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Marchas da Família também na região

São Paulo realizou em 19 de março de 1964 a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, numa contraposição às reformas de base defendidas pela esquerda. Duas marchas com o mesmo título foram repetidas em Santo André e São Bernardo, menos de um mês após a deflagração do movimento militar


Ademir Medici
Do Diário do Grande ABC

28/01/2021 | 07:00


NAS RUAS
Em São Bernardo, a Marcha da Família realizou-se em 16 de abril de 1964. Dizia-se “contra a comunização do Brasil”. Após a marcha pela Rua Marechal Deodoro, houve concentração no Estádio Ítalo Setti. Prefeito Hygino de Lima e vice-prefeito Aldino Pinotti, adversários políticos, vão ao palanque.
Em Santo André, a Marcha da Família foi realizada em 28 de abril. Criava-se o chamado Centro Democrático de Debates e Estudos de Santo André.

A renúncia de Acylino, Alaor e Grillo.
Philadelpho não assume.
Quem aderiu, quem resistiu...

421 – A marcha em Santo André foi justificada pelos organizadores como um movimento cívico: “(...) É fazer ver às autoridades, ora investidas nos altos escalões da República, da necessidade de não se deturpar os objetivos da revolução democrática, que arrancou o Brasil das garras do totalitarismo vermelho”.
422 – Assinaram o manifesto entidades como a Acisa, Fiesp e Ciesp, sindicatos do Comércio Varejista, Empregados no Comércio e Indústria de Panificação e Confeitaria, Associações dos Engenheiros do ABC, Proprietários de Imóveis, Economistas e Professores, Clube dos Lojistas, Associação dos Cirurgiões-Dentistas, Associação Médica, Lions e Rotary
423 – Com os militares no poder, renunciam, em Santo André, os vereadores Acylino Belissomi, Lincoln Grillo e Alaor Café Filho.
424 – Com a renúncia de Acylino, reassume o vereador José Teixeira, quando deveria assumir o sindicalista Philadelpho Braz. Phila é dado como sumido, o que não corresponde, absolutamente, pois “o mesmo encontrava-se tranquilo, trabalhando”, segundo nota do News Seller.

VINTE ANOS DEPOIS
Em 1984, o Diário do Grande ABC publica reportagem lembrando o movimento de 1964. Jornalista Ivone Santana ouve vários protagonistas. E anota:
425 – Dom Jorge Marcos de Oliveira – Preguei a ilegitimidade da revolução, desde que ela foi cogitada. De modo geral, o episcopado recebeu com alegria a “Redentora”, que vinha afastar o “perigo comunista”. Fiz conferências. Apoiei os perseguidos.
426 – Acylino Bellisomi: “Comentava-se que o Exército ia invadir a cidade, a Câmara seria fechada e o prefeito, deposto. Nada disto ocorreu”.
427 – Hygino de Lima, prefeito de São Bernardo: “Eu era administrador e não político. Logo passei para o lado do governo”.
428 – Walter Braido, eleito prefeito de São Caetano em 1964: “O movimento foi muito bem aceito, tanto que conquistei a Prefeitura, pela primeira vez, oito meses após o golpe, defendendo-o em minha campanha”.
429 – Newton Brandão, que perdeu as eleições de 1963 com o apoio da esquerda: “Não tomei posicionamento durante a Revolução, mas não a aprovava. E também era contra a situação social vigente, com sucessivas greves”.
430 – Miguel Guillen, que presidiu o Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André entre 1956 e 1964: “Uma das primeiras providências do governo militar foi intervir nos sindicatos mais combativos e prender seus dirigentes. Fomos colocados em celas comuns, junto com bêbados e marginais. Não fomos torturados, mas quando deixamos a prisão recebemos conselho do delegado para que não nos envolvêssemos mais com sindicalismo”.

Diário há meio século
Quinta-feira, 28 de janeiro de 1971 – ano 13, edição 1446
Manchete – Câmara de São Bernardo: haverá eleição. Surgia impasse na renovação da mesa diretora, e não só em São Bernardo, com as diversas interpretações dos textos da Lei Orgânica dos Municípios e Constituição Federal.
Polícia – Foi inaugurado ontem (27 de janeiro de 1971) na Divisão de Comunicações da Secretaria de Segurança Pública o serviço de telefoto. Inicialmente teria unidades receptoras e transmissoras na sede da SSP, no ABC e em Santos.

Hoje
- Dia do Portuário.
- Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo.
- Dia do Auditor Fiscal do Trabalho.

Santos do dia
- Tomás D’Aquino (Itália, Campania 1225-Fossa Nuova, 1274). Frei dominicano.

- José Freinademetz (Tirol do Sul, 1852 – Taikia, 1908). Missionário. Padre José era chamado de Padre Fu Shen Fu, o Padre Feliz. 



