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O Grande ABC na comarca de São Paulo

Durante décadas a região pertenceu à comarca paulistana, mesmo com o seu crescimento industrial, econômico e populacional


Ademir
Do Diário do Grande ABC

24/01/2021 | 00:01


“Todas as cidades do mundo amam os seus rios – Londres, Paris, Nova York. São Paulo é a única que não ama. O Pinheiros e o Tietê foram convertidos num fosso sanitário para carregar bosta de paulista. É uma coisa realmente lamentável. São Paulo nunca se deu confortos. Os paulistas têm orgulho da cidade que mais tem asfalto por habitante no mundo. Mas me lembro com saudade de Higienópolis, da Rua Caio Prado e dos lugares em que vivi.”

Darcy Ribeiro, professor e historiador 

Em janeiro de 1921, realizava-se o Censo de São Paulo, e os dados preliminares traziam as seguintes informações:

- A comarca de São Paulo era formada pela Capital propriamente dita, mais sete outros municípios da atual Grande São Paulo: Santo Amaro (então município autônomo, hoje distrito paulistano), São Bernardo (abrangendo todo o atual Grande ABC), Itapecerica, Cotia, Juqueri, Guarulhos e Parnaíba.

- A comarca possuía 650 mil habitantes, sendo 556 mil na Capital.

- Os bairros mais populosos eram Mooca, Brás, Santa Cecília, Bela Vista, Consolação, Santa Efigênia, Bom Retiro e Santana.

LEMBRANÇAS

O poeta Paulo Bomfim conviveu com esta cidade. E ele deixou um depoimento maravilhoso ao Projeto Memória, em entrevista ao jornalista Milton Parron.

Disse Paulo Bomfim:

- Nasci na Maternidade São Paulo e fui criado na Vila Buarque, na Rua Rego Freitas. Não havia um prédio de apartamentos em todas as ruas do bairro, iluminadas com luz de lampião.

- Durante a Revolução de 32, do sobrado da casa do meu avô, eu podia ver os aviões da ditadura bombardeando o Campo de Marte.

- O primeiro prédio de apartamentos foi o Santo Antonio, onde depois foi instalada a famosa Caverna Santo Antonio e o Restaurante Mickey Mouse.

- Esse prédio ficava em frente à casa do meu avô e era residência do grande cirurgião paulista, professor Antonio Cândido Camargo, o A. C. Camargo que é a sigla do hospital do câncer.

- A São Paulo dos anos 40 tinha os restaurantes Gigetto, Pareirinha, Papai, Santana, Boa Vista, Ponto Chic – que no meu tempo tinha snuker no fundo.

- Os cabarés eram maravilhosos: Pássaro Azul, Imperial (que pertencia a Bianca Perla, uma das divas da madrugada paulista), Tabu (no Largo do Paissandu), Olimpo, Tropical.

- Bares como o Rialto, com aquelas balalaicas, canções russas, Rio Branco, Tico-Tico, Comercial, Internacional, Boêmio (frequentado pelo Paulinho Vanzolin, compositor).

- A madrugada de São Paulo era íntima. Parecia o fundo de quintal da casa da vó da gente. Todo mundo era primo, amigo.

- Época dos grandes valentes, da valentia no braço, sem arma. Tempo do Sangue Azul, do Vavá, do Casteloni, do Moleque Dezoito, do Kid Metralhadora, do Tenente Mineirinho...

POESIA EM CRÔNICA

E lá vai Paulo Bonfim, o Poeta de São Paulo, destilando lembranças. Para encerrar – provoca Parron – um poema. E Bonfim interpreta: Minha Insólita Metrópole.

- Minha insólita metrópole, capital de todos os absurdos! Música eletrônica em fundo de serenata, paisagem cubista com incrustações primitivas, poema concreto envolto em trovas caboclas.

- Cidade feita de cidades, bairros proclamando independência, ruas falando dialetos, homens com urgência de viver.

- Oceano feito de ilhas. Ilhas chegando, ilhas sangrando, ilhas florindo.

- Os céus cansados do concreto que arranha. Cresce o mar das periferias.

- No barco dos barracos navega um sonho. No fundo de cada um dos cidadãos do mundo, dorme a província.

- Ali a velha igreja com seu campanário esperando a mantilha da noite.

- Anúncios luminosos piscam obsessões. O asfalto é irmandade de credos.

- No Centro, todos os vícios e todas as virtudes convivem nas esquinas da São João.

