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Santo André celebra sucesso dos hospitais de campanha

DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Cidade foi a primeira da região a optar pelas estruturas provisórias para dar conta da demanda da pandemia


Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

07/02/2021 | 07:00


Recorrer a hospital de campanha é algo que passa longe dos planos de qualquer prefeitura. Em 2020, porém, quando o mundo foi atingido por pandemia avassaladora, as administrações tiveram de utilizar o que tinham ao alcance para evitar que pessoas ficassem sem atendimento médico. Santo André foi a primeira cidade do Grande ABC a anunciar a montagem da estrutura provisória, que entrou em funcionamento no dia 17 de abril, no Complexo Esportivo Pedro Dell’Antonia. Logo depois, em 29 de abril, foi aberta a unidade do Estádio Bruno Daniel (desativada em 22 de agosto). Já o equipamento da UFABC (Universidade Federal do ABC) ficou pronto em 11 de junho.

Prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB) contou que a opção pelo hospital de campanha foi pensada e definida desde o dia em que a pandemia chegou na cidade – o primeiro caso foi registrado em 16 de março de 2020 – para garantir que os andreenses não ficassem sem atendimento. “A decisão de levantarmos logo no início dois hospitais de campanha garantiu a nossa capacidade hospitalar instalada, mesmo no momento mais crítico da pandemia. A nossa preocupação sempre foi salvar o maior número de vidas e minimizar os danos diante da maior crise sanitária da história”, contou o tucano.

O investimento foi de R$ 10 milhões – sendo R$ 4,5 milhões no Dell’Antonia; R$ 3 milhões no Bruno Daniel; e R$ 2,5 milhões na UFABC – e, segundo o prefeito, “valeu a pena”, sobretudo pelos andreenses que, com o equipamento, puderam se recuperar e voltar para suas famílias. “Os hospitais de campanha salvaram milhares de vidas e seguem ativos, ajudando e acolhendo centenas de pacientes que lutam para superar a pandemia da Covid-19”, disse Serra, afirmando que “as estruturas se tornaram referência internacional de atuação durante a pandemia”.

Secretário de Saúde, Márcio Chaves contou que, definidos os locais, em menos de 30 dias o hospital de campanha do Dell’Antonia estava disponível para receber os pacientes. “A operação teve início no dia 17 de abril com a internação de três pacientes. O local foi preparado para receber casos leves e moderados”, relembrou.

Serra explicou que o Dell’Antonia foi o primeiro local escolhido porque havia passado por reforma recente e tinha espaço necessário para receber a estrutura, mesmos critérios levados em conta para as outras duas bases. Além disso, o prefeito destaca que, sem essas estruturas, a cidade não teria leitos suficientes para tratar os pacientes que necessitam de internação e isolamento. “Certamente teríamos colapsado e protagonizado cenas tristes como vimos em cidades brasileiras, como Manaus, ou mesmo em países da Europa, como Itália e França”, comparou o tucano.

“Com absoluta certeza teríamos um colapso do sistema publico de saúde. Durante toda a pandemia a taxa de ocupação do CHM (Centro Hospitalar Municipal) girou em torno de 85%, com os demais casos que acometem os cidadãos. Há infartos, AVCs (Acidentes Vasculares Cerebrais), acidentes com traumas graves e casos clínicos agravados”, completou Chaves.

O secretário revelou que, atualmente, o custo mensal dos equipamentos gira em torno de R$ 11 milhões, sendo R$ 6,5 milhões consumidos no Dell’Antonia e R$ 4,5 milhões na UFABC. Já o gasto mensal da base no estádio girava em torno de R$ 3 milhões. “Sem dúvida foi uma decisão que se mostrou acertada. A torcida, obviamente, era a de que os hospitais de campanha não fossem utilizados, porque significaria que a pandemia não teria nos atingido”, disse o secretário da pasta, afirmando que toda a estrutura dos hospitais de campanha será aproveitada pela rede municipal de saúde depois da pandemia.

IMPACTO

O prefeito revelou que seu sentimento em ver os hospitais de campanha cheios foi de tristeza, mas que se sente grato e aliviado por ter montado as estrutura a tempo de salvar vidas. “Sem dúvida, foi o maior desafio que enfrentei na vida, com a enorme responsabilidade de cuidar de 721 mil andreenses e de garantir que possamos passar por todas as dificuldades impostas pela pandemia preservando vidas, recuperando a economia, ressignificando a educação e buscando alternativas e tecnologias que garantissem que Santo André não parasse ou sucumbisse ao vírus”, comentou Serra.

