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Artigo: veículos pesados e viagens sem volta

 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Da Redação
Do Garagem360

26/01/2021 | 17:18


Por Alysson Coimbra*

As recentes tragédias envolvendo veículos pesados ocorridas em Taguaí, no interior de São Paulo (41 mortos e 10 feridos), em João Monlevade, no estado de Minas Gerais (19 mortos e 23 feridos) e em Guaratuba, no Paraná (19 mortos e 33 feridos), expõem de forma contundente o risco de flexibilizar as regras do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e de dar aos motoristas profissionais o mesmo tratamento conferido aos condutores comuns.

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A maior preocupação recai para essa categoria em virtude da grande letalidade e gravidade dos acidentes provocados por veículos de peso e dimensões cada vez maiores.

Estimativas de entidades ligadas à segurança do trânsito indicam que pelo menos seis pessoas perdem a vida a cada acidente envolvendo estes veículos. Por isso, e pelas características da profissão dos motoristas, não se pode tratar da mesma maneira condutores comuns e profissionais. Esses três casos interromperam os sonhos de 79 pessoas e deixarão sequelas permanentes em outras dezenas de passageiros. Famílias obrigadas a conviver eternamente com esse espaço que nunca mais será preenchido. Quantas tragédias mais serão necessárias para que as trágicas intervenções realizadas recentemente no Sistema Nacional de Trânsito sejam revistas?

Uma pesquisa recente realizada por entidade científica mostrou que cerca de 283,5 mil acidentes de trânsito registrados em rodovias brasileiras nos últimos anos foram provocados por questões relacionadas à saúde dos motoristas.

Não garantir a avaliação médica e psicológica de condutores e candidatos a motoristas somente por peritos examinadores especialistas em tráfego é ignorar alterações graves de saúde que afetam a dirigibilidade e que certamente seriam detectadas precocemente. Segundo esse estudo, 76% dos acidentes foram provocados por falta de atenção ao dirigir, fadiga, estresse, cansaço, déficit de atenção ou comprometimento do raciocínio. Essas condições provocaram 62% das mortes e 74% dos ferimentos. A ciência, mais uma vez, é uma ferramenta indispensável na construção de políticas públicas. Ou deveria ser.

LEIA MAIS: Artigo: as mudanças a curto (e a longo) prazo no mercado automotivo
Veículos autônomos: Trump perdoa ladrão

Cerca de 80% dos condutores de veículos pesados, ainda segundo entidades do setor, são autônomos e a maioria só passa por uma avaliação médica no momento de renovar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Isso, aliado à rotina estressante, alimentação irregular e privação do sono, pode potencializar a manifestação de diversas doenças que aumentam o risco de graves acidentes.

Em nenhum momento se pretende atribuir à qualquer categoria todas as responsabilidades pelo trágico cenário do sistema nacional de trânsito, mas é inegável o risco assumido por nossos governantes ao tratarem esse tema sem a responsabilidade necessária.

Se quisermos salvar vidas, o trânsito deve ser encarado como uma questão de saúde pública. Infelizmente, isso está longe de acontecer no Brasil.

*Alysson Coimbra, médico e coordenador da Mobilização Nacional dos Médicos e Psicólogos Especialistas em Trânsito



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Artigo: veículos pesados e viagens sem volta

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Do Garagem360

26/01/2021 | 17:18


Por Alysson Coimbra*

As recentes tragédias envolvendo veículos pesados ocorridas em Taguaí, no interior de São Paulo (41 mortos e 10 feridos), em João Monlevade, no estado de Minas Gerais (19 mortos e 23 feridos) e em Guaratuba, no Paraná (19 mortos e 33 feridos), expõem de forma contundente o risco de flexibilizar as regras do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e de dar aos motoristas profissionais o mesmo tratamento conferido aos condutores comuns.

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Estimativas de entidades ligadas à segurança do trânsito indicam que pelo menos seis pessoas perdem a vida a cada acidente envolvendo estes veículos. Por isso, e pelas características da profissão dos motoristas, não se pode tratar da mesma maneira condutores comuns e profissionais. Esses três casos interromperam os sonhos de 79 pessoas e deixarão sequelas permanentes em outras dezenas de passageiros. Famílias obrigadas a conviver eternamente com esse espaço que nunca mais será preenchido. Quantas tragédias mais serão necessárias para que as trágicas intervenções realizadas recentemente no Sistema Nacional de Trânsito sejam revistas?

Uma pesquisa recente realizada por entidade científica mostrou que cerca de 283,5 mil acidentes de trânsito registrados em rodovias brasileiras nos últimos anos foram provocados por questões relacionadas à saúde dos motoristas.

Não garantir a avaliação médica e psicológica de condutores e candidatos a motoristas somente por peritos examinadores especialistas em tráfego é ignorar alterações graves de saúde que afetam a dirigibilidade e que certamente seriam detectadas precocemente. Segundo esse estudo, 76% dos acidentes foram provocados por falta de atenção ao dirigir, fadiga, estresse, cansaço, déficit de atenção ou comprometimento do raciocínio. Essas condições provocaram 62% das mortes e 74% dos ferimentos. A ciência, mais uma vez, é uma ferramenta indispensável na construção de políticas públicas. Ou deveria ser.

LEIA MAIS: Artigo: as mudanças a curto (e a longo) prazo no mercado automotivo
Veículos autônomos: Trump perdoa ladrão

Cerca de 80% dos condutores de veículos pesados, ainda segundo entidades do setor, são autônomos e a maioria só passa por uma avaliação médica no momento de renovar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Isso, aliado à rotina estressante, alimentação irregular e privação do sono, pode potencializar a manifestação de diversas doenças que aumentam o risco de graves acidentes.

Em nenhum momento se pretende atribuir à qualquer categoria todas as responsabilidades pelo trágico cenário do sistema nacional de trânsito, mas é inegável o risco assumido por nossos governantes ao tratarem esse tema sem a responsabilidade necessária.

Se quisermos salvar vidas, o trânsito deve ser encarado como uma questão de saúde pública. Infelizmente, isso está longe de acontecer no Brasil.

*Alysson Coimbra, médico e coordenador da Mobilização Nacional dos Médicos e Psicólogos Especialistas em Trânsito

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