- Os domingos são quadrados. Cabem dentro da tela de cinema, do aparelho de televisão, da página do jornal, do campo de futebol.

- O Metrô é mergulho no inconsciente urbano. Nele o mesmo silêncio dos elevadores. Convívio de sonâmbulos, de antípodas da fila de ônibus e do trem de subúrbio onde há tempo para o cansaço florir num sorriso.

- Aqui o verde é esperança cobrindo o frio de existir.

Teatros e o balé da multidão, museus contemplando o quadro dos que se agitam, orquestras e a sinfonia de uma época em marcha. Nestes tempos modernos, Carlito operário ou estudante, comerciário ou burocrata, é técnico em sobreviver.

- Planalto dos desencontros, porta dos aflitos, rosa de eventos onde até o futuro tem pressa de chegar.

- Mal-amada cidade de São Paulo! Eu te amo!

Diário há meio século

Domingo, 24 de janeiro de 1971 – ano 13, edição 1443

Manchete – Brasil defenderá mundo livre na OEA. Em pauta o fim do terrorismo nas Américas na reunião da Organização dos Estados Americanos que começava em Washington.

Editorial – Enquanto o Grande ABC abarrota os cofres do Estado, recebendo migalhas em troca, cidades há, pelos quatro cantos do solo paulista, que são aquinhoadas pelas benesses do governador, com uma prodigalidade de causar inveja.

Ribeirão Pires – Ademar Bertoldo eleito presidente do Olaria FC.

Em 24 de janeiro de...

1931 – Com saída às 22h20 da Capital, José Alves de Cerqueira Cesar Netto, Dr. João Alberto Salles Filho e Julio Mesquita Filho (diretor do Estadão) iniciam marcha, a pé, de 80 quilômetros, até Santos, cortando São Bernardo pela Estrada do Vergueiro e Rua Marechal Deodoro.

1956 – Santo André, São Bernardo e São Paulo firmam acordo para a retificação do Rio Tamanduateí, com a abertura das avenidas marginais. A decisão foi tomada entre o prefeito de São Paulo, Lino de Matos, e uma comissão de deputados formada por Fioravante Zampol, Oswaldo Massei e Hilário Torloni.

Hoje

- Dia Nacional do Aposentado

- Dia da Previdência Social

Santos do dia

- Francisco de Sales (França, Castelo de Sales, 1567 – Lion, 1622) 



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O Grande ABC na comarca de São Paulo

Durante décadas a região pertenceu à comarca paulistana, mesmo com o seu crescimento industrial, econômico e populacional

Ademir
Do Diário do Grande ABC

24/01/2021 | 00:01


“Todas as cidades do mundo amam os seus rios – Londres, Paris, Nova York. São Paulo é a única que não ama. O Pinheiros e o Tietê foram convertidos num fosso sanitário para carregar bosta de paulista. É uma coisa realmente lamentável. São Paulo nunca se deu confortos. Os paulistas têm orgulho da cidade que mais tem asfalto por habitante no mundo. Mas me lembro com saudade de Higienópolis, da Rua Caio Prado e dos lugares em que vivi.”

Darcy Ribeiro, professor e historiador 

Em janeiro de 1921, realizava-se o Censo de São Paulo, e os dados preliminares traziam as seguintes informações:

- A comarca de São Paulo era formada pela Capital propriamente dita, mais sete outros municípios da atual Grande São Paulo: Santo Amaro (então município autônomo, hoje distrito paulistano), São Bernardo (abrangendo todo o atual Grande ABC), Itapecerica, Cotia, Juqueri, Guarulhos e Parnaíba.

- A comarca possuía 650 mil habitantes, sendo 556 mil na Capital.

- Os bairros mais populosos eram Mooca, Brás, Santa Cecília, Bela Vista, Consolação, Santa Efigênia, Bom Retiro e Santana.

LEMBRANÇAS

O poeta Paulo Bomfim conviveu com esta cidade. E ele deixou um depoimento maravilhoso ao Projeto Memória, em entrevista ao jornalista Milton Parron.

Disse Paulo Bomfim:

- Nasci na Maternidade São Paulo e fui criado na Vila Buarque, na Rua Rego Freitas. Não havia um prédio de apartamentos em todas as ruas do bairro, iluminadas com luz de lampião.

- Durante a Revolução de 32, do sobrado da casa do meu avô, eu podia ver os aviões da ditadura bombardeando o Campo de Marte.

- O primeiro prédio de apartamentos foi o Santo Antonio, onde depois foi instalada a famosa Caverna Santo Antonio e o Restaurante Mickey Mouse.

