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Queda na arrecadação federal preocupa especialistas da região

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Em 2020, União registra retração de 3,75% em volume nominal na receita, resultado que liga sinal de alerta no Grande ABC


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

26/01/2021 | 09:08


Em ano de pandemia, a arrecadação federal de 2020 teve queda de 3,75% em termos nominais na comparação com 2019, redução que chega a 6,91% nos valores reais, ou seja, corrigidos pela inflação. Para o ministro da Economia, Paulo Guedes, o resultado é considerado “excelente” (leia mais abaixo), mas para especialistas, apesar da expectativa anterior ser de queda ainda maior, os dados mostram a falta de medidas governamentais e acenam para uma situação ainda pior no Grande ABC.

Para o economista e professor coordenador do Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura) da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Jefferson José da Conceição, os dados reforçam os efeitos da crise sanitária causada pela pandemia de Covid-19 nas políticas governamentais “que já vinham travando a economia antes”, e que só deve ser revertida quando ocorrer a vacinação em massa da população.

O economista afirma que os impacros foram ainda mais fortes na região. Isso porque a indústria local já vinha sofrendo perdas, inclusive no setor automotivo, do qual as cidades são extremamente dependentes.

“Acredito que a perda de arrecadação foi maior no Grande ABC porque culminou com a saída da Ford (que em 2019 fechou a fábrica de caminhões em São Bernardo e no início deste ano anunciou a saída do Brasil) se concretizando e a queda do setor industrial, o que paga os salários mais altos. Boa parte dessas empresas optou pela redução salarial e isso interferiu nos percentuais de arrecadação”, analisou.

O coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero, também chamou a atenção para o impacto na redução de investimentos, o que é um desafio para o poder público nos próximos anos. “Isso lança o desafio de como financiar essas perdas e a região também sente, porque impacta na arrecadação. Algumas prefeituras da região já vinham com dificuldades fiscais antes do período da pandemia. Agora é um desafio para os novos prefeitos, e também para aqueles que foram reeleitos, trabalhar com esse cenário, o que pode prejudicar investimento em áreas primordiais como a saúde e educação”, argumentou.

MOVIMENTO EM ‘W’
Para o coordenador do Conjuscs, a situação só não foi pior por causa do pagamento do auxílio emergencial, que, com cinco parcelas de R$ 600 e quatro de R$ 300, ajudou a injetar recursos na economia. “Algumas contradições foram verificadas em 2020. Ao mesmo tempo em que falávamos de crise, não foram implementadas medidas, como aumentar a tabela do Imposto de Renda, o que ajudaria na arrecadação”, apontou.

Ele destaca também as oscilações causadas pela crise. “A economia viveu movimento de ‘W’ (alternância de crescimento e retração) ao longo do ano passado, com fechamento de atividades por causa da pandemia. O que causou desaceleração e depois teve a liberação com retomada das atividades. Com o surgimento de novos casos graves (de Covid-19), estamos vivendo uma nova fase de desaceleração e isso se reflete na arrecadação”, declarou. 



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Queda na arrecadação federal preocupa especialistas da região

Em 2020, União registra retração de 3,75% em volume nominal na receita, resultado que liga sinal de alerta no Grande ABC

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

26/01/2021 | 09:08


Em ano de pandemia, a arrecadação federal de 2020 teve queda de 3,75% em termos nominais na comparação com 2019, redução que chega a 6,91% nos valores reais, ou seja, corrigidos pela inflação. Para o ministro da Economia, Paulo Guedes, o resultado é considerado “excelente” (leia mais abaixo), mas para especialistas, apesar da expectativa anterior ser de queda ainda maior, os dados mostram a falta de medidas governamentais e acenam para uma situação ainda pior no Grande ABC.

Para o economista e professor coordenador do Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura) da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Jefferson José da Conceição, os dados reforçam os efeitos da crise sanitária causada pela pandemia de Covid-19 nas políticas governamentais “que já vinham travando a economia antes”, e que só deve ser revertida quando ocorrer a vacinação em massa da população.

O economista afirma que os impacros foram ainda mais fortes na região. Isso porque a indústria local já vinha sofrendo perdas, inclusive no setor automotivo, do qual as cidades são extremamente dependentes.

“Acredito que a perda de arrecadação foi maior no Grande ABC porque culminou com a saída da Ford (que em 2019 fechou a fábrica de caminhões em São Bernardo e no início deste ano anunciou a saída do Brasil) se concretizando e a queda do setor industrial, o que paga os salários mais altos. Boa parte dessas empresas optou pela redução salarial e isso interferiu nos percentuais de arrecadação”, analisou.

O coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero, também chamou a atenção para o impacto na redução de investimentos, o que é um desafio para o poder público nos próximos anos. “Isso lança o desafio de como financiar essas perdas e a região também sente, porque impacta na arrecadação. Algumas prefeituras da região já vinham com dificuldades fiscais antes do período da pandemia. Agora é um desafio para os novos prefeitos, e também para aqueles que foram reeleitos, trabalhar com esse cenário, o que pode prejudicar investimento em áreas primordiais como a saúde e educação”, argumentou.

MOVIMENTO EM ‘W’
Para o coordenador do Conjuscs, a situação só não foi pior por causa do pagamento do auxílio emergencial, que, com cinco parcelas de R$ 600 e quatro de R$ 300, ajudou a injetar recursos na economia. “Algumas contradições foram verificadas em 2020. Ao mesmo tempo em que falávamos de crise, não foram implementadas medidas, como aumentar a tabela do Imposto de Renda, o que ajudaria na arrecadação”, apontou.

Ele destaca também as oscilações causadas pela crise. “A economia viveu movimento de ‘W’ (alternância de crescimento e retração) ao longo do ano passado, com fechamento de atividades por causa da pandemia. O que causou desaceleração e depois teve a liberação com retomada das atividades. Com o surgimento de novos casos graves (de Covid-19), estamos vivendo uma nova fase de desaceleração e isso se reflete na arrecadação”, declarou. 

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