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Pandemia faz crescer número de divórcios no Grande ABC

 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Aumento de 10,37% nas separações na região tem relação com o confinamento para mitigar disseminação do vírus


Vinícius Castelli
Do Diário do Grande ABC

25/01/2021 | 00:04


Cresceu 10,37% o número de divórcios no Grande ABC entre 2019 e 2020, segundo dados do CNB-SP (Colégio Notarial do Brasil – Secção São Paulo), associação que congrega os cartórios de notas paulistas. Esse número que colaborou para que o Estado batesse recorde de separação de casais.

Na região, subiu de 1.254 para 1.384 o montante de pedidos de separação, conforme a instituição, no ano de pandemia de Covid-19, quando as pessoas foram forçadas a ficar em casa, uma das medidas recomendadas para frear o avanço do vírus.

No Estado, 17.228 pessoas recorreram aos divórcios, volume 4% maior do que o registrado em 2019. No País, o contingente também é alto: 43.859. Em 2019, segundo o CNB-CF (Conselho Notarial do Brasil – Conselho Federal), haviam sido computadas 38.174 separações.

São Bernardo é a quinta cidade com maior número de dissoluções matrimoniais no Estado em 2020, somando total de 459. Está atrás apenas da Capital (5.260), Campinas (702), Ribeirão Preto (510) e Guarulhos (469). Entre as dez cidades com mais divórcios no ano passado, ainda está Santo André, na nona colocação, com 445 separações.

Regina Cardoso (a entrevistada pediu para ter o nome alterado), 27 anos, é uma das que integram a lista. Ela se divorciou no primeiro semestre de 2020, após nove anos de relacionamento, sendo três deles de casada no papel.

A são-bernardense, que hoje vive em Santo André, começou a sentir o descontentamento na relação no fim de 2019. “A gente sempre saia com os amigos. Às vezes eu queria sair só nós dois e não dava. O foco sempre era a amizade. A gente acabou não tendo nossos momentos e acabamos nos perdendo”, explica.

“Comecei a entender meus sentimentos, mas a gente sempre acha que não está acontecendo conosco. No fim do ano (2019) ficou mais claro e tomei decisão durante um evento específico”, comentou. “Decidi em fevereiro e o término foi no começo de abril. Só foi o tempo de eu voltar para a terapia para me preparar”, adicionou.

Regina acreditava não ter força emocional suficiente para seguir adiante com a separação, por isso, diz que as sessões com psicólogo ajudaram a se fortalecer e conseguir ir adiante com sua decisão.
“Meu psicológico é um pouco baixo. Me preocupo muito com os outros e esqueço de mim. Ele (ex-marido) é muito bom emocionalmente, no jogo das palavras. Sabia que precisava estar com a cabeça boa para receber tudo o que ele iria falar e poder rebater. Não podia ficar pensando nele e desistir de fazer tudo”, avaliou. “Entrei de home office, do meio para o fim de março, e me separei no início de abril”, citou Regina sobre o volume de mudanças repentinas em sua rotina. O casal não tem mais contato. “Hoje sou muito, muito feliz”, completa ela.

O mês com maior taxa de dissoluções no relacionamento foi julho, com 163 casos no Grande ABC. O número seguiu a tendência estadual, que colocou o mês como o ápice no volume de divórcios: 1.916, o que representa aumento de 40% se comparado ao mesmo período do ano anterior.

“Os dados computados pelos tabelionatos paulistas são números que nos levam a crer que a pandemia teve influência sobre os casais. Desde maio, quando o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) autorizou a realização de todos os atos notariais por videoconferência, estamos notando demanda crescente por este serviço”, afirma Andrey Guimarães Duarte, vice-presidente do Colégio Notarial do Brasil – Seção São Paulo e titular do 4º Tabelião de Notas de São Bernardo.

A pandemia da Covid-19 foi o estopim para a vendedora Sueli Andrade (ela também pediu para ter o nome alterado), 40, de São Bernardo, mudar de vida. A relação de 15 anos, sendo a última década de casada, já não caminhava bem. “Problemas financeiros apareceram nos últimos anos e com isso as discussões surgiram”, relata.

Segundo a vendedora, o casal tentou várias vezes apaziguar os ânimos e seguir adiante. Por um tempo funcionou, admitiu. “Mas no último ano, com os dois em casa por mais tempo, tudo piorou e começamos a perder o carinho. Em agosto, depois de uma dura conversa, resolvemos seguir nossos caminhos. Como não temos filhos, ficou mais fácil. Depois disso, nunca mais nos falamos.” 