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Marchas da Família também na região

São Paulo realizou em 19 de março de 1964 a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, numa contraposição às reformas de base defendidas pela esquerda. Duas marchas com o mesmo título foram repetidas em Santo André e São Bernardo, menos de um mês após a deflagração do movimento militar

Ademir Medici
Do Diário do Grande ABC

28/01/2021 | 07:00


NAS RUAS
Em São Bernardo, a Marcha da Família realizou-se em 16 de abril de 1964. Dizia-se “contra a comunização do Brasil”. Após a marcha pela Rua Marechal Deodoro, houve concentração no Estádio Ítalo Setti. Prefeito Hygino de Lima e vice-prefeito Aldino Pinotti, adversários políticos, vão ao palanque.
Em Santo André, a Marcha da Família foi realizada em 28 de abril. Criava-se o chamado Centro Democrático de Debates e Estudos de Santo André.

A renúncia de Acylino, Alaor e Grillo.
Philadelpho não assume.
Quem aderiu, quem resistiu...

421 – A marcha em Santo André foi justificada pelos organizadores como um movimento cívico: “(...) É fazer ver às autoridades, ora investidas nos altos escalões da República, da necessidade de não se deturpar os objetivos da revolução democrática, que arrancou o Brasil das garras do totalitarismo vermelho”.
422 – Assinaram o manifesto entidades como a Acisa, Fiesp e Ciesp, sindicatos do Comércio Varejista, Empregados no Comércio e Indústria de Panificação e Confeitaria, Associações dos Engenheiros do ABC, Proprietários de Imóveis, Economistas e Professores, Clube dos Lojistas, Associação dos Cirurgiões-Dentistas, Associação Médica, Lions e Rotary
423 – Com os militares no poder, renunciam, em Santo André, os vereadores Acylino Belissomi, Lincoln Grillo e Alaor Café Filho.
424 – Com a renúncia de Acylino, reassume o vereador José Teixeira, quando deveria assumir o sindicalista Philadelpho Braz. Phila é dado como sumido, o que não corresponde, absolutamente, pois “o mesmo encontrava-se tranquilo, trabalhando”, segundo nota do News Seller.

VINTE ANOS DEPOIS
Em 1984, o Diário do Grande ABC publica reportagem lembrando o movimento de 1964. Jornalista Ivone Santana ouve vários protagonistas. E anota:
425 – Dom Jorge Marcos de Oliveira – Preguei a ilegitimidade da revolução, desde que ela foi cogitada. De modo geral, o episcopado recebeu com alegria a “Redentora”, que vinha afastar o “perigo comunista”. Fiz conferências. Apoiei os perseguidos.
426 – Acylino Bellisomi: “Comentava-se que o Exército ia invadir a cidade, a Câmara seria fechada e o prefeito, deposto. Nada disto ocorreu”.
427 – Hygino de Lima, prefeito de São Bernardo: “Eu era administrador e não político. Logo passei para o lado do governo”.
428 – Walter Braido, eleito prefeito de São Caetano em 1964: “O movimento foi muito bem aceito, tanto que conquistei a Prefeitura, pela primeira vez, oito meses após o golpe, defendendo-o em minha campanha”.
429 – Newton Brandão, que perdeu as eleições de 1963 com o apoio da esquerda: “Não tomei posicionamento durante a Revolução, mas não a aprovava. E também era contra a situação social vigente, com sucessivas greves”.
430 – Miguel Guillen, que presidiu o Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André entre 1956 e 1964: “Uma das primeiras providências do governo militar foi intervir nos sindicatos mais combativos e prender seus dirigentes. Fomos colocados em celas comuns, junto com bêbados e marginais. Não fomos torturados, mas quando deixamos a prisão recebemos conselho do delegado para que não nos envolvêssemos mais com sindicalismo”.

Diário há meio século
Quinta-feira, 28 de janeiro de 1971 – ano 13, edição 1446
Manchete – Câmara de São Bernardo: haverá eleição. Surgia impasse na renovação da mesa diretora, e não só em São Bernardo, com as diversas interpretações dos textos da Lei Orgânica dos Municípios e Constituição Federal.
Polícia – Foi inaugurado ontem (27 de janeiro de 1971) na Divisão de Comunicações da Secretaria de Segurança Pública o serviço de telefoto. Inicialmente teria unidades receptoras e transmissoras na sede da SSP, no ABC e em Santos.

Hoje
- Dia do Portuário.
- Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo.
- Dia do Auditor Fiscal do Trabalho.

Santos do dia
- Tomás D’Aquino (Itália, Campania 1225-Fossa Nuova, 1274). Frei dominicano.

- José Freinademetz (Tirol do Sul, 1852 – Taikia, 1908). Missionário. Padre José era chamado de Padre Fu Shen Fu, o Padre Feliz. 

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