- Esse prédio ficava em frente à casa do meu avô e era residência do grande cirurgião paulista, professor Antonio Cândido Camargo, o A. C. Camargo que é a sigla do hospital do câncer.

- A São Paulo dos anos 40 tinha os restaurantes Gigetto, Pareirinha, Papai, Santana, Boa Vista, Ponto Chic – que no meu tempo tinha snuker no fundo.

- Os cabarés eram maravilhosos: Pássaro Azul, Imperial (que pertencia a Bianca Perla, uma das divas da madrugada paulista), Tabu (no Largo do Paissandu), Olimpo, Tropical.

- Bares como o Rialto, com aquelas balalaicas, canções russas, Rio Branco, Tico-Tico, Comercial, Internacional, Boêmio (frequentado pelo Paulinho Vanzolin, compositor).

- A madrugada de São Paulo era íntima. Parecia o fundo de quintal da casa da vó da gente. Todo mundo era primo, amigo.

- Época dos grandes valentes, da valentia no braço, sem arma. Tempo do Sangue Azul, do Vavá, do Casteloni, do Moleque Dezoito, do Kid Metralhadora, do Tenente Mineirinho...

POESIA EM CRÔNICA

E lá vai Paulo Bonfim, o Poeta de São Paulo, destilando lembranças. Para encerrar – provoca Parron – um poema. E Bonfim interpreta: Minha Insólita Metrópole.

- Minha insólita metrópole, capital de todos os absurdos! Música eletrônica em fundo de serenata, paisagem cubista com incrustações primitivas, poema concreto envolto em trovas caboclas.

- Cidade feita de cidades, bairros proclamando independência, ruas falando dialetos, homens com urgência de viver.

- Oceano feito de ilhas. Ilhas chegando, ilhas sangrando, ilhas florindo.

- Os céus cansados do concreto que arranha. Cresce o mar das periferias.

- No barco dos barracos navega um sonho. No fundo de cada um dos cidadãos do mundo, dorme a província.

- Ali a velha igreja com seu campanário esperando a mantilha da noite.

- Anúncios luminosos piscam obsessões. O asfalto é irmandade de credos.

- No Centro, todos os vícios e todas as virtudes convivem nas esquinas da São João.

- Os domingos são quadrados. Cabem dentro da tela de cinema, do aparelho de televisão, da página do jornal, do campo de futebol.

- O Metrô é mergulho no inconsciente urbano. Nele o mesmo silêncio dos elevadores. Convívio de sonâmbulos, de antípodas da fila de ônibus e do trem de subúrbio onde há tempo para o cansaço florir num sorriso.

- Aqui o verde é esperança cobrindo o frio de existir.

Teatros e o balé da multidão, museus contemplando o quadro dos que se agitam, orquestras e a sinfonia de uma época em marcha. Nestes tempos modernos, Carlito operário ou estudante, comerciário ou burocrata, é técnico em sobreviver.

- Planalto dos desencontros, porta dos aflitos, rosa de eventos onde até o futuro tem pressa de chegar.

- Mal-amada cidade de São Paulo! Eu te amo!

Diário há meio século

Domingo, 24 de janeiro de 1971 – ano 13, edição 1443

Manchete – Brasil defenderá mundo livre na OEA. Em pauta o fim do terrorismo nas Américas na reunião da Organização dos Estados Americanos que começava em Washington.

Editorial – Enquanto o Grande ABC abarrota os cofres do Estado, recebendo migalhas em troca, cidades há, pelos quatro cantos do solo paulista, que são aquinhoadas pelas benesses do governador, com uma prodigalidade de causar inveja.

Ribeirão Pires – Ademar Bertoldo eleito presidente do Olaria FC.

Em 24 de janeiro de...

1931 – Com saída às 22h20 da Capital, José Alves de Cerqueira Cesar Netto, Dr. João Alberto Salles Filho e Julio Mesquita Filho (diretor do Estadão) iniciam marcha, a pé, de 80 quilômetros, até Santos, cortando São Bernardo pela Estrada do Vergueiro e Rua Marechal Deodoro.

1956 – Santo André, São Bernardo e São Paulo firmam acordo para a retificação do Rio Tamanduateí, com a abertura das avenidas marginais. A decisão foi tomada entre o prefeito de São Paulo, Lino de Matos, e uma comissão de deputados formada por Fioravante Zampol, Oswaldo Massei e Hilário Torloni.

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