Chaves assumiu ter chorado ao ver a estrutura com pacientes. “Senti o peso da responsabilidade em imaginar que, se não adotasse todas as medidas de segurança preconizadas, estaria colocando em risco a vida de muitos profissionais de saúde. E, se não tomasse todas as providências para garantir um atendimento digno, milhares de pessoas sofreriam”, confirmou.

Ambos definem a missão que enfrentam como uma “responsabilidade imensa” e garantem que Santo André “teve êxito”. “Estamos conseguindo bons resultados porque a nossa cidade sempre esteve um passo à frente do vírus”, comemorou o prefeito. “A pandemia não veio com manual de instrução. Então, cada ação, cada medida adotada é uma novidade”, finalizou Paulo Serra.

Questionado sobre projeto para desmontagem, Chaves garantiu que “não há previsão enquanto não houver garantia de vacinação a todos os cidadãos”.

Atendimento humanizado é a marca registrada

Hospitais de campanha para contenção da Covid foram montados mundo afora e todos com objetivo de suprir a alta demanda de pessoas contaminadas pelo pior vírus enfrentado em 100 anos. Santo André foi além deste cenário de guerra e, além de prover amparo a saúde, também buscou oferecer aos usuários atendimento humanizado.

Embora conhecesse a saúde básica como a palma da mão, o superintendente dos hospitais de campanha Victor Chiavegato, 27 anos, revela que gerir a estrutura de retaguarda foi seu “maior desafio da carreira”. “Sempre trabalhei em gestão de serviço público, mas nunca fiquei à frente de um hospital de campanha nem imaginei que estaria um dia”, contou o sanitarista.

Chiavegato relembra que estava, até março de 2020, como diretor da DAS (Diretoria de Atenção à Saúde) municipal, que faz a gestão macro de atenção básica e especializada, urgência e emergência e atenção hospitalar. Mas, de repente, tudo mudou. “Eu era um profissional muito de gabinete e, quando veio a pandemia, tive de ‘descer do salto’, colocar tênis e enfrentar este novo cenário”, relembrou.

Victor conta que no início de 2020, ao lado da equipe de gestão, passou dias e noites pensando em como montar uma estrutura que tivesse serviço qualificado. Em menos de 30 dias o desenho tomou forma e a batalha estava pronta para começar. “Mais do que ter cama, suporte de medicamento, mesa e todos os equipamentos físicos, nosso maior desafio era poder formar uma equipe que fosse trabalhar com humanização e de forma coesa. Fazer o caldeirão funcionar corretamente foi o mais difícil, mas é o que mais nos dá orgulho, ver que funcionou”, celebrou Chiavegato.

“Quando entrei aqui falei para a equipe que faríamos o melhor hospital de campanha do Brasil e que nossa marca seria a humanização. Esse norte conseguimos implantar e é motivo de orgulho para gente”, disse o profissional, contando que, para a equipe, a sensação não é somente de cuidar de pacientes e, sim, da família. “Além disso, o paciente nem pode ser acompanhado pela família, fica sozinho. No momento que internamos uma pessoa, a equipe passa a ser a família do paciente, a mãe que vai levar o copo d’água na cama, a avó que vai perguntar se melhorou. Então, por trás de toda a técnica, há o cuidado de pessoas”, disse o superintendente, emocionado.

O profissional está à frente dos dois espaços montados na cidade – no Complexo Esportivo Pedro Dell’Antonia e na UFABC (Universidade Federal do ABC) – desde que o projeto começou a tomar forma e ter os primeiros desenhos. “Participei do processos desde quando tiramos as bolas da quadra do Dell’Antonia. Mexe muito com a gente (esse trabalho). Sei que, mesmo quando fechar o hospital, vou lembrar disso para o resto da minha vida”, salientou Chiavegato.

“Aqui sempre tivemos tudo que uma estrutura hospitalar precisa. A única coisa que não temos é o luxo, mas tudo isso é substituído pelo carinho, amor e humanização feita pelos funcionários”, finalizou. 



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Santo André celebra sucesso dos hospitais de campanha

Cidade foi a primeira da região a optar pelas estruturas provisórias para dar conta da demanda da pandemia

Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

07/02/2021 | 07:00


Recorrer a hospital de campanha é algo que passa longe dos planos de qualquer prefeitura. Em 2020, porém, quando o mundo foi atingido por pandemia avassaladora, as administrações tiveram de utilizar o que tinham ao alcance para evitar que pessoas ficassem sem atendimento médico. Santo André foi a primeira cidade do Grande ABC a anunciar a montagem da estrutura provisória, que entrou em funcionamento no dia 17 de abril, no Complexo Esportivo Pedro Dell’Antonia. Logo depois, em 29 de abril, foi aberta a unidade do Estádio Bruno Daniel (desativada em 22 de agosto). Já o equipamento da UFABC (Universidade Federal do ABC) ficou pronto em 11 de junho.

Prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB) contou que a opção pelo hospital de campanha foi pensada e definida desde o dia em que a pandemia chegou na cidade – o primeiro caso foi registrado em 16 de março de 2020 – para garantir que os andreenses não ficassem sem atendimento. “A decisão de levantarmos logo no início dois hospitais de campanha garantiu a nossa capacidade hospitalar instalada, mesmo no momento mais crítico da pandemia. A nossa preocupação sempre foi salvar o maior número de vidas e minimizar os danos diante da maior crise sanitária da história”, contou o tucano.

O investimento foi de R$ 10 milhões – sendo R$ 4,5 milhões no Dell’Antonia; R$ 3 milhões no Bruno Daniel; e R$ 2,5 milhões na UFABC – e, segundo o prefeito, “valeu a pena”, sobretudo pelos andreenses que, com o equipamento, puderam se recuperar e voltar para suas famílias. “Os hospitais de campanha salvaram milhares de vidas e seguem ativos, ajudando e acolhendo centenas de pacientes que lutam para superar a pandemia da Covid-19”, disse Serra, afirmando que “as estruturas se tornaram referência internacional de atuação durante a pandemia”.

Secretário de Saúde, Márcio Chaves contou que, definidos os locais, em menos de 30 dias o hospital de campanha do Dell’Antonia estava disponível para receber os pacientes. “A operação teve início no dia 17 de abril com a internação de três pacientes. O local foi preparado para receber casos leves e moderados”, relembrou.

Serra explicou que o Dell’Antonia foi o primeiro local escolhido porque havia passado por reforma recente e tinha espaço necessário para receber a estrutura, mesmos critérios levados em conta para as outras duas bases. Além disso, o prefeito destaca que, sem essas estruturas, a cidade não teria leitos suficientes para tratar os pacientes que necessitam de internação e isolamento. “Certamente teríamos colapsado e protagonizado cenas tristes como vimos em cidades brasileiras, como Manaus, ou mesmo em países da Europa, como Itália e França”, comparou o tucano.

“Com absoluta certeza teríamos um colapso do sistema publico de saúde. Durante toda a pandemia a taxa de ocupação do CHM (Centro Hospitalar Municipal) girou em torno de 85%, com os demais casos que acometem os cidadãos. Há infartos, AVCs (Acidentes Vasculares Cerebrais), acidentes com traumas graves e casos clínicos agravados”, completou Chaves.

O secretário revelou que, atualmente, o custo mensal dos equipamentos gira em torno de R$ 11 milhões, sendo R$ 6,5 milhões consumidos no Dell’Antonia e R$ 4,5 milhões na UFABC. Já o gasto mensal da base no estádio girava em torno de R$ 3 milhões. “Sem dúvida foi uma decisão que se mostrou acertada. A torcida, obviamente, era a de que os hospitais de campanha não fossem utilizados, porque significaria que a pandemia não teria nos atingido”, disse o secretário da pasta, afirmando que toda a estrutura dos hospitais de campanha será aproveitada pela rede municipal de saúde depois da pandemia.

IMPACTO

O prefeito revelou que seu sentimento em ver os hospitais de campanha cheios foi de tristeza, mas que se sente grato e aliviado por ter montado as estrutura a tempo de salvar vidas. “Sem dúvida, foi o maior desafio que enfrentei na vida, com a enorme responsabilidade de cuidar de 721 mil andreenses e de garantir que possamos passar por todas as dificuldades impostas pela pandemia preservando vidas, recuperando a economia, ressignificando a educação e buscando alternativas e tecnologias que garantissem que Santo André não parasse ou sucumbisse ao vírus”, comentou Serra.

Chaves assumiu ter chorado ao ver a estrutura com pacientes. “Senti o peso da responsabilidade em imaginar que, se não adotasse todas as medidas de segurança preconizadas, estaria colocando em risco a vida de muitos profissionais de saúde. E, se não tomasse todas as providências para garantir um atendimento digno, milhares de pessoas sofreriam”, confirmou.

Ambos definem a missão que enfrentam como uma “responsabilidade imensa” e garantem que Santo André “teve êxito”. “Estamos conseguindo bons resultados porque a nossa cidade sempre esteve um passo à frente do vírus”, comemorou o prefeito. “A pandemia não veio com manual de instrução. Então, cada ação, cada medida adotada é uma novidade”, finalizou Paulo Serra.

Questionado sobre projeto para desmontagem, Chaves garantiu que “não há previsão enquanto não houver garantia de vacinação a todos os cidadãos”.

Atendimento humanizado é a marca registrada

Hospitais de campanha para contenção da Covid foram montados mundo afora e todos com objetivo de suprir a alta demanda de pessoas contaminadas pelo pior vírus enfrentado em 100 anos. Santo André foi além deste cenário de guerra e, além de prover amparo a saúde, também buscou oferecer aos usuários atendimento humanizado.

Embora conhecesse a saúde básica como a palma da mão, o superintendente dos hospitais de campanha Victor Chiavegato, 27 anos, revela que gerir a estrutura de retaguarda foi seu “maior desafio da carreira”. “Sempre trabalhei em gestão de serviço público, mas nunca fiquei à frente de um hospital de campanha nem imaginei que estaria um dia”, contou o sanitarista.

Chiavegato relembra que estava, até março de 2020, como diretor da DAS (Diretoria de Atenção à Saúde) municipal, que faz a gestão macro de atenção básica e especializada, urgência e emergência e atenção hospitalar. Mas, de repente, tudo mudou. “Eu era um profissional muito de gabinete e, quando veio a pandemia, tive de ‘descer do salto’, colocar tênis e enfrentar este novo cenário”, relembrou.

Victor conta que no início de 2020, ao lado da equipe de gestão, passou dias e noites pensando em como montar uma estrutura que tivesse serviço qualificado. Em menos de 30 dias o desenho tomou forma e a batalha estava pronta para começar. “Mais do que ter cama, suporte de medicamento, mesa e todos os equipamentos físicos, nosso maior desafio era poder formar uma equipe que fosse trabalhar com humanização e de forma coesa. Fazer o caldeirão funcionar corretamente foi o mais difícil, mas é o que mais nos dá orgulho, ver que funcionou”, celebrou Chiavegato.

“Quando entrei aqui falei para a equipe que faríamos o melhor hospital de campanha do Brasil e que nossa marca seria a humanização. Esse norte conseguimos implantar e é motivo de orgulho para gente”, disse o profissional, contando que, para a equipe, a sensação não é somente de cuidar de pacientes e, sim, da família. “Além disso, o paciente nem pode ser acompanhado pela família, fica sozinho. No momento que internamos uma pessoa, a equipe passa a ser a família do paciente, a mãe que vai levar o copo d’água na cama, a avó que vai perguntar se melhorou. Então, por trás de toda a técnica, há o cuidado de pessoas”, disse o superintendente, emocionado.

O profissional está à frente dos dois espaços montados na cidade – no Complexo Esportivo Pedro Dell’Antonia e na UFABC (Universidade Federal do ABC) – desde que o projeto começou a tomar forma e ter os primeiros desenhos. “Participei do processos desde quando tiramos as bolas da quadra do Dell’Antonia. Mexe muito com a gente (esse trabalho). Sei que, mesmo quando fechar o hospital, vou lembrar disso para o resto da minha vida”, salientou Chiavegato.

“Aqui sempre tivemos tudo que uma estrutura hospitalar precisa. A única coisa que não temos é o luxo, mas tudo isso é substituído pelo carinho, amor e humanização feita pelos funcionários”, finalizou. 

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