le Garçon. Maciel, Favaretto e Morando foram denunciados formalmente pelo MPF por peculato e formação de quadrilha. O processo tramita no TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região). Morando nega as acusações contra ele.

Sem Maciel, Morando ainda mostrou força e alocou outro aliado: o procurador-geral do município de São Bernardo, Luiz Mario Pereira de Souza Gomes. A despeito de também não ter histórico em trabalho na área da saúde, seu nome foi aprovado por unanimidade pelo conselho de curadores para dirigir a FUABC.

Encerrado seu mandato, Luiz Mario daria lugar a nome de São Caetano. O vice, pelo rodízio, seria de Santo André. Mas mais uma vez pressão para tirar andreenses de funções destacadas. Adriana Berringer Stephan, de São Caetano, foi apresentada para dirigir a Fundação e Luiz Mario, para ser vice.

Outras duas recentes movimentações reforçam tese de privilégios a São Bernardo e São Caetano em detrimento de Santo André. A saída de Carlos Eduardo Fava da direção da Central de Convênios causou estremecimento interno, com acusações de avanço de auditoria a partir de vazamento de dados da direção da Fundação. Ele foi substituído pela advogada são-caetanense Patrícia Veronesi. Apresentação novamente aprovada pelo conselho de curadores sem sobressaltos.

Na semana passada, Santo André efetivou sua indicação para comandar a Central de Convênios: o vereador Almir Cicote (Avante), ex-presidente da Câmara e ex-superintendente do Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental). Destoando de cenários anteriores, o conselho de curadores decidiu adiar a deliberação em torno de Cicote, sob alegação de que precisaria de crivo prévio do Ministério Público sobre o fato de um político ocupar o espaço. 

Entidade refuta predileção e diz que Santo André abdicou de cargos

A FUABC (Fundação do ABC) assegurou não dispender tratamento inferior a Santo André e que não pode responder pelas indicações dos prefeitos, inclusive as do andreense Paulo Serra (PSDB), quando abriu mão da presidência e chancelou a ida de Carlos Roberto Maciel à organização.

 “Durante o biênio de Santo André à frente da FUABC, o município optou por indicar representantes de São Bernardo. Em nenhuma situação a Fundação do ABC responde pela indicação de sua direção”, informou a entidade, em nota.

 A Fundação não detalhou, porém, por qual motivo as indicações de Carlos Maciel e Luiz Mario Pereira de Souza Gomes, ambos advogados sem histórico em gestão da área da saúde, foram aprovadas pelo conselho de curadores sem questionamentos sobre competência para gerir o setor.

 Sobre a Central de Convênios, a FUABC citou que o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) assinado em março com o Ministério Público exige indicações técnicas e analisadas por meio de entrevista. Acerca de a advogada Patrícia Veronesi, de São Caetano, ter sido aprovada sem críticas, a entidade comentou que ela “possui MBA em gestão estratégica da saúde e traz experiências no departamento jurídico da Apae de São Caetano; como procuradora adjunta da federação das Apaes do Estado de São Paulo; como diretora adjunta e diretora-geral da FUABC no Complexo Hospitalar Municipal de São Caetano e como diretora adjunta da Central de Convênios”. 

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