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Pandemia faz crescer número de divórcios no Grande ABC

Aumento de 10,37% nas separações na região tem relação com o confinamento para mitigar disseminação do vírus

Vinícius Castelli
Do Diário do Grande ABC

25/01/2021 | 00:04


Cresceu 10,37% o número de divórcios no Grande ABC entre 2019 e 2020, segundo dados do CNB-SP (Colégio Notarial do Brasil – Secção São Paulo), associação que congrega os cartórios de notas paulistas. Esse número que colaborou para que o Estado batesse recorde de separação de casais.

Na região, subiu de 1.254 para 1.384 o montante de pedidos de separação, conforme a instituição, no ano de pandemia de Covid-19, quando as pessoas foram forçadas a ficar em casa, uma das medidas recomendadas para frear o avanço do vírus.

No Estado, 17.228 pessoas recorreram aos divórcios, volume 4% maior do que o registrado em 2019. No País, o contingente também é alto: 43.859. Em 2019, segundo o CNB-CF (Conselho Notarial do Brasil – Conselho Federal), haviam sido computadas 38.174 separações.

São Bernardo é a quinta cidade com maior número de dissoluções matrimoniais no Estado em 2020, somando total de 459. Está atrás apenas da Capital (5.260), Campinas (702), Ribeirão Preto (510) e Guarulhos (469). Entre as dez cidades com mais divórcios no ano passado, ainda está Santo André, na nona colocação, com 445 separações.

Regina Cardoso (a entrevistada pediu para ter o nome alterado), 27 anos, é uma das que integram a lista. Ela se divorciou no primeiro semestre de 2020, após nove anos de relacionamento, sendo três deles de casada no papel.

A são-bernardense, que hoje vive em Santo André, começou a sentir o descontentamento na relação no fim de 2019. “A gente sempre saia com os amigos. Às vezes eu queria sair só nós dois e não dava. O foco sempre era a amizade. A gente acabou não tendo nossos momentos e acabamos nos perdendo”, explica.

“Comecei a entender meus sentimentos, mas a gente sempre acha que não está acontecendo conosco. No fim do ano (2019) ficou mais claro e tomei decisão durante um evento específico”, comentou. “Decidi em fevereiro e o término foi no começo de abril. Só foi o tempo de eu voltar para a terapia para me preparar”, adicionou.

Regina acreditava não ter força emocional suficiente para seguir adiante com a separação, por isso, diz que as sessões com psicólogo ajudaram a se fortalecer e conseguir ir adiante com sua decisão.
“Meu psicológico é um pouco baixo. Me preocupo muito com os outros e esqueço de mim. Ele (ex-marido) é muito bom emocionalmente, no jogo das palavras. Sabia que precisava estar com a cabeça boa para receber tudo o que ele iria falar e poder rebater. Não podia ficar pensando nele e desistir de fazer tudo”, avaliou. “Entrei de home office, do meio para o fim de março, e me separei no início de abril”, citou Regina sobre o volume de mudanças repentinas em sua rotina. O casal não tem mais contato. “Hoje sou muito, muito feliz”, completa ela.

O mês com maior taxa de dissoluções no relacionamento foi julho, com 163 casos no Grande ABC. O número seguiu a tendência estadual, que colocou o mês como o ápice no volume de divórcios: 1.916, o que representa aumento de 40% se comparado ao mesmo período do ano anterior.

“Os dados computados pelos tabelionatos paulistas são números que nos levam a crer que a pandemia teve influência sobre os casais. Desde maio, quando o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) autorizou a realização de todos os atos notariais por videoconferência, estamos notando demanda crescente por este serviço”, afirma Andrey Guimarães Duarte, vice-presidente do Colégio Notarial do Brasil – Seção São Paulo e titular do 4º Tabelião de Notas de São Bernardo.

A pandemia da Covid-19 foi o estopim para a vendedora Sueli Andrade (ela também pediu para ter o nome alterado), 40, de São Bernardo, mudar de vida. A relação de 15 anos, sendo a última década de casada, já não caminhava bem. “Problemas financeiros apareceram nos últimos anos e com isso as discussões surgiram”, relata.

Segundo a vendedora, o casal tentou várias vezes apaziguar os ânimos e seguir adiante. Por um tempo funcionou, admitiu. “Mas no último ano, com os dois em casa por mais tempo, tudo piorou e começamos a perder o carinho. Em agosto, depois de uma dura conversa, resolvemos seguir nossos caminhos. Como não temos filhos, ficou mais fácil. Depois disso, nunca mais nos falamos.